Cosme Rímoli O terrível destino de Alexandre. Melhor do que Zetti e Ceni

O terrível destino de Alexandre. Melhor do que Zetti e Ceni

"Se não tivesse morrido, eu não seria bicampeão do mundo", confessa Zetti. "Ele era melhor do que eu", admite Ceni. 28 anos da morte de Alexandre

  • Cosme Rímoli | Do R7

Rogério Ceni era seu reserva. E Zetti o via brigando pela posição. Alexandre

Rogério Ceni era seu reserva. E Zetti o via brigando pela posição. Alexandre

São Paulo

São Paulo, Brasil

18 de julho.

Em plena pandemia, a data passou despercebida.

Sem homenagens. 

Nem no São Paulo.

Mas a data marcou o 28º aniversário de morte de Alexandre Escobar Ferreira.

Sete jogos como goleiro do São Paulo Futebol Clube.

Nenhum gol sofrido.

Sua morte, aos 20 anos, mudou a trajetória dos dois maiores goleiros da história do São Paulo.

"Olha, Cosme, não tem como não confessar. Se o Alexandre não tivesse morrido nquele acidente terrível, talvez eu não seria bicampeão mundial.

"Seria só campeão.

"Porque o titular em 1993 poderia ter sido ele.

"O Alexandre era um goleiro sensacional. De reflexos impressionantes, ótimas saídas e ia muito bem com a bola nos pés. Estava à frente do seu tempo.

"Brigaria por Copa do Mundo de 1998 e outras.

"O Telê Santana era apaixonado por ele. 

"Com razão. 

"E vou dizer mais, se ele tivesse ficado vivo, talvez o Rogério Ceni nem teria feito história no São Paulo. Teria de ir para outro clube."

A revelação é de Zetti.

Alexandre tinha total confiança de Telê Santana. Sua vida iria mudar no São Paulo

Alexandre tinha total confiança de Telê Santana. Sua vida iria mudar no São Paulo

São Paulo

No seu livro Maioridade Penal, Rogério Ceni vai pelo mesmo caminho.

" O Alexandre era muito melhor do que eu.

"Velocidade incrível de movimentos, excelente chute, bonito de ver jogar. Telê Santana adorava! (…) Minha carreira, com certeza, seria completamente diferente caso Alexandre não tivesse partido. Ele era apenas um ano mais velho do que eu. Ocuparia a sua posição por muito tempo."

Zetti relembra que a linha sucessória, se Alexandre permancesse vivo, levaria Rogério Ceni, muito provavelmente, para o Internacional.

"O Alexandre era o meu reserva imediato. E estava treinando cada vez melhor. O Rogério também estava voando. Eu também vivia uma fase maravilhosa, tanto que me agustiou ser reserva nas Eliminatórias de 1993. O Taffarel estava há um ano sem jogar no Parma, só treinava, por causa da lei dos jogadores extra-comunitários, naquele tempo.

"O Rogério queria seu espaço. E havia clubes interessados nele. Seu potencial também era conhecido. Ele não ficaria como segundo reserva no São Paulo", relembra Zetti. 

A direção do Internacional na época já havia até começado a negociar com a direção do São Paulo por Ceni. 

Alexandre, que estava no São Paulo desde a base. Foi vice da Taça São Paulo de 1992, com Rogério Ceni na sua reserva.

Em 1993, estava eufórico. Entrando aos poucos no segundo time, o "Expressinho". E cada vez mais merecendo a atenção de Telê Santana, que o via com potencial para a Seleção Brasileira.

A prova de foco foi na Libertadores, quando Zetti foi expulso em uma partida contra o Peñarol, no Uruguai. Alexandre entrou no jogo e segurou a vitória por 1 a  0.

No jogo do Morumbi, ele foi titular.

Nova vitória por 2 a 0. 

A partida classificou o São Paulo para as quartas-de-final.

A diretoria, torcida, Telê se empolgaram.

Muito mais, Alexandre, animadíssimo com o que acontecia.

O reconhecimento.

Foi quando no dia 18 de julho de 1992 chegou.

Um sábado.

Ele decidiu ir para um churrasco com amigos, em São Roque, cidade próxima à capital paulista. 

Na volta, ele dirigia seu novo carro, um kadett branco.

Estava sozinho. 

Alexandre dirigia rápido.

Perdeu o controle do automóvel.

Bateu de frente com a mureta de proteção da rodovia Castelo Branco.

Acabou estraçalhado.

A morte foi instantânea.

A morte de Alexandre, na rodovia Castelo Branco, mudou a vida de Zetti e de Ceni

A morte de Alexandre, na rodovia Castelo Branco, mudou a vida de Zetti e de Ceni

São Paulo

Junto com ele, um anel de noivado.

Alexandre pediria, naquele dia, Ana Maria Lopes, em casamento.

A fatalidade surgiu.

Sua vida acabou, aos 20 anos.

Zetti foi bicampeão do mundo.

Tetracampeão com a Seleção, nos Estados Unidos.

E Rogério Ceni virou o maior jogador da história do São Paulo.

Se não fosse o acidente de Alexandre, tudo seria diferente.

Palavra de Zetti e de Rogério Ceni...

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