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Cosme Rímoli - Blogs
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Como a tensa relação entre Leila Pereira e a Mancha Verde atrapalha o Palmeiras. Mesmo com os títulos, não há paz

A proximidade e, depois, o rompimento entre a presidente e a principal organizada do Palmeiras tumultuam o clube. O clima tenso sabota o próximo clube. Favorece os adversários

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Leila Pereira e Paulo Serdan. Como a aproximação e o rompimento afetam o Palmeiras
Leila Pereira e Paulo Serdan. Como a aproximação e o rompimento afetam o Palmeiras Leila Pereira e Paulo Serdan. Como a aproximação e o rompimento afetam o Palmeiras

São Paulo, Brasil

“Eu sempre tive uma proximidade com o Serdan, ele sabe disso. Eu era patrocinadora da escola de samba, a Mancha Verde também já sabe que eu sempre ajudei as caravanas. Todos os jogos fora de casa, vários ônibus iam com a minha colaboração para que o torcedor fosse presente.

"Em todas as festas de campanha, sempre convidei membros da organizada. Eu sempre quis deixar claro que nunca tive preconceito com nada, sabe? Todo torcedor tem que ser respeitado. Eu sempre tratei com o mais profundo respeito.

"E aí? Aconteceram esses problemas depois que fui eleita presidente. Eles quiseram determinar como eu deveria conduzir, e isso eu não admito.

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"Eu fui eleita pelo associado para ser a presidente. Quem quiser tomar as decisões que se candidate e possa ter a caneta para decidir. Eu vou decidir da melhor forma para o Palmeiras.

“Quando começou a pressão, eu chamei ele aqui nesta sala da Crefisa, conversei com o Serdan, com o Jorge [presidente da Mancha], e pedi por favor para eles pararem, que tinha começado meu mandato ali. E aí começaram os textos nas redes sociais, achei desrespeitoso. Eles sabem que eu sempre os tratei com muito respeito.

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"Nunca na história do Palmeiras estiveram tão representados como na minha posse. Estavam lá o Paulo Serdan, o Reginaldo Pereira, uns quatro, cinco da organizada na minha posse porque eu convidei. Eu sempre os tratei com respeito, e a recíproca não foi verdadeira. Por quê? Não sei. Mas aí cancelei o patrocínio da Escola, cancelei a ajuda para caravanas. Aí eles lançaram essa conversa que a organizada não é vendida.

"Eu nunca comprei ninguém. Que é isso?

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"Tem tanta coisa boa para a gente comprar.

"Minha relação nunca foi essa.

"Sempre quis aproximar o torcedor organizado do clube, mas hoje eu vejo, como presidente, que eu estava errada. Sempre me perguntava o motivo de outros presidentes estarem distantes da organizada, e hoje eu entendo."

Serdan e Leila Pereira comemoram o título inédito da Mancha Verde de campeã do Carnaval de São Paulo
Serdan e Leila Pereira comemoram o título inédito da Mancha Verde de campeã do Carnaval de São Paulo Serdan e Leila Pereira comemoram o título inédito da Mancha Verde de campeã do Carnaval de São Paulo

Essas declarações de Leila Pereira, dadas em fevereiro, foram definitivas na relação próxima que ela mesma assumiu ter tido com as organizadas do Palmeiras, principalmente a Mancha Verde, comandada há décadas por Paulo Serdan, apesar da troca de presidentes.

Este sábado, 22 de julho de 2023, começou com forte protesto da organizada contra a dirigente.

Faixas e mais faixas contra ela e sua administração.

Com a adesão de milhares de pessoas.

Como o movimento foi combinado e divulgado amplamente pela internet, o policiamento trabalhou rápido. Protegeu a sede do clube, o centro de treinamento, as lojas principais da Crefisa e da Faculdade das Américas, que pertencem a Leila.

De forma discreta, até a residência da presidente foi vigiada.

Infelizmente, organizadas de grandes clubes de São Paulo, ao longo da história, já foram até a frente da casa de presidentes para pressionar por contratações e até forçar demissões.

Como aconteceu, por exemplo, com o falecido presidente corintiano Alberto Dualib, em 2007.

Há dois lados da questão que envolve o Palmeiras.

Desde que se lançou candidata a conselheira, Leila teve o apoio da Mancha, de Serdan
Desde que se lançou candidata a conselheira, Leila teve o apoio da Mancha, de Serdan Desde que se lançou candidata a conselheira, Leila teve o apoio da Mancha, de Serdan

O primeiro é das organizadas.

Elas esperavam ter maior participação na administração do clube, de acordo com dirigentes ligados a Leila. As revelações são em off, para evitar confronto direto com os torcedores.

Só que a presidente, que realmente aceitou o apoio das organizadas, desde que começou sua vida política no Palmeiras, não se sujeitou a dividir suas decisões.

De acordo com as organizadas, o rompimento aconteceu porque Leila teria se afastado dos dirigentes das torcidas assim que se viu presidente do clube.

E o ponto fraco que os torcedores atacam constantemente é a falta de reforços que garantiriam a hegemonia na América do Sul.

Com os questionamentos públicos, veio o corte de apoio financeiro de Leila às organizadas, à Escola de Samba Mancha Verde.

As críticas aumentaram, e a postura da presidente quanto às organizadas ficou mais rígida. 

Leila doou R$ 3,4 milhões ao Carnaval em 2019. A escola deu o nome dela e o do marido à quadra de samba
Leila doou R$ 3,4 milhões ao Carnaval em 2019. A escola deu o nome dela e o do marido à quadra de samba Leila doou R$ 3,4 milhões ao Carnaval em 2019. A escola deu o nome dela e o do marido à quadra de samba

Leila promete não recuar, como havia garantido na entrevista mais explícita que deu, ao UOL.

Paulo Serdan já disse ao blog que continuará cobrando o que a dirigente prometeu a ele e que a questão nunca foi financeira. E sim as promessas de participação, de ouvir os torcedores, na gestão.

O Palmeiras já foi eliminado da Copa do Brasil.

Está apenas em sexto no Brasileiro, 14 pontos distante do líder, Botafogo.

Disputará dois jogos de "vida ou morte" nas oitavas da Libertadores, contra o Atlético Mineiro.

Abel Ferreira deixa claro que precisa de reforços.

Desde o ano passado, quando sabia que perderia Danilo e Gustavo Scarpa.

Não chegaram atletas à altura.

Pelo contrário. Bruno Tabata, por exemplo, veio para o lugar de Scarpa. E já está emprestado para o Catar.

Leila insiste que só contratará se for bom negócio para o Palmeiras.

Os torcedores usam essa desculpa para atacá-la.

Mesmo com o clube conquistando dois títulos neste ano: a Supercopa do Brasil e o Paulista.

É uma situação pesada.

E que afeta o ambiente, cria pressão desnecessária para o clube.

"Torcedor torce, dirigente comanda o clube", repete Leila.

A proximidade antes de ela se tornar presidente criou o impasse.

Não há vencedor nesta rusga.

Quem perde é o Palmeiras.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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