Cosme Rímoli Grêmio decide acabar com a dependência de Felipão e Renato

Grêmio decide acabar com a dependência de Felipão e Renato

Depois de demitir Tiago Nunes, a diretoria do Grêmio, último colocado no Brasileiro, caiu na tentação de contratar Felipão ou Renato. Jogadores não quiseram. Bolzan concordou. Quer acabar com a dependência da dupla

  • Cosme Rímoli | Do R7

Renato Gaúcho e Felipão. Deixaram mágoas. Rejeitados pelos jogadores, do lanterna Grêmio

Renato Gaúcho e Felipão. Deixaram mágoas. Rejeitados pelos jogadores, do lanterna Grêmio

Palmeiras

São Paulo, Brasil

No dia 7 de abril, o Grêmio perdeu a final da Copa do Brasil de 2020, para o Palmeiras.

Mal o jogo acabou, Renato Gaúcho foi flagrado fazendo sinal a Luiz Adriano que telefonaria ao atacante. Ele fazia parte de uma lista de jogadores desejados pelo técnico para ter um elenco de R$ 100 milhões, como desejava. Douglas Costa já estava apalavrado.

O planejamento fechado entre Renato e o presidente Romildo Bolzan era montar uma equipe capaz de vencer a Libertadores, derrubar a hegemonia de Flamengo e Palmeiras, no Brasil. 

Só que chegou abril. E a pré-Libertadores, as partidas contra o Independiente del Valle. Renato pegou Covid-19 e não participou da decisão da vaga. No banco estava seu assistente, Alexandre Mendes. E o Grêmio foi eliminado, perdeu duas vezes para a equipe equatoriana. 

O sonho de montar a 'seleção' de Renato Gaúcho morreu. A diretoria gremista optou não só por cancelar as contratações, como, revoltada, queria a saída do treinador. Bolzan não tinha argumentos para segurar o maior ídolo da história do clube. A demissão se concretizou.

E Tiago Nunes foi contratado.

De filosofia completamente diferente de Renato, o treinador tentou representar a 'modernidade' que a direção gremista esperava. Venceu o Gaúcho contra o desarticulado de Miguel Ángel Ramirez, que se perdeu no Internacional. Passou a impressão que a temporada seria ótima. 

Mas o nível do Brasileiro é muito mais forte do que o fraquíssimo estadual gaúcho. As ideias de intensidade, vibração, ofensividade se perderam. A equipe confusa acabou com uma campanha ridícula, indefensável, pelo nível de jogadores que possui. Em nove partidas, só dois empates. E sete derrotas. Demissão sumária de Tiago Nunes, no domingo, após perder o jogo contra o Atlético Goianiense, em Porto Alegre.

E lá foi a diretoria gremista se reunir ontem para tentar chegar a um nome de consenso. Bolsan queria a volta de Renato Gaúcho, depois de três meses depois de sua saída. Grande parte da diretoria exigia Felipão.

O clima ficou tenso, porque ninguém queria ceder. O encontrou durou das 17 horas até às 20 horas. No meio do impasse, a ideia conciliadora de ouvir os jogadores. E a resposta foi clara.

Felipão foi vetado. Porque quando deixou o Grêmio, em 2015, o técnico repassou a culpa pelos fracos resultados aos atletas. E os atletas não esqueceram.

Renato Gaúcho iria reformular o elenco, também deixou ressentimento.

O pedido dos atletas foi pela permanência do interino, Thiago Gomes, treinador do sub-21. A diretoria, perdida, decidiu aceitar 'fazer um teste'. Gomes tem apenas 37 anos. 

E tem uma visão tática moderna, mas democrático, consegue ser muito próximo dos jogadores.

Kanemann e Geromel. É difícil para a direção do Grêmio compreender que o time envelheceu

Kanemann e Geromel. É difícil para a direção do Grêmio compreender que o time envelheceu

Grêmio

Ele acumula quatro partidas como técnico interino do Grêmio: empate em 0 a 0 com o Caxians, no dia 18/04,  vitórias contra o Novo Hamburgo, por 3 a 1. Os dois jogos foram no Campeonato Gáucho. Vitória, pela Sul-Americana, contra o La Equidad, por 2 a 0. E empate em 0 a 0, contra o mesmo time colombiano.

A direção gremista queria torná-lo auxiliar técnico do clube. Mas uma das exigências de Tiago Nunes ao aceitar trabalhar no clube era que a Comissão Técnica fosse toda sua. Sem Gomes.

Ao mesmo tempo que efetivou Gomes como treinador, a direção analisa treinadores estrangeiros, vividos e identificados com a maneira aguerrida que o Grêmio tem tradição de jogar.

Bolzan e sua direção querem fugir da tentação de entregar novamente o futebol a Renato Gaúcho ou Felipão. Acabar com essa dependência.

E enfrentar algo muito importante. A sua geração de jogadores envelheceu. Não tem a força física para enfrentar times com menos recursos técnicos, porém com mais velocidade, preparo e intensidade. 

Douglas Costa voltou, com a promessa de grande time. Para tentar disputar a Copa do Mundo

Douglas Costa voltou, com a promessa de grande time. Para tentar disputar a Copa do Mundo

Reprodução/Premiere

 É necessário analisar atletas que já foram considerados intocáveis.

Geromel fará 36 anos em setembro.

Kannemann tem 30 anos.

Maicon fará em setembro 36 anos.

Diego Souza tem 36 anos.

Rafinha, também em setembro, fará 36 anos.

Cortês tem 34 anos.

Nenhum clube da elite tem tantos jogadores veteranos juntos.

O Grêmio precisa romper elos, esquecer sentimentalismo.

Infelizmente, o futebol exige mudanças, despedidas.

Tiago Gomes tem dois anos a mais que Rafinha, Geromel, Maicon e Diego Souza

Tiago Gomes tem dois anos a mais que Rafinha, Geromel, Maicon e Diego Souza

Rodrigo Fatturi/Grêmio

O esporte é cada vez mais atlético.

As explicações são duras.

Mas claras. 

O Grêmio não é lanterna, último colocado do Brasileiro, por acaso.

Mas por puro merecimento.

Sua diretoria, sem rumo, e com complexo de superioridade, influencia o futebol.

Aumenta a pressão sobre os treinadores, os jogadores.

Triste.

Porque em março, o sonho era dominar o Brasil.

Reconquistar a Libertadores.

E, agora, o sonho é escapar do rebaixamento...

Vovô trincado: Zé Roberto chega aos 47 esbanjando físico invejável

Últimas