Cosme Rímoli O Grêmio entrou para a guerra. O Flamengo, para jogo-treino. Vitória na raça do time de Felipão

O Grêmio entrou para a guerra. O Flamengo, para jogo-treino. Vitória na raça do time de Felipão

O Grêmio surpreendeu e conseguiu travar o Flamengo de Renato Gaúcho. Borja foi o personagem da vitória por 1 a 0. Felipão mostrou a fórmula como vencer os cariocas: 'picotar' o jogo. Fazer falta em cima de falta

  • Cosme Rímoli | Do R7

Borja discutiu, xingou, provocou, perdeu pênalti. Mas marcou o gol da vitória do Grêmio

Borja discutiu, xingou, provocou, perdeu pênalti. Mas marcou o gol da vitória do Grêmio

Jorge Rodrigues/AGIF/Brasileirão Assaí

São Paulo, Brasil

Quem esperava Gabigol, Everton Ribeiro, Bruno Henrique, Pedro, viu Borja decidindo Flamengo e Grêmio. O colombiano provocou, irritou e ainda marcou os dois gols da inesperada vitória do time de Luiz Felipe Scolari sobre o de Renato Gaúcho, em pleno Maracanã, 2  a 0.

E ainda nos acréscimos, aos 51 minutos, Diego Alves defendeu a cobrança de pênalti de Borja.

O Grêmio entrou em ritmo de decisão, se vingou da eliminação na Copa do Brasil, e o Flamengo, de jogo-treino. E os gaúchos conseguiram três pontos fundamentais. Seguiram na zona de rebaixamento. Enquanto o Flamengo perde a chance de encostar no Palmeiras. Fica estagnado na terceira colocação. 

Mérito de Felipão que conseguiu 'picotar' o jogo. Ou seja, travar com faltas o toque de bola do Flamengo. Com a permissão do árbitro Marielson Alves da Silva.

O jogo mostrou também a dependência do Flamengo de Arrascaeta. O time sentiu demais a ausência do uruguaio para arquitetar seus ataques. Só havia Everton Ribeiro, que foi encaixotado pela marcação gaúcha. O time carioca sofreu demais com outras fracas atuações de Isla e Renê.

O Flamengo praticamente não criou.

Os goleiros Gabriel Chapecó, que saiu substituído por contusão, e Brenno, praticamente assistiram ao jogo. Foi inacreditável a falta de vibração, de compactação, de organização do time de Renato Gaúcho para escapar da forte marcação gremista.

"Hoje eu acho que não fluiu tanto o jogo. A gente tinha uma boa saída, mas não conseguia agredir o time do Grêmio. Acho que é normal também, o terceiro jogo com o Grêmio, gera esse tipo de rivalidade. Perdemos três pontos, mas vamos seguir, tem muito chão pela frente", dizia, tentando não deixar escapar a sua decepção, Diego Alves.

 E o goleiro flamenguista foi no ponto.

Felipão sabe como ninguém no Brasil explorar o clima de rivalidade, de raiva do adversário, de guerra. Foi exatamente o que ele fez, depois da eliminação do Grêmio para o Flamengo na Copa do Brasil. Neste terceiro jogo seguido, tratou de montar uma equipe de muita marcação, vibração e raiva. Seu time precisava somar pontos no jogo de hoje. E os atletas lutaram por cada centímetro de gramado.

Renato Gaúcho não tinha peças importantes: Filipe Luís e Arrascaeta. Além de Bruno Henrique que só tinha condições de jogar 30 minutos.

Mas a falta de iniciativa do Flamengo, diante da óbvia marcação gremista, foi o que assustou. O time simplesmente aceitou o ritmo lento, a pegada fortíssima dos jogadores de Felipão. Tudo facilitado pelo árbitro Marielson Alves da Silva, que permitiu faltas e mais faltas do time do Rio Grande Sul no meio de campo, travando o jogo.

O Grêmio, como também é marca registrada de Felipão, vivia de cruzamentos aéreos no ataque. Seus jogadores do meio para a frente entraram em campo mais para travar os rivais do que para buscar o gol.

Borja fez questão de enfrentar os flamenguistas que o provocavam, após marcar o gol da vitória

Borja fez questão de enfrentar os flamenguistas que o provocavam, após marcar o gol da vitória

Alexandre Loureiro/Reuters - 19.09.2021

O mais corajoso deles era Borja. O colombiano, que no Palmeiras fugia das brigas, hoje as provocou. Tinha dois alvos, Rodrigo Caio e Diego Alves. Principalmente o ex-zagueiro do São Paulo. Eles passaram o primeiro tempo se empurrando, se provocando, se xingando.

A situação foi interessante. Serviu para distrair a defesa flamenguista. E em uma bola muito bem cruzada por Ferreirinha, aos 47 minutos do primeiro tempo, Borja cabeceou livre. Estufou as redes de Diego Alves e ainda o provocou depois de marcar. Gabigol comprou a briga e os dois ficaram se provocando após o 1 a 0. 

No segundo tempo, a expectativa era que o Flamengo pressionasse a saída de bola. Renato Gaúcho agrupasse seu time. Forçasse jogadas mais pelas laterais do campo e não pelo meio. Mas nada mudou. A equipe não conseguia superar a fortíssima marcação gremista.

Nem as entradas de Bruno Henrique e Pedro mudaram o panorama da partida.

O confronto ficou monótono, como gosta Felipão, quando dirige uma equipe fora de casa. Renato Gaúcho erro feio ao demorar demais para colocar o meio-campista Thiago Maia no lugar de Andreas Pereira. Ele entrou aos 47 minutos do segundo tempo. Faltavam meio-campistas para armar, articular as jogadas ofensivas. E o treinador só usa Thiago Maia no fim de jogo, erro primário.

Além de não criar chances reais, o Flamengo ainda cometeu pênalti. Leo Pereira tocou o braço direito na bola.

Confiante, Borja pegou a bola e foi para a cobrança.

Cobrou fraco no canto direito. Diego Alves não teve nem dificuldade em defender.

Mas já era 52 minutos.

Não houve mais tempo para nada.

Vitória animadora do Grêmio.

Derrota assustadora, pelo péssimo futebol, do Flamengo...

Ainda em hotel, Messi pode se mudar para palácio de R$ 295 mi

Últimas