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Magoado, Ceni não quer mais voltar a ser técnico do São Paulo. Segunda demissão, como maior ídolo da história do clube, doeu muito

O treinador não teve o apoio que o presidente Casares havia prometido até o fim de 2023. E o dirigente acredita que Ceni expôs a diretoria para a imprensa. A mágoa é mútua

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Casares e Ceni. Mágoa mútua. E certeza do treinador de não querer nunca mais ser despedido do clube do qual é ídolo
Casares e Ceni. Mágoa mútua. E certeza do treinador de não querer nunca mais ser despedido do clube do qual é ídolo Casares e Ceni. Mágoa mútua. E certeza do treinador de não querer nunca mais ser despedido do clube do qual é ídolo

São Paulo, Brasil

A sensação de falta de apoio é dupla.

Rogério Ceni e Julio Casares não dividirão uma mesa para jantar por um bom tempo.

Talvez nunca mais.

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Os dois estão cobertos de ressentimento depois do retorno por 19 meses do maior ídolo da história do São Paulo ao Morumbi.

O motivo que ambos alegam é a falta de apoio.

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Casares não vai comprar a briga publicamente. Mas, sem exceção, todas as pessoas ligadas a ele no clube sabem que o dirigente esperava muito mais solidariedade de Ceni com o endividamento brutal do São Paulo.

São mais de R$ 750 milhões que travam o clube. Impedindo-o de contratar jogadores importantes, fazer todas as melhorias que ele pediu na infraestrutura, inclusive a colocação de gramado sintético em um dos campos de treinamento ou até mesmo no Morumbi.

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Grande parte das dívidas é de diretorias anteriores. Os juros são exorbitantes. Casares tem tentado tudo. Até vender os naming rights do estádio. A maior dificuldade em relação à SAF (Sociedade Anônima de Fubebol) está no Conselho Deliberativo, que é absolutamente contrário. Para que pessoas que estão há décadas comandando o São Paulo não percam seu poder.

Surgiu a história de um bilionário que poderia assumir o controle da SAF, mas ele percebeu a resistência política e desistiu.

Casares cansou de conversar com Ceni e de explicar as dificuldades.

E que estava fazendo de tudo com as finanças, para que o salário dos atletas não atrasasse.

Por isso, o presidente sentiu-se injustiçado com as tantas cobranças da direção que Ceni fez publicamente.

O dirigente também não acreditou quando Ceni não respeitou a sua autoridade e disse que não escalaria Luan, mesmo com contrato em vigor, porque ele não havia renovado.

Casares também queria criar um fato novo, depois da eliminação do Paulista, em plenas quartas, diante do Água Santa.

E deixar claro que Alexandre Pato seria o reforço do São Paulo, mas Ceni não queria o veterano. Porque sabe que ele não aceita a reserva.

O dirigente apoiou Ceni no desentendimento com Patrick, o melhor do time em 2022. E negociou o meia com o Atlético Mineiro, como o treinador queria. Mas esperava que Ceni lutasse para manter o clima bom no vestiário com a saída do atleta que o questionou, xingou.

Mas não foi assim.

Maior ídolo da história. Foi vaiado e xingado pela torcida que o idolatrava. Ceni não quer mais isso
Maior ídolo da história. Foi vaiado e xingado pela torcida que o idolatrava. Ceni não quer mais isso Maior ídolo da história. Foi vaiado e xingado pela torcida que o idolatrava. Ceni não quer mais isso

Vieram os maus resultados, e Ceni cada vez mais fechado, irritado todos os dias, incomodado.

E, principalmente, não poupando a gestão de Casares pela falta de reforços.

Depois da derrota para o Botafogo, o presidente, pressionado pelos seus homens de confiança mais próximos, decidiu pela demissão. E ela veio depois da vitória contra o fraquíssimo Puerto Cabello, no Morumbi. Depois de outra péssima partida do São Paulo.

Já Ceni não se conformou com a segunda demissão desmoralizante do São Paulo.

Ele acreditou na promessa de Casares de que seguiriam juntos até o fim de 2023.

Ceni queria sair no fim de 2022.

Mas foi convencido a ficar, com a promessa de um novo elenco.

Ele teria avisado aos dirigentes que os resultados positivos viriam devagar, porque estava formando uma equipe diferente, mais competitiva para a temporada.

Só que os dirigentes, principalmente Casares, se calaram diante dos fracassos do time. E ele precisava desse apoio público.

Enfrentou sozinho coletivas imensas após as derrotas.

Até a mais constrangedora delas, aquela depois da vitória contra o Puerto Cabello, na terça-feira (18).

Ele teve de responder seguidamente sobre sua demissão porque os conselheiros já haviam vazado a informação. Inclusive com a decisão de escolher Dorival Júnior como seu substituto.

Para ele, foi humilhante a demissão. O sentimento de falta de companheirismo por parte de Casares continua enorme.

O treinador resolveu manter silêncio sobre a sua saída.

Como fez na primeira demissão, com o clube sob o comando de Leco.

Ceni tem agora a firme determinação de não voltar ao clube como técnico.

Os desgastes das duas demissões já foram enormes.

Ser o maior ídolo do clube e ser vaiado, xingado por torcedores são-paulinos doeu demais.

Ceni só poderá voltar, um dia, como dirigente.

E justificar o seu apelido quando jogava: 'Presidente'...

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