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Impeachment de Casares. Denúncias foram fortes demais. Ele foi afastado. E não voltará a ser presidente do São Paulo

Derrota na votação dos conselheiros foi impactante, 188 contra 45, e cartola foi afastado da presidência. Em, no máximo, 30 dias, sócios deverão sacramentar o impeachment. Casares deve renunciar antes desta nova votação para evitar mais constrangimento e desgaste do seu grupo político

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Julio Casares foi afastado da presidência do São Paulo após votação no Conselho Deliberativo, com 188 votos a favor do afastamento.
  • Denúncias da Polícia Civil envolvendo saques e depósitos suspeitos atingindo milhões de reais foram determinantes para sua destituição.
  • Harry Massis Júnior assumiu como novo presidente e se comprometeu a tratar as investigações com seriedade.
  • A dívida do clube, que saltou de R$ 635 milhões em 2021 para R$ 986 milhões em 2024, reflete a gestão de Casares e os desafios que o novo presidente enfrentará.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Casares acompanhou, isolado, a votação. Grupo político que o elegeu o abandonou. Ele não voltará à presidência do São Paulo Pedro França/Agência Senado

Noite histórica.

E lastimável na história do São Paulo.


O Conselho Deliberativo decidiu pelo afastamento de Julio Casares da presidência do clube.

A votação foi simbólica.


Representou o quanto o queriam longe do cargo.

188 votos pelo afastamento.


45 contra e dois em branco.

Mais do que os três quartos necessários para tirar de Casares a presidência.


O vice Harry Massis Júnior assumiu imediatamente.

A votação mostrou a força das denúncias da Polícia Civil.

Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) denunciam 35 saques, em dinheiro vivo, entre 2021 e 2025, que chegam a R$ 11 milhões.

De acordo com a polícia, esse dinheiro era retirado da conta do São Paulo e levado para a tesouraria do clube.

E também inúmeros depósitos, que somam R$ 1 milhão, na conta conjunta de Casares e de sua ex-esposa Mara.

Entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

Há, inclusive, um dia que houve 12 depósitos abaixo de R$ 50 mil, quantia que aciona comunicações automáticas ao Coaf.

As denúncias contra Casares levaram, na noite de ontem, à reunião híbrida (de conselheiros presentes e outros que votaram de forma digital) que acabou decidindo pelo seu afastamento da presidência.

E, em um mês, os sócios do clube votarão se o impeachment é permanente.

A tendência, mais que evidente, mostra que Casares não voltará mais à presidência.

Seus aliados mais próximos já o pressionavam, assim que acabou a votação de ontem, para que renunciasse.

E evitasse mais desgaste do grupo político que o levou ao poder.

Não há como reverter a rejeição a Casares.

E ele sabe disso.

Tanto que deve renunciar para não sofrer nova derrota e maior exposição pública do que já sofreu.

Harry Massis é o novo presidente do São Paulo. Assume no lugar de Casares Divulgação/São Paulo FC

Casares foi embora do Salão Nobre do Morumbi, onde aconteceu a reunião, sem dar entrevistas. Visivelmente abatido. Constrangido.

Sabia que seus dias de poder no São Paulo acabaram.

O novo presidente, Harry, deu sua primeira entrevista no cargo.

“Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e principalmente à torcida, que é o maior patrimônio que nós temos”, iniciou.

“Todos sabem que vivemos um momento difícil. Existem investigações em andamento, e elas precisam ser tratadas com seriedade, calma, respeito às instituições e ao direito de defesa de cada pessoa envolvida”, discursou Harry, novo presidente.

Ele é milionário, empresário, dono de hotéis e de uma rede de estacionamento. E também ligado, óbvio, ao grupo que elegeu Casares.

“O que posso dizer com clareza é que o clube vai continuar competindo e honrando sua camisa e sua história”, garantiu.

“A presidência que começa hoje tem um compromisso simples e firme: cuidar do clube, proteger a instituição e agir com responsabilidade e transparência. Não é hora de julgamento precipitados nem de discurso vazio”, afirmou.

“Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido assim”, resumiu o novo presidente.

Sua primeira atitude, depois de rápidas entrevistas, foi conversar com os torcedores organizados que esperavam o resultado da votação.

Conselheiros ligados a Harry garantem que não haverá mudança radical no futebol. Não pelo menos a curto prazo.

Hernán Crespo continuará como treinador.

O coordenador Muricy Ramalho pode deixar o cargo. Mas por vontade própria, em solidariedade a Casares.

Um novo diretor de futebol será nomeado.

E ele decidirá, com Harry, se as negociações iniciadas com Casares continuarão ou não.

A dívida do São Paulo cresceu de forma assustadora, desde que Casares assumiu, em 2021. Saltou de R$ 635 milhões, em 2021 para R$ 986 milhões, em 2024. E a projeção é que já tenha atingido R$ 1,1 bilhão neste início de 2026.

Vale relembrar sua principal declaração sobre as dívidas, ao ser eleito, em dezembro de 2020.

“Vamos formar um comitê financeiro que estudará a anatomia da dívida e os planos de ação. Isso passa por austeridade financeira. Nós temos que ter um trabalho muito ágil para readequar as dívidas no curtíssimo prazo, no médio prazo e no longo prazo. São ações conjuntas que contemplarão medidas rápidas”, afirmou na ocasião.

“É um mandato de três anos, temos imensos desafios para atacar, mas se organizar isso, como nós organizaremos, conseguiremos um oxigênio financeiro para o custeio do dia a dia, que vai manter a máquina funcionando e a recuperação dos nossos ativos”, prometeu.

“Não podemos pensar que um título valha qualquer custo, mas vamos buscar, sobretudo com equilíbrio”.

Não foi o que aconteceu. Não houve comitê financeiro efetivo, a dívida quase que dobrou. Se tornou bilionária.

Casares conseguiu apoio e mudou o estatuto do clube. E pôde ser reeleito para ficar seis anos no poder. Conseguiu ficar cinco até ser afastado pelo Conselho Deliberativo ontem à noite.

Para ganhar o Paulista de 2021 e a Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa do Brasil, em 2024, o clube se tornou um devedor bilionário.

Casares com a taça da Supercopa do Brasil no seu escritório, no Morumbi Divulgação/São Paulo

Nos últimos anos, os fracassos dentro do campo e o aumento das dívidas viraram rotina.

Até que surgiram as denúncias contra Casares.

Ao redor do Morumbi, torcidas organizadas comemoraram o impeachment do presidente. Faixas extremamente ofensivas a Casares e à sua ex-mulher, que era diretora do clube, foram colocadas na entrada do estádio.

Foi uma noite histórica na vida do gigante São Paulo Futebol Clube.

E lastimável.

Conselheiros se uniram para tirar um presidente do seu cargo.

Não puderam desprezar denúncias policiais...

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