Cosme Rímoli Mancini terá de provar porque não teme o Palmeiras

Mancini terá de provar porque não teme o Palmeiras

O Corinthians tem pela frente seu maior rival amanhã. Que poderia estar eliminado, se o time perdesse para o Novorizontino. Este jogo terá consequências

  • Cosme Rímoli | Do R7

O clássico de amanhã terá reflexos importantes na vida do Corinthians

O clássico de amanhã terá reflexos importantes na vida do Corinthians

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

São Paulo, Brasil

"Eu aprendi no futebol que a gente vive de vitórias, o esporte é assim. Não podemos ir contra o que dignifica o clube, a camisa é vitoriosa, de conquistas.

"Não pode temer nenhum adversário. Por mais respeito que a gente tenha por outras camisas, somos do tamanho de todas elas."

Estas foram as palavras de Vagner Mancini no domingo passado.

Ele falava especificamente sobre o seu time haver vencido o Novorizontino e ter sido fundamental para a sobrevivência do Palmeiras no Paulista. Bastaria uma derrota e o grande rival estaria eliminado.

E não seria o adversário de amanhã, às 16 horas, em Itaquera. No jogo único, valendo a classificação para a final do Paulista.

Mancini está em uma péssima situação. Ao optar guardar dez titulares os confrontos contra a Internacional de Limeira, pelas quartas e para a partida semifinal amanhã, ele expôs o Corinthians a um vexame histórico.

A tomar a maior goleada em torneios internacionais de sua história. Sendo humilhado pelo Peñarol, no Uruguai, na Copa Sul-Americana. Perdeu por 4 a 0 e escapou de tomar mais gols. 

Nos 44 jogos sob seu comando, foram três derrotas vergonhosas. Além da vergonhosa partida de quinta-feira, houve 5 a 1 para o Flamengo, em Itaquera, e outro 4 a 0, para o próprio Palmeiras, na arena da Água Branca.

A leitura é simples para conselheiros e membros das organizadas. Ninguém queria que o Corinthians entregasse o jogo para o Novorizontino. O que interessa é a parte em que Mancini declarou não temer o Palmeiras.

Se ele expôs o clube a não lutar por eventuais R$ 32 milhões, caso vencesse a Copa Sul-Americana, que ele elimina o Palmeiras amanhã, na casa corintiana.

Cássio, João Victor, Jemerson e Raul Gustavo; Fagner, Gabriel, Ramiro, Luan e Lucas Piton; Otero e Cauê. 

Esse deverá ser o time que Mancini colocará para enfrentar o rival Palmeiras.

A pressão é tão grande que a diretoria autorizou que fosse colocado um vídeo nas redes sociais, de uma chave girando uma fechadura. A mensagem é: hora de 'virar a chavinha', ou seja, esquecer o vexame na Sul-Americana e apoiar o time contra o Palmeiras.

A iniciativa não foi bem-vinda. Acabou rejeitada. Muitos torcedores garantiram que não esqueceriam a vergonha que o clube passou no Uruguai. 

E Mancini está tratando de tentar fazer isso. Está tratando como a partida mais importante de sua carreira. Ele já foi campeão da Copa do Brasil, comandando o Paulista de Jundiaí, em 2005. A trajetória não decolou como se esperava.

No dia 18 de janeiro, o Palmeiras não teve piedade. Goleou o time de Mancini. 4 a 0

No dia 18 de janeiro, o Palmeiras não teve piedade. Goleou o time de Mancini. 4 a 0

Cesar Greco/Palmeiras

Ele largou o Atlético Goianiense em outubro do ano passado, na reta final do Brasileiro, para assumir o 'maior desafio de sua carreira'.

Vivido, como jogador, dirigente e treinador, ele sabe da enorme responsabilidade, da pressão para vencer amanhã o grande rival. Que só chegou à semifinal do Paulista pela postura séria dos seus jogadores.

Há um grande descontentamento atual sobre seu trabalho. Embora o presidente Duílio Monteiro Alves lembre bem que ele foi contratado para evitar o rebaixamento no Brasileiro, a situção é completamente diferente.

Uma eventual eliminação para o Palmeiras, amanhã, pode custar o emprego de Mancini. Ele sabe muito bem do contexto. Não é alienado. Sabe muito bem onde aceitou trabalhar.

A postura das principais organizadas, alinhadas com a diretoria é, no primeiro momento, antes da partida, apoiar. Dar força moral para o time eliminar o eterno rival.

Depois, em caso de novo fracasso, cobrar. 

Centralizar na figura de Vagner Mancini.

O homem das escolhas no futebol.

Por isso, de todos os envolvidos, é para o treinador corintiano que esta semifinal vale mais.

O destino foi muito irônico.

Envolve o maior clássico de São Paulo.

Contra o clube que foi resgatado da eliminação, por seus ideais.

E que não teme.

A princípio, o presidente Duílio promete apoio, independente do resultado amanhã.

Mas muitas vezes o Corinthians já mostrou sua maior característica.

Ser incontrolável...

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