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Cosme Rímoli - Blogs

O ‘nó tático’ de Dorival em Filipe Luís. Anulou Arrascaeta e Carrascal. O prazer de ser campeão no Corinthians. E ganhar, de novo, do Flamengo, que o dispensou ‘por status’

Em 2022, Dorival foi dispensado do Flamengo, mesmo sendo campeão da Libertadores e da Copa do Brasil. Desde então, se vinga. Em 2023, ganhou a decisão da Copa do Brasil, com o São Paulo. Em Brasília, hoje, travou a criatividade rubro-negra. E conquistou a Supercopa do Brasil

Cosme Rímoli|Do R7

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Dorival sabe: a vitória hoje não foi dos jogadores. Foi sua Rodrigo Coca/Corinthians

Orgulho com nítida pitada de rancor.

Foi assim que Dorival Júnior comemorou seu segundo título com o Corinthians.


Se no primeiro despachou o Vasco na decisão da Copa do Brasil, o de hoje foi mais prazeroso.

Ele não se esquece quando foi trocado, por uma questão de ‘status’ pelo português Vítor Pereira. Mesmo depois de ter conquistado a Libertadores e a Copa do Brasil pelo Flamengo. A antiga diretoria queria um treinador europeu. E teve. Vítor Pereira fracassou de forma retumbante.


Se ele já estava contente em 2023, quando venceu a final da Copa do Brasil com o São Paulo, a conquista de hoje foi mais que especial.

“Não é para qualquer equipe marcar como marcamos o Flamengo. O Flamengo, em determinado momento, se limitou a alçar bolas, já que não achava espaço para infiltrar.


“A nossa maior preocupação era com Arrascaeta e Carrascal naquele setor, então praticamente individualizamos as marcações.

“Você corre um risco, mas seria a única maneira de tentar pressionar o Flamengo. Foi essa a nossa proposta. O importante é a maneira como os jogadores se entregaram. Eu tenho que enaltecer muito tudo isso.”


O título do Corinthians mostra que só estrutura administrativa não garante conquistas Wilton Júnior/Conteúdo Estadão

Dorival Júnior traduzia de forma direta o motivo pelo qual Breno Bidon recebeu a decisiva, e infantil, cotovelada de Carrascal.

O colombiano se irritou com a perseguição individualizada do jovem meio-campista corintiano, decidida pelo treinador.

A expulsão de Carrascal na volta do intervalo da decisão da Supercopa do Brasil foi fundamental para a vitória corintiana, diante do favorito Flamengo, por 2 a 0, gols de Gabriel Paulista e de Yuri Alberto.

De Arrascaeta quem tomou conta, e anulou, foi Raniele. Mal permitiu o uruguaio respirar. O time carioca não teve como impor o seu tradicional toque de bola. Até porque não explorava, de maneira estranha, as laterais.

Centralizava o jogo ou cruzava, das intermediárias, a bola para a área, que encontrava os zagueiros corintianos de frente para cabecear longe.

Hugo não precisou fazer nenhuma grande defesa.

E o Corinthians se impôs vencendo a guerra nas intermediárias e explorando as costas do violento Pulgar e Jorginho.

“Não é para qualquer equipe travar o Flamengo”, repetia Dorival, orgulhoso, após o título.

O Flamengo, com seu elenco bilionário, criou apenas duas chances de gols, uma cabeçada no travessão de Pulgar, e Paquetá, que fez sua reestreia hoje, chutou por cima do gol, quando recebeu bola cara a cara com Hugo.

No restante da partida, o Corinthians seguiu firme, marcando e contragolpeando, com perigo.

Mesmo visivelmente fora de forma, Memphis conseguia encontrar espaço na defesa carioca. Gabriel Paulista fez ótima partida. Não só ajudando a preencher as intermediárias como surgindo de surpresa na área do Flamengo.

O treinador também venceu uma dificuldade inesperada. Uma crise de virose, que atacou seus jogadores.

Principalmente Yuri Alberto e Garro. Como o atacante é muito mais forte fisicamente, suportou a partida inteira, já o meia argentino ficou no banco e entrou durante o jogo.

“Joguei com virose, para quem não sabe. Sexta e sábado, fiquei o tempo todo vomitando. Não sei como o professor conseguiu me deixar até o final.

“Desde o começo do jogo estava exausto, eu estava morto, mas Deus me honra sempre. Deus é bom demais comigo por poder marcar em uma final novamente”, comemorava Yuri Alberto.

Memphis também não tinha motivo para reclamar.

Com o título, o holandês, que tem o melhor contrato do futebol deste país, chegou a R$ 25 milhões só de bônus. R$ 14 milhões em títulos e R$ 11 milhões em participação em jogos e gols.

Feliz com a força do Corinthians, com seu terceiro título, ele só lamentava a administração. Ele sabe que a dívida do clube já alcançou R$ 2,8 bilhões.

“Imagine esse clube com estrutura e coisas boas. Imagine o Corinthians, outro nível. Por isso, eu rezo por este dia, com estrutura boa para o Corinthians.

“É um clube muito grande, com muito potencial, uma marca global. Não só no Brasil. Precisa trocar mentalidade um pouquinho.”

A postura de Filipe Luís não foi admirável após a derrota na decisão.

Depois de seu time ir muito mal no Carioca, com sua opção por garotos sub-20 nas primeiras rodadas, na derrota do Brasileiro, hoje outro fracasso.

“Nunca tinha visto isso na minha vida. Não sei se já tinha acontecido em algum outro lugar.

“Os jogadores ficaram esperando no campo e voltaram para o vestiário como se o lance já tivesse sido revisado. Preparamos todo o plano para jogar onze contra onze.

“Depois, quando vi que foi para o VAR, já comecei a pensar em uma estratégia de algum recurso para tentar jogar melhor.

“O time conseguiu ainda ficar com a bola, tentar empurrar o Corinthians para a área o máximo possível. Não quero dar desculpas da derrota, falar nada disso, mas nunca tinha visto.”

Não viu, mas não conseguiu fazer Arrascaeta e Carrascal escaparem da marcação. E muito menos fazer o Flamengo mostrar outra opção para atacar o Corinthians.

Nesta final, a infraestrutura bilionária do Flamengo caiu diante da organização caótica administrativa corintiana.

Resultado de um técnico que superou o rival.

Parabéns a Dorival Júnior.

Pêsames para quem o demitiu por status...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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