Muricy pressionado pelas denúncias contra Casares. Aliados do presidente dizem que, se sair, será uma ‘traição’. Ele não sabe o que fazer
O ex-treinador e coordenador de futebol do São Paulo está extremamente incomodado. As denúncias, feitas pela Polícia, contra o presidente Julio Casares, são gravíssimas. Ele deu ‘sua palavra’ que ficaria no clube até o fim de mandato da direção. Aliados do presidente afirmam que se Muricy sair seria uma ‘traição’

“Não aceitei ser técnico da Seleção.
“Não quis trabalhar na CBF.
“Preferi me afastar do que aceitar coisas que não concordo.
“Minha vida sempre clara, transparente.
“O ambiente do futebol, às vezes, é complicado.
“Eu sempre quis estar onde tudo sempre foi às claras.”
Estas declarações foram feitas por Muricy Ramalho, em 2010, quando recusou assumir a Seleção Brasileira.
Ele não quis trabalhar na administração de Ricardo Teixeira, que era atacada, com inúmeras denúncias.
Elas culminaram obrigando Teixeira a renunciar.
Aos 70 anos, Muricy se vê diante de um enorme impasse.
Ele é o coordenador de futebol do São Paulo.
Foi colocado no cargo por Julio Casares.
Não assumiu como treinador porque sua saúde não permite.
Médicos vetaram que seguisse na atividade.
Por conta de sua arritmia cardíaca.
Casares, quando o convidou, sabia o que ele representa para o São Paulo.
São 18 títulos defendendo o clube.
Sete como jogador, incluindo o Brasileiro de 1977.
E 11 como técnico, com o inesquecível tricampeonato brasileiro.
Muricy é uma entidade, um escudo para o presidente.
Além de toda a competência para servir de elo entre o técnico da equipe principal, os atletas e a direção.
O coordenador suportou tudo desde que ficou ao lado de Casares, em 2020.
A dívida crônica do São Paulo, amarrado a juros com instituições financeiras, que o levaram a R$ 1,2 bilhão em dívidas.
A impossibilidade de contratar grandes jogadores no auge de suas carreiras.
A impulsividade midiática de Casares, em buscar jogadores que tiveram grande renome, mas em declínio, por conta da idade, mas caríssimos, como Oscar e Lucas Moura.
Ou apoiar apostas de grande risco como a chegada inoportuna de James Rodríguez.
A mania de Casares de contratar sem ouvir o treinador, convencido por empresários.
Atraso de salários, de direito de imagem.

Tudo Muricy suportou no São Paulo.
Recusou inclusive a chance de trabalhar como coordenador, na Seleção Brasileira. O pedido foi feito por Dorival Júnior.
Ele disse não.
Iria seguir no São Paulo até o último dia do presidente.
Mas as graves denúncias da Polícia sobre atos da administração de Julio Casares são fortes demais.
Ele sabe que precisa respeitar sua trajetória de 53 anos no futebol.
E, se recusou a Seleção, para não trabalhar na administração Teixeira, como seguir em uma direção com tantas acusações?
Só que aliados de Casares disseram, inclusive a Muricy que, se ele abandonar o cargo, seria ‘traição’.
Já que deu a palavra que seguiria com o dirigente até o último dia de seu mandato.
‘Acontecesse o que acontecesse’, lembram os aliados de Casares.
Quando deu sua palavra ao presidente, o pior que Muricy imaginou que poderia acontecer seria o rebaixamento do São Paulo.
Nunca denúncias policiais contra o dirigente.
Muricy está angustiado desde que começaram as acusações.
Sua saída seria a perda de um grande escudo para o presidente.
Como se o coordenador, com enorme respeito junto à imprensa, confirmasse a culpa de Casares, às vésperas de uma votação do Conselho Deliberativo que discute o impeachment do dirigente.
Ao mesmo tempo Muricy vê o time sofrer os reflexos desta enorme crise política.
A perda da vaga na Libertadores de 2026, a goleada sofrida para o Mirassol logo no primeiro jogo do ano, a pressão das organizadas.
Sua obrigação é tentar blindar os jogadores e Crespo.
Ao mesmo tempo vive o drama de consciência.
Ficar em uma direção com tantos negócios mal explicados?
Muricy está indeciso.
Uma hora sinaliza para seus amigos que vai embora.
Outras, que vai ficar.
Este é o maior impasse não só na carreira.
Mas na vida de Muricy Ramalho...















