Cosme Rímoli O jornalismo esportivo perde um grande repórter: Fernando Caetano

O jornalismo esportivo perde um grande repórter: Fernando Caetano

Um infarto tirou a vida de Fernando Caetano. Excelente repórter que trabalhou por anos na ESPN Brasil e Fox Sports. Aos 50 anos

  • Cosme Rímoli | Do R7

Fernando Caetano. Morte aos 50 anos. Luto no jornalismo esportivo deste país

Fernando Caetano. Morte aos 50 anos. Luto no jornalismo esportivo deste país

Reprodução/Instagram

São Paulo, Brasil

"E aí, Cosme? O que você vai perguntar para o Tite? Porque temos de cobrar, ouvir dele porque a seleção está mal. Questionar. Vamos tomar porrada, como sempre. Mas é o nosso papel."

Foi assim com o Tite na Rússia, mas foi com Felipão, Mano Menezes, Dunga...

Pelo menos nos últimos vinte anos, os encontros com Fernando Caetano na cobertura da seleção brasileira foram constantes.

Assim como jantares, almoços, cafés, intermináveis horas esperando coletivas, zonas mistas, embarques, voos.

No Brasil, na América do Sul, na Europa.

A garantia de troca de informações e risadas era garantida.

Fernando Rafael Caetano era um 'repórter de televisão' mas que não tinha preocupação apenas com a melhor imagem, o melhor ângulo da câmera, com o cabelo, a maquiagem.

Ele tinha visão questionadora, firme, detalhista, corajosa, que caracterizam 'jornalistas da escrita'. 

Fernando Caetano queria notícia.

Mas com uma grande diferença, ele fazia os mais firmes questionamentos sem alterar o tom de voz, invariavelmente sorrindo, derrubando a resistência dos entrevistados. 

Mesmo se assessores de imprensa tentassem atrapalhar, impedir a pergunta, dificultar o assédio ao jogador ou ao técnico, ele insistia, questionava, não recuava para agradar.

Sua dedicação era fora do normal.

Costumava sempre chegar antes do treinamento começar e ia embora quando não podia ficar mais no CT, no clube, no estádio. 

Jamais o encontrei acomodado. Sempre incomodado, buscando notícias exclusivas. Transmissão de jogo não era desculpa para não dar informações. Muito pelo contrário.

Sempre fiz questão da acompanhar as partidas nas quais era repórter porque sabia que notícias viriam. Seria ele o repórter corajoso a questionar os jogadores e técnicos derrotados. Assim como o com capacidade para sair da mesmice dos vitoriosos.

A passagem pela rádio Jovem Pan trouxe a adrenalina que jamais perdeu. Nos anos e anos de ESPN Brasil e Fox Sports.

Foi o grande injustiçado quando a Fox Sports foi adquirida pela Disney. E ele acabou não seguiu trabalhando.

Por divergências. As mesmas que o fizeram sair da ESPN Brasil antes de ir para a Fox Sports.

Sua jovialidade, seus sorrisos, sua inquietude, disfarçavam muito bem os 50 anos.

Infelizmente vieram dois infartos. O primeiro há duas semanas.

E o segundo, fatal, ontem.

Morreu em Marília, onde nasceu.

É uma perda irreparável para o jornalismo esportivo da tevê.

Como foi Victorino Chermont, na queda do avião da Chapecoense.

Por isso trabalhavam tão bem juntos, se completavam.

Daí tanta comoção por Fernando Caetano neste domingo.

O dia é de luto.

Como disse Ivan Moré, grande amigo de Fernando Caetano.

"Você cumpriu sua missão na Terra"...

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