Cosme Rímoli O fundo do poço de Luxa. Portas fechadas até na segunda divisão

O fundo do poço de Luxa. Portas fechadas até na segunda divisão

Ser rebaixado trabalhando de graça com o Vasco foi um golpe forte demais. A elite do futebol do país não aceita seus métodos

  • Cosme Rímoli | Do R7

Luxa fracassou trabalhando de graça no Vasco. Portas fechadas na elite do futebol brasileiro

Luxa fracassou trabalhando de graça no Vasco. Portas fechadas na elite do futebol brasileiro

Flamengo

São Paulo, Brasil

Vanderlei Luxemburgo da Silva.

Técnico de futebol.

Recebia cerca de R$ 900 mil mensais, no Real Madrid, em valores atualizados.

Comandava uma equipe galáctica, em 2005.

A mais poderosa que teve nas mãos.

Zidane, Ronaldo, Beckham, Roberto Carlos, Raúl, Figo, Sérgio Ramos, Robinho, Casillas.

Foi um fracasso.

Demitido sumariamente.

A ponto de ainda prejudicar a imagem do técnico brasileiro na Europa até hoje.

Roberto Carlos, por exemplo, revelou que os jogadores não o obedeciam.

Tinha dificuldade até em se expressar em espanhol.

Desde então sua carreira despencou de forma assustadora.

Envenedados por amigos e funcionários que estimularam sua vaidade.

A tendência ao egocentrismo.

Fechou os olhos ao mundo.

Desdenhou os novos preceitos táticos europeus.

Acreditou que seus conhecimentos da década de 90 sobreviveriam 30 anos depois.

Acumulou 12 demissões seguidas.

Inclusive do Tianjin Quanjian, time da segunda divisão chinesa.

Do Real Madrid à demissão do Vasco, rebaixado. Decadência assustadora

Do Real Madrid à demissão do Vasco, rebaixado. Decadência assustadora

Uefa

E nestes 16 anos, sua desvalorização profissional foi triste.

Culminando no rebaixamento com o Vasco.

Trabalhando por 12 jogos sem ganhar um centavo.

Se oferecer para trabalhar de graça...

Foi a única maneira dos dirigentes de São Januário o aceitarem.

Era uma mais uma aposta 'esperta' de Luxemburgo.

Ele seria o 'salvador da Pátria', o comandante que salvaria o gigante Vasco do quarto rebaixamento na sua história.

Suas preleções antes dos 12 jogos eram filmadas.

E divulgadas quando o time vencia.

Para mostrar à torcida vascaína e ao futebol brasileiro que Vanderlei Luxemburgo não estava ultrapassado, seu repertório tático não havia acabado e que ainda era uma referência em relação à modernidade. Além de sua inteligência emocional fora do normal.

Quando perdia, não.

O que se viu, na verdade, foi um time do Vasco da Gama medroso.

Sem poder de reação.

Espaçado, submetido aos adversários mais fortes.

De nada adiantava acumular jogadores na intermediária, se a saída era lenta, sem coragem para atacar em bloco, com demorada recomposição. 

Confundia linhas baixas com retranca.

Jogo reativo com chutões para correria de seus atacantes.

Não conseguiu se modernizar.

Parou no tempo.

Prisioneiro da vaidade.

Luxa fracassou na seleção

Luxa fracassou na seleção

CBF

O fraquíssimo elenco do Vasco, que tinha nas mãos, reagiu até de forma pior com que fez com Abel Braga, Ramon Menezes e Sá Pinto. 

O aproveitamento de Abel, nos 14 jogos que comandou, foi de quatro vitórias, cinco empates e cinco derrotas, antes da demissão. Ramon teve oito vitórias, três empates e cinco derrotas, nas 16 partidas.

A grande aposta da temporada, o português Sá Pinto, suportou 15 jogos. Com três vitórias, seis empates e seis derrotas.

Nos 12 jogos de Luxemburgo, apenas três vitórias, quatro empates e cinco derrotas.

A direção do Vasco não quis nem pensar em seguir com seu trabalho, depois de ontem, fim do Brasileiro.

Fechou, com pregos, mais uma porta.

Assim como tem as portas fechadas no Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio, Fluminense, Cruzeiro, Internacional, Santos, Botafogo, Sport.

Clubes que já duelaram, brigaram para tê-lo como treinador.

Luxemburgo tem amigos importantes na imprensa, que cultivou à base de jantares nas segundas-feiras, regados a vinhos caríssimos.

Ao longo de décadas, eles sempre se solidarizam quando ele está desempregado. E fazem campanha para que seja contratado, continue no futebol brasileiro.

Basta ser demitido e ele começa a frequentar programas esportivos destes seus amigos. Dá sempre sua versão, mostrando que o problema dos seguidos fracassos estava sempre nos clubes.

Esse roteiro já cansou.

Luxemburgo está com a vida financeira resolvida.

Tem vários investimentos.

Como imóveis.

E até é sócio de uma fábrica de cachaça, de pinga, em Arapiraca, no estado de Alagoas.

Vaidoso, lançou edição especial, com seu nome, a Cachaça Vanderlei Luxemburgo, que custa R$ 379,00.

Vanderlei chegou ao ponto mais baixo da carreira.

Em 2002, ele encaminhou o rebaixamento do Palmeiras, ao desmanchar o elenco de 2001 e ir embora para o Cruzeiro, em plena reformulação, sem ninguém entender como montaria o time.

Mas desta vez, não.

O Vasco mergulhou no vexame do quarto rebaixamento nas suas mãos.

E por isso a diretoria não o quer nem de graça.

Seus projetos, no passado, eram para vencer a Libertadores.

Ser campeão do mundo.

Os fracassos se acumularam.

Decadente, o de 2021, era bem mais modesto.

Evitar a segunda divisão. 

Não conseguiu.

Se ofereceu para ficar, trabalhar na Série B pelo Vasco.

Foi recusado.

Luxemburgo é sócio da cachaçaria Brejo dos Bois, em Arapiraca

Luxemburgo é sócio da cachaçaria Brejo dos Bois, em Arapiraca

Divulgação

Vanderlei Luxemburgo precisa ter coragem.

Encarar o espelho.

Tudo passa.

Já foi o melhor treinador deste país.

Hoje não tem espaço em clubes da primeira divisão.

Mesmo nos menores.

E até pelos mais poderosos da segunda.

Ninguém calou Vanderlei Luxemburgo da Silva.

Ele mesmo colocou um esparadrapo na sua boca...

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