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Medo de rebaixamento. Atraso de salários. Falta de futuro. Discurso de Crespo depois da derrota para o São Paulo, incomoda novo presidente. Demissão do argentino é analisada

O pessimismo de Crespo revoltou Harry Massis. Dizer que o objetivo do São Paulo no Brasileiro é chegar aos 45 pontos, não ser rebaixado, e que há pessoas no clube que não recebem há meses, perturbou a direção. Além da derrota para o Palmeiras e assustadora campanha no Paulista, na antepenúltima colocação

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O Palmeiras poderia ter goleado o São Paulo. O placar de 3 a 1 ontem, em Barueri, foi muito modesto Fabio Menotti/Palmeiras

O presidente Julio Casares renunciou.

O coordenador Muricy Ramalho pediu demissão.


O diretor Rui Costa tenta sobreviver.

Os grandes defensores de Crespo foram embora do São Paulo. Costa não força.


O argentino está seriamente ameaçado de demissão.

Não bastasse a campanha fraquíssima no Paulista, com três derrotas, um empate e apenas uma vitória, o colocando ao lado do Noroeste, com quatro pontos, na zona do rebaixamento...


A derrota vexatória de ontem, contra o rival Palmeiras, por 3 a 1, escapando por sorte de uma goleada...

A entrevista de Crespo após a partida irritou muito o novo presidente Harry Massis. Conselheiros nesta manhã cinzenta de domingo trocavam mensagens mostrando a ira do dirigente.


Não gostou nada do que ouviu. Principalmente sobre o medo do rebaixamento do Brasileiro, que irá começar nesta quarta-feira. Terá uma conversa séria com o técnico. Seu cargo corre perigo.

“Vamos fazer um pouco de contas? Temporada: quantas competições têm? Normalmente quatro. Nos últimos dez anos, quantas competições? Quarenta.

“De 40 competições nos últimos dez anos, o Sâo Paulo ganhou duas.

Luciano, revoltado, reclama de sua defesa. Enquanto o Palmeiras festeja mais um gol Fabio Menotti/Palmeiras

“Dois, de quarenta, um Paulista e a Copa do Brasil. Ganhar nestes dez anos é uma regra ou exceção? Infelizmente uma exceção? Neste momento, é ainda pior. (O São Paulo vai precisar de ) 45 pontos...”

Sim, ele foi direto. O São Paulo terá de lutar para conseguir os pontos mínimos para não ser rebaixado no Brasileiro. Objetivo minúsculo para um clube tricampeão mundial.

Foi além. Muito além.

“Tem que ficar claro o que está acontecendo... Não pode pensar que o que está acontecendo fora não tem impacto dentro do time.

“Estamos falando de pessoas que há meses não ganham salário, trocou presidente, não tem CEO.

“Não tocaram no grupo, nos jogadores. Eles estão fazendo o melhor possível. Grupo bom, boas pessoas, que estão fazendo o máximo, que tranquilamente poderiam falar que, ‘já que você não está me pagando há meses, vou embora’.

“O grupo está fechado e sabe que o São Paulo está passando pelo pior momento da sua história.”

A análise fria e cruel de Crespo incomodou Harry por ser pública. E depois de uma derrota pesada, diante de um grande rival.

Vivido, o argentino sabia que estava se arriscando.

“Acho que avaliações têm que ser objetivas e justa. Estamos nas melhores condições de pretender ganhar coisas e muitos jogos? O clube está nas condições de querer isso?

“Foram dadas essas condições para fazer o melhor trabalho ou o momento é difícil? Então... Calma.

“Se o São Paulo acredita que eu não sou a pessoa que posso ajudar, faz parte da vida. Não estou falando que não sou culpado. Mas é difícil. É difícil demais. É realmente difícil demais.”

Crespo só voltou ao São Paulo porque Casares gostou da sua primeira passagem, por ser um profissional de muito diálogo, ao contrato do demitido Zubeldía.

E pelo clube dever R$ 17 milhão a Crespo.

Ele tinha ótimo relacionamento com Casares e sabe muito bem que o clube deve R$ 1,2 bilhão. Não há dinheiro para contratações importantes. Harry quer que o ‘máximo’ de garotos da base seja utilizada ‘daqui para a frente’. O treinador já deixou claro que é muito perigoso passar tanta responsabilidade para vários meninos juntos.

Crespo foi sincero. Escancarou os gravíssimos problemas do São Paulo. Declarações incomodaram a cúpula do clube Divulgação/São Paulo FC

Para o clube e a sequência da carreira dos jovens jogadores. Ele podem acabar ‘queimados’.

Mas o novo presidente não vê outro caminho, sem poder contratar atletas importantes.

Para piorar ainda mais o ambiente, Crespo reconhece que a próxima sequência de jogos pode aumentar a crise, na qual o São Paulo já está mergulhado.

“O calendário com Palmeiras, Flamengo, Santos e Santos, não ajuda no momento que está o clube.”

O São Paulo fará sua estreia no Brasileiro nesta quarta-feira, contra o Flamengo, no Morumbi. No sábado, o Santos, também no Morumbi, pelo Paulista. Na quarta-feira, dia 31, o Santos, novamente, pelo Brasileiro.

Estes três jogos seguidos são difíceis.

E podem decidir o futuro de Crespo.

Isso se ele não sair antes.

Sua sinceridade incomodou demais a nova direção do São Paulo.

E seus escudos, Casares e Muricy, estão longe do Morumbi...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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