Cosme Rímoli Hulk e Diego Costa. A singela contribuição do Palmeiras ao bicampeonato brasileiro do Atlético Mineiro

Hulk e Diego Costa. A singela contribuição do Palmeiras ao bicampeonato brasileiro do Atlético Mineiro

Por economia, o Palmeiras abriu mão da dupla de artilheiros midiáticos. Por serem veteranos e caríssimos. Foram para o Atlético Mineiro valorizados. E mostraram sua importância. Erro de avaliação do presidente Galiotte

  • Cosme Rímoli | Do R7

Hulk e Diego Costa queriam ter voltado para o Brasil com outra camisa. Mas foram valorizados no Atlético

Hulk e Diego Costa queriam ter voltado para o Brasil com outra camisa. Mas foram valorizados no Atlético

Pedro Souza/Atlético Mineiro

São Paulo, Brasil

Foram duas consultas rápidas.

A ordem do presidente Mauricio Galiotte.

Ele quis saber no fim de 2020 quanto Hulk queria para jogar no Palmeiras.

Simples, direto. 

Recebeu como resposta R$ 2 milhões mensais. Tentou ponderar que a pandemia havia diminuído significativamente as receitas e que não poderia pagar esse salário. O desejo era chegar a R$ 900 mil. Hulk chegou a R$ 1,5 milhão. 

De nada adiantou a profunda amizade com o coordenador de base, Bruno Pereira, e o jogador. Muito menos o jogador ser palmeirense desde a mais tenra idade, na Paraíba.

As negociações se encerraram.

Galiotte se recusou a fechar um contrato de três anos com um jogador de 34 anos, pagando R$ 1,5 milhão.

Em janeiro, Hulk acertou com o Atlético Mineiro.

Em fevereiro, uma situação parecida. Um jogador midiático mundialmente se insinua para o Palmeiras. Quando criança, em Sergipe, ele também era palmeirense. E, como Hulk, teve sua carreira firmada no exterior: Diego Costa, ex-atacante da seleção espanhola.

Houve também euforia nos bastidores do clube. Mas Mauricio Galiotte outra vez havia avisado seus colegas de diretoria, conselheiros mais próximos, e deixado claro a Abel Ferreira. Ele estava no último ano de mandato e não comprometeria o Palmeiras com contratos caríssimos e longos com jogadores veteranos.

A pedida do atacante foi direta: R$ 2 milhões por um contrato de três anos.

A resposta de Galiotte acabou sendo também firme. A negociação estava "morta" no início. 

Diego Costa não se mobilizou para tentar reverter a situação.

Não precisou.

O Atlético Mineiro usou o dinheiro do bilionário mecenas Rubens Menin, e fez como com Hulk. Contrato fechado por R$ 1,5 milhão por mês. Compromisso de três anos.

Conselheiros contrários a Galiotte, como Luiz Gonzaga Belluzzo, criticaram abertamente a postura do dirigente, já que o Palmeiras seguiu a temporada inteira sem um grande artilheiro, como desejava Abel Ferreira. E teve dois nas mãos.

E conselheiros da situação desabafavam em off, em sigilo, pelo excesso de zelo do presidente.

Galiotte respirou aliviado com a conquista do bicampeonato da Libertadores da América, sem os dois.

Mas o fracasso das duas negociações está sendo lembrado agora, quando o Atlético Mineiro tem mais do que encaminhado o bicampeonato brasileiro. 

Se o clube tem tudo para ganhar o título nacional, depois de 50 anos, é por contribuição direta de Hulk e de Diego Costa. Os dois tiveram desempenho decisivo na equipe de Cuca.

Hulk é o artilheiro do Brasileiro, com 17 gols e sete assistências. Participação em 24 gols. Diego Costa tem quatro gols e uma assistência. Parcipação em cinco gols. Ou seja, dos 57 gols, 29 nasceram da dupla. E mais, ambos modificaram a maneira de o Atlético Mineiro jogar.

"Com os dois em campo, houve muito mais espaço na grande área adversária para os nossos meias, volantes, zagueiro e laterais. Foram fundamentais na nossa campanha", já elogiou Cuca.

Ou seja, no título brasileiro que o Atlético Mineiro conquistará, talvez até hoje, se vencer o Bahia, há uma participação imensa do Palmeiras.

Involuntária, mas decisiva.

Ninguém na diretoria do clube paulista tem coragem de cobrar abertamente Galiotte. O dirigente tem a personalidade forte e não admite cobranças. Ainda mais públicas.

E não admite erros.

Mas há uma sensação de desperdício no Palestra Itália.

A de que o clube poderia ter ido mais longe.

No Brasileiro, na Copa do Brasil, no Palmeiras.

Virou as costas a dois grandes jogadores, por dinheiro que possuía.

E Galiotte deixa como herança para Leila Pereira a obrigação de buscar ao menos um artilheiro exatamente com o potencial da dupla que não quis.

Melhor para o Clube Atlético Mineiro.

Não há o menor arrependimento pelos altos salários pagos a Hulk e Diego Costa.

Quanto vale a conquista do Brasileiro, depois de 50 anos?

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