Cosme Rímoli Mano não pedirá demissão do Corinthians. A multa de R$ 20 milhões pesa. Torcida mostrou ira contra o técnico, depois do fim do tabu

Mano não pedirá demissão do Corinthians. A multa de R$ 20 milhões pesa. Torcida mostrou ira contra o técnico, depois do fim do tabu

Após a derrota para o São Paulo, por 2 a 1, ontem à noite, em plena Itaquera, colocando fim a um tabu de dez anos, torcida focou sua ira contra Mano Menezes. Diretoria analisa o fraco trabalho do treinador

  • Cosme Rímoli | Do R7

Depois da frustrante derrota, que acabou com o tabu contra o São Paulo. Torcida mostrou sua ira contra Mano

Depois da frustrante derrota, que acabou com o tabu contra o São Paulo. Torcida mostrou sua ira contra Mano

Rodrigo Coca/Agência Corinthians - 03.10.2023

São Paulo, Brasi

Vaias, palavrões, ameaças nas arquibancadas.

Contra o técnico do Corinthians, após a deprimente derrota contra o São Paulo, por 2 a 1, que colocou fim ao tabu de dez anos, 18 jogos.

Foi a primeira vez que o rival venceu na arena corintiana.

Mas mesmo com a própria torcida exigindo, Mano Menezes não pedirá demissão.

Pouco importa que sua terceira passagem pelo Parque São Jorge é péssima.

São 18 jogos.

Seis vitórias, cinco empates e sete derrotas. Com o treinador, o time marcou 20 gols. Mas sofreu 23.

O técnico vive a pior fase de sua carreira. 

Não ganha um título desde 2019. Acumula demissões do Cruzeiro, Palmeiras, Bahia, Internacional. Sempre sendo mandado embora. 

Receber multa rescisória virou uma constante para o técnico.

Os R$ 20 milhões de multa de Mano, que tem contrato até dezembro de 2025, viraram impecilho para o presidente Augusto Melo.

Irritado com mais esta derrota, a terceira seguida, em quatro partidas do clube em 2024, Melo preferiu não dar entrevistas após o jogo.

Calleri e o primeiro gol do São Paulo. O tabu começava a cair. Jamais o São Paulo havia vencido em Itaquera
Calleri e o primeiro gol do São Paulo. O tabu começava a cair. Jamais o São Paulo havia vencido em Itaquera Guilherme Veiga/Ag. Paulistao - 30.01.2024

No vestiário do São Paulo, o presidente Julio Casares fazia festa junto com o elenco, comemorando o fim do tabu. E uma vitória importantíssima para dar confiança.

O time decidirá a Supercopa do Brasil contra o Palmeiras, em Belo Horizonte, no domingo.

Mano, que ironizou Raniele, humilhou Yuri Alberto, tratou de, sutilmente, colocar a culpa na derrota em Caetano, que foi expulso, corretamente, por dar um soco em Luciano, aos 42 minutos da partida de ontem.

"O jogo foi jogado em dois tempos distintos. Na primeira parte, jogamos até 42 minutos com 11 x 11. Embora a gente não tenha criado muito na última parte, não sofremos nunca. Tomamos o gol numa jogada isolada, foi a primeira jogada que a equipe sofreu.

"Era um jogo grande. Os jogos grandes são jogos de poucas oportunidades. Com essa construção que estamos fazendo, ainda estamos pecando como equipe naquilo que temos que apresentar.(...) Não podemos cometer esses pequenos erros que têm nos atrapalhado em termos de jogo. Ficar com um a menos é difícil nessa hora."

Mais de 43 mil corintianos assistiram à festa do São Paulo. Torcida despejou sua ira contra Mano Menezes

Mais de 43 mil corintianos assistiram à festa do São Paulo. Torcida despejou sua ira contra Mano Menezes

Rubens Chiri/São Paulo

Mano segue piorando o ambiente no Corinthians. Ao atacar e expor atletas, ele só ganha a antipatia de todo o grupo. O treinador não assumiu a sua culpa na derrota no clássico, repetindo o que fez diante do Ituano e do São Bernardo, quando teve um atleta a mais por cerca de 89 minutos da partida.

Experiente, ele sabe que a pressão para sua saída é real.

E Mano, com enorme instinto de sobrevivência, colocou a culpa também na diretoria, pela atual situação do elenco. Pela reformulação desequilibrada.

"A matemática não mente, saíram 12 jogadores e entraram três no grupo. Estamos passando por um processo que esperávamos todos que tivesse sido acelerado mais. Mas eu tenho acompanhado o trabalho de todos, agora temos um novo diretor, o Fabinho. Se trabalha 24 horas por dia para resolver essas questões.

"Estamos no caminho de alguns acréscimos, mas eu sei como é o futebol, sei que os resultados todos querem para agora. A gente é que tem que ter a cabeça no lugar."

Ao tentar valorizar o executivo Fabinho Soldado, Mano desvaloriza Augusto Melo e Rubens Gomes, que estavam à frente do futebol. 

O trabalho de Mano Menezes, que recebe R$ 800 mil mensais, é decepcionante.

Augusto Melo, que já confirmou que ele nunca foi sua prioridade como treinador, quando era candidato, tem apenas suportado o técnico.

O diretor de futebol, Rubens Gomes, também não se entusiasma com o treinador gaúcho.

A multa de R$ 20 milhões, que Mano Menezes não abre mão, é um grande obstáculo criado pela antiga diretoria, pelo ex-presidente Duilio Monteiro Alves.

Para acabar a noite de infelizes explicações, o treinador tratou de repassar a terceira derrota seguida para a imaturidade do elenco.

Como se não tivesse culpa pela montagem tática, que mostra o Corinthians dando espaço aos adversários, sem compactação para marcar por pressão, as poucas triangulações pelos lados do campo, o excesso de cruzamentos da intermediária, os chuveirinhos, que pegam os zagueiros adversários de frente para a bola e os atacantes corintianos, de costas.

"Derrota é ruim sempre, não tem meio-termo. Como treinador, eu tenho que tirar um pouco essa questão para saber avaliar se em alguns aspectos temos melhora, o que está ocasionando esse tipo de situação.

"Nos jogos anteriores não tínhamos que ter perdido de jeito nenhum, foram situações pontuais, mas isso demonstra ainda uma imaturidade da equipe e não estou falando de idade, mas de construção dela.

"Uma equipe mais madura, trabalhada, não comete erros ingênuos, bobos. Você toma gol porque o adversário tem muitos méritos para fazer. A gente tem tomado gols que têm nos custado o resultado do jogo. Temos que ter paciência nessa hora, mas seguir trabalhando 24 horas."

A diretoria corintiana começa a perder a paciência com Mano.

A torcida já perdeu.

E demonstrou toda sua ira após a derrota para o São Paulo.

Mas o treinador fingiu não ouvir o quanto foi xingado.

Para ele, demissão está fora de cogitação.

Como fez no Cruzeiro, no Palmeiras, no Bahia, no Internacional.

Por pior que esteja seu trabalho, ele não pede para sair.

Não, sem levar o dinheiro da multa...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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