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Impaciente, Alex não quis ser o ‘novo Muricy’. Vieram três demissões em três clubes. Ele precisa entender. Dirigentes avisam: não comanda ’11 Alex’

Ídolo no Palmeiras, Cruzeiro, Fenerbahçe e Coritiba tem nova demissão. Desta vez, do Operário de Ponta Grossa. Muricy já havia dito no São Paulo: ele precisava de mais experiência na base. Agora, terá de se reinventar para sobreviver

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Alex foi mandado embora do Operário. Time está na lanterna do Paranaense e pode ser rebaixado Divulgação/Operário

Muricy pediu.

Insistiu.


Falou para ter paciência.

Mais uma temporada, um ano na base.


Ele via muito futuro, adorava as ideias, os conceitos de futebol vibrante, ofensivo, ousado.

Mas era preciso desenvolver o relacionamento humano, as adaptações, quando os jogadores não têm talento suficiente para colocar em prática o planejamento.


Saber lidar com expectativas, frustrações, derrotas.

Ainda mais sendo o genial jogador que foi.


Mas Alex tinha pressa.

Para ele, dois anos no sub-20 do São Paulo era tempo demais.

Mesmo sabendo dos planos do então presidente Julio Casares de transformá-lo em treinador do time principal. O desejo era 2024, já que Casares, desde o primeiro dia queria mudar o estatuto do São Paulo e ficar dois mandatos, seis anos no poder.

Alex fez do São Paulo sub-20 vice do Brasil. E semifinalista da Copa São Paulo.

Estava indo muito bem, tinha respaldo, material humano. Revelou Pablo Maia, Beraldo...

Mas decidiu sair.

E foi para o Avaí.

Cercado de expectativas, o time catarinense não rendeu sob seu comando. As entrevistas incríveis, explicações importantes, conceituais.

Mas os atletas não conseguiam fazer o que ele determinava em campo.

Foram apenas 18 partidas. Oito derrotas, quatro empates e seis vitórias. Veio a primeira demissão.

Alex apresentado no Avaí. Muita esperança. Pouco resultado Divulgação/Avaí

Alex em entrevista exclusiva ao meu canal no youtube revelou o quanto é difícil para novos treinadores brasileiros trabalharem em clubes grandes.

E lá foi ele para a Turquia, onde é ídolo, de torcedores beijarem seus pés.

Assim, assumiu o pequeno Antalyaspor, em 2024. Outra vez, mais derrotas do que vitórias. Nove, quatro empates e só seis vitórias. Outra demissão, com direito a goleada por 5 a 0 para o Trabzonspor.

Alex voltou para o Brasil e, em junho, cinco meses depois, assumiu o Operário de Ponta Grossa, que havia conquistado o Campeonato Paranaense.

Torcida e imprensa locais sonhavam com o acesso à Série A do Brasileiro. O Operário acabou decepcionando, terminando em 12º na tabela.

Para este ano, Alex teve a chance de montar o ‘seu’ time, de acordo com jornalistas de Ponta Grossa.

Alex foi treinar o Antalyaspor, na Turquia. Desempenho do time foi fraco e veio mais uma demissão Divulgação/Antalyaspor

O clube investiu. Contratou lateral-direito Mikael Doka, o lateral-esquerdo Moraes Jr, os zagueiros José Cuenú e Jhan Pool, o volante Matheus Trindade e os atacantes Hildeberto Pereira, Aylon Tavella e Edwin Torres.

“Vamos manter um time competitivo, aguerrido, que seja forte jogando em Ponta Grossa, um time que consiga boas coisas jogando fora. Sendo equilibrado sempre buscando as primeiras posições e o principal objetivo do clube, que é o acesso (no Brasileiro, a Série A.)”, disse, depois de ter os seus desejos atendidos.

Mas a campanha do time montado por Alex é fraquíssima. Neste Paranaense, o time jogou quatro vezes. Perdeu três vezes. Conseguiu só um empate.

Tomou seis gols e só marcou um.

A direção cobrou forte Alex que não gostou. E acabou com mais uma demissão.

O executivo de futebol, Bruno Batata, deu seu resumo para o trabalho de Alex. E foi no mesmo caminho da direção do Avaí, em 2023.

Ótimos conceitos que os jogadores não conseguiam colocar em prática.

‘Eu acompanhava diariamente os trabalhos, tinham bons conteúdos, boas ideias, bons conceitos, mas infelizmente não conseguiram transferir para o produto final, que é o jogo.

“Então, a gente fez essa correção de rota.”

Alex outra vez teve mais derrotas do que vitórias. Oito vitórias, oito empates e 11 derrotas.

Aos 48 anos, ele segue com o apoio maciço da imprensa nacional.

Normalmente, a demissão de um treinador do Operário de Ponta Grossa não teria nem 10% da atenção que teve ontem, por conta do jogador importante que foi.

De acordo com jornalistas paranaenses, que acompanharam o dia-a-dia de Alex, ele terá de rever como aplicar seus conceitos na prática.

O time tem o domínio da bola, ótimo posicionamento, mas sofre com a falta de criatividade, com poder de decisão, competência com a bola nos pés.

Isso não depende do técnico.

A sua inteligência, a visão de jogo, o enorme talento não podem servir de parâmetro.

Ele vive uma situação muito parecida com a de Falcão.

O ex-jogador da inesquecível Seleção de 1982 não conseguia se fazer entender. E acabou tendo uma carreira como treinador decepcionante.

Ricardinho também foi um jogador com excepcional visão de jogo e muito técnico tanto no Corinthians como no São Paulo, Santos. Percebeu que não conseguia arrancar dos jogadores o que pensava e se fixou como comentarista.

Alex é novo, segue muito respeitado por onde vai. Pelo que fez como jogador fabuloso.

Tem tempo para uma reviravolta na carreira.

Mas precisa entender, se quiser sobreviver no mercado, se reinventar.

Ele não comanda 11 Alex.

Talvez Muricy estivesse certo...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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