Cosme Rímoli Imprensa argentina faz escândalo. Boca passa a noite na delegacia

Imprensa argentina faz escândalo. Boca passa a noite na delegacia

Jornalistas argentinos protestaram tanto que a Conmebol divulgou imagens e áudio do VAR, sobre o impedimento que anulou gol do Boca contra o Atlético. Time argentino passou a noite, em claro, em uma delegacia de BH

  • Cosme Rímoli | Do R7

Conmebol divulga imagens que comprova o milimétrico impedimento de Gonzáles

Conmebol divulga imagens que comprova o milimétrico impedimento de Gonzáles

Conmebol

São Paulo, Brasil

A Associação de Futebol da Argentina sempre foi muito forte na Confederação Sul-Americana de Futebol. O Boca Juniors é o clube com maior representatividade na AFA. E o mais popular na Argentina. O que dá maior audiência nos portais e nas tevê, o que mais vende jornais, o mais falado nas rádios.

A eliminação precoce do Boca Juniors na Libertadores, nas oitavas-de-final, é um desastre para os veículos de comunicação portenhos. 

E ainda mais com a série desconfiança que foi por erros de arbitragem. Nas duas partidas contra o Atlético, o VAR foi fundamental para anular dois lances muito complicados para serem analisados até por computador.

Daí as cenas lamentáveis no Mineirão, com a delegação entrando em confronto com funcionários do estádio, tentando invadir o vestiário do Atlético Mineiro. Destruindo os objetos que encontravam pela frente. Até serem contidos pela Polícia Militar, que disparou bombas de gás lacrimogêneo.

E em seguida, os dirigentes do clube se negaram a entregar o zagueiro peruano Zambrano e o atacante colombiano Villa, que foram identificados pelos policiais, quebrando objetos nos corredores do estádio e no vestiário do Boca.

Jogadores do Boca Juniors revoltados. Tentaram invadir o vestiário do Atlético Mineiro

Jogadores do Boca Juniors revoltados. Tentaram invadir o vestiário do Atlético Mineiro

Reprodução/Twitter

A PM iria levar os dois para depoimento em uma delegacia. Os dirigentes do Boca decidiram que iria toda a delegação para falar com as autoridades. E passaram a madrugada toda em uma delegacia de Belo Horizonte.

Enquanto isso, revolta em Buenos Aires.

O consulado argentino no Brasil tratou de entrar em ação para ajudar o Boca.

E divulgou a seguinte nota.

"Assim que começaram os incidentes que aconteceram no estádio do Atlético Mineiro logo depois da partida com o Boca Juniors, o embaixador Daniel Scioli solicitou ao cônsul argentino em Belo Horizonte, Santiago Muñoz, que se colocasse à disposição da delegação do Boca para colaborar com assistência legal e consular.

"O cônsul Muñoz chegou ao estádio pouco depois que terminou a partida, enquanto a embaixada estava em contato com dirigente do Boca Juniors.

"Foi realizada a assistência e acompanhamento consular à delegação do clube, após a partida, em uma Delegacia de polícia.

"Se espera que todos os integrantes da equipe retornem ao país nas primeiras horas da tarde."

A situação já é lastimável. 

A  direção da Conmebol não quer problema com a AFA e com o Boca Juniors.

Tratou de divulgar não só as imagens do VAR, que confirmam o impedimento no gol anulado ontem. Por centímetros, González está avançado. Ele iria atrapalhar o goleiro Everson, antes de Weigandt.

Também tornou público o áudio. A conversa entre o árbitro uruguaio Esteban Ostojich e os árbitros de vídeo chilenos.

Julio Bascuñan:  Volte desde o início da jogada. Volte atrás ao ponto de contato, quero ver se este jogador está impedido.

Raul Orellana (AVAR): Quer fazer as linhas (para ver se há impedimento)?

Julio Bascuñan: Quero.

Raul Orellana: Esteban, estamos checando um possível impedimento.

Esteban Ostojich para os jogadores: Estamos checando um possível impedimento.

Orientações do VAR ao operador da tecnologia.

Julio Bascuñan: Nos dê um tempo, Esteban. É uma jogada fina de impedimento.

Árbitro segue conversando com os jogadores.

Julio Bascuñan: Sim, confirma. Quero o joelho azul (jogador do Boca em impedimento).

Julio Bascuñan: Ai está, confirmo. OK, para mim está impedido por esta imagem. Agora deixa seguir. Dê-me a tomada aberta.

Julio Bascuñan: Ok, quero deixar seguir a imagem de forma lenta.

Julio Bascuñan: Interfere no goleiro (o jogador impedido). Dê-me o número. É por interferência. Eu vou chamá-lo (Esteban Ostojich).

Julio Bascuñan: Deixa seguir, eu quero ver quando interfere no goleiro. Aberta (imagem), quando interfere no goleiro. Pare aí, disputa a bola (o jogador impedido).

Julio Bascuñan: Esteban, te recomendo o impedimento por interferência do jogador no goleiro. Te recomendo ver a jogada. Ok, para mim, está impedido.

Esteban Ostojich: Ok, perfeito.

Julio Bascuñan: Estou te mostrando o ponto de contato (do jogador do Boca que bate a falta com a bola). O jogador 23 tem o joelho e está na linha marcada. Você vê? (pergunta ao árbitro).

Julio Bascuñan: Agora deixa correr e veja a interferência no goleiro (do jogador impedido). Disputa a bola com o goleiro.

Esteban Ostojich: Interfere no goleiro (o jogador impedido). Vai buscar a bola e interfere no goleiro, que não faz o gesto que deveria fazer por causa da disputa de bola. Na linha, o número 23 está fora de jogo. Perfeito, houve interferência. Vou remarcar (o lance) como impedimento.

De acordo com o jornal Olé, a Polícia Militar de Minas Gerais quis o depoimento de oito jogadores. E para liberá-los cobrou uma fiança de 15 mil e quinhentos dólares, cerca de R$ 81 mil, que a direção do Boca já teria pago.

A delegação deve voltar a Buenos Aires no início da tarde.

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