O Botafogo orgulha o Brasil contratando Bruninho. Já o Vasco do Acre constrange o país assinando com Bruno, condenado pelo assassinato de Elisa Samúdio, a mãe de Bruninho
Em uma semana, pai e filho estampam as manchetes de portais, ganham matérias especiais nas tevês. Bruninho por conseguir superar o gigantesco trauma do assassinato de sua mãe e se tornar jogador profissional. E, seu pai, condenado pela morte, voltar a atuar, aos 41 anos. Mesmo com enorme rejeição

A alegria da superação do filho virou constrangimento.
Por causa do pai, que o renega desde que foi concebido.
O mundo do futebol aplaudiu, admirado, há uma semana, a assinatura do primeiro contrato profissional de Bruninho.
Como goleiro do gigante Botafogo de Futebol e Regatas.
Aos 16 anos, ele conseguiu superar um trauma absurdo.
Saber que o pai foi o mentor do sequestro, homicídio e ocultação do cadáve de sua própria mãe, Eliza Samúdio.
A justiça o condenou, em 2013, a 23 anos e um mês de prisão. Eliza foi assassinada em junho de 2010.
Para piorar ainda a situação, seu pai era o goleiro do clube mais popular do Brasil, o Flamengo.
Figura pública conhecidíssima e que leva seu nome: Bruno.
A relação entre os dois não existe.
Jamais se encontraram.
Bruno e a vó de Bruninho travam uma luta na justiça por pensão. Os valores devidos ficam entre 30 mil e R$ 2,5 milhões. Por conta também de um processo de indenização pela morte de Eliza, crime que foi condenado.
A situação se torna mais chocante depois que Bruninho propôs publicamente a liberação da dívida do pai. Desde que ele revelasse onde escondeu o corpo de sua mãe.
Aos 16 anos, Bruninho tem mostrado excelente potencial. Tanto que é titular absoluto do Botafogo sub-17. E convocado constantemente para torneios de base da Seleção.
De personalidade forte, ele não se esconde de entrevistas. O Botafogo é que impede que sua presença seja tão constante na imprensa. Até para preservá-lo.
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Enquanto seu filho cresce na carreira, Bruno segue em liberdade condicional. Ele ficou apenas seis anos e sete meses preso, na cadeia.
Para sobreviver, já teve várias profissões.
Entregador de móveis, mestre de obras, dono de franquiua de açaí.
Mas o que mais fez foi tentar voltar a jogar profissionalmente.
Jogou no Poços de Caldas, Rio Branco, Atlético Carioca, Capixaba e, agora, Vasco, do Acre.
Antes de mandar matar Eliza Samúdio, Bruno era goleiro titular do Flamengo, capitão do time, estava negociando com a Roma e seria convocado para a Seleção Brasileira.
Ele será o titular hoje do Vasco contra o Velo Clube, pela Copa do Brasil.
Várias entidades contra o feminícidio já protestaram no Acre contra a contratação de Bruno.
O humilde clube jamais teve tanta notoriedade nacional.
Mas sabe como lidar com cobranças da sociedade.
Quatro de seus jogadores, Erick, Matheus, Brian e Alex Pires, são acusados de estuprar duas mulheres no alojamento do clube. Erick chegou a ser preso.
O crime teria acontecido há seis dias, 13 de fevereiro.
As duas mulheres estão sob proteção da polícia, com medo de retaliação dos jogadores.
Será neste Vasco que Bruno retoma a carreira, de forma constrangedora. Sob protestos de quem não esquece o assassinato de Eliza. E daqueles que querem que a mãe da modelo tenha o direito de enterrá-la.
Já Bruninho segue seu brilhante início de carreira.
Tentando afastar a sombra do pai, que segue sendo um peso enorme na sua vida…













