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‘Fui importante para o Corinthians, clube que amo. Mas saí desrespeitado pelo Luxemburgo.’ Tupãzinho

Entrevista exclusiva com o ídolo que marcou o gol que deu o primeiro título brasileiro para o Corinthians

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Tupãzinho marca o gol histórico para o Corinthians, campeão brasileiro de 1990 Daniel Augusto Júnior/Corinthians

Tupãzinho.

Apelido dado a Pedro Francisco Garcia. Não por lembrar o artilheiro, habilidoso, letal que vestiu a camisa do Palmeiras, na década de 60, que tinha o apelido de Tupãzinho, por conta de seu pai, que se chamava Tupã e fez história no Internacional.


“Meu nome no início da carreira era o meu mesmo, Pedro Garcia. Mas os dirigentes do São Bento disseram que não iria chamar a atenção de ninguém. E decidiram que iria mudar para Tupãzinho, em homenagem à cidade que nasci”, revela.

Tudo em Tupãzinho é simples, direto, sem complicações.


“Eu sou uma pessoa que cresceu na zona rural. E que sempre entendeu a vida de maneira direta. É preciso ter sonho. E trabalhar muito forte para realizar.

“Eu sempre amei futebol, o Corinthians. E trabalhei muito para chegar aonde eu desejava. Vestir a camisa do time do meu coração, em pleno Pacaembu lotado.


“Ajudar o meu clube. Fazer história. E me desdobrei em campo para conseguir o que queria”, relembra, orgulhoso.

De físico franzino, Tupãzinho jogava futebol, quando era garoto, no Tupã Futebol Clube. Se destacou e foi jogar no São Bento, de Sorocaba. No Paulista de 1989, foi o melhor em campo em um confronto que mudaria sua vida.


O Corinthians venceu por 3 a 0, mas ele foi o melhor em campo.

Tanto que, quando Guinei foi contratado para a zaga do time da capital, ele foi como contrapeso.

“Fomos como experiência, por três meses. E logo de cara fomos bem. Disputamos um ótimo Paulista. E veio o Brasileiro de 1990.”

O histórico presidente Vicente Matheus havia montado a equipe com jogadores medianos.

“Não vou mentir. Foi uma equipe para não ser rebaixada. Só que deu liga. O técnico Nelsinho chegou e crescemos de forma inesperada na fase decisiva. Ninguém acreditava na gente. O Corinthians não priorizava o Brasileiro. Mas fomos ganhando.

“Derrubamos favorito atrás de favorito.

“Ficou no caminho o Atlético Mineiro, o Bahia. Para vencer o Bahia tivemos de enfrentar até bonecos de vodu, que colocaram no vestiário.

“O meu tinha agulhas nos joelhos, no ombro, na cabeça, lá em Salvador. Ninguém ligou, porque sabíamos que fariam isso para nos abalar. Ganhamos e chegamos na final contra o São Paulo do Telê Santana, que tinha uma seleção”, relembra.

Tupãzinho admite que o histórico time jogava para o Neto. Quase como a Argentina faria em 2022, no Catar, com Messi.

‘Ele tinha um poder de decidir os jogos. E jogava mais à frente para definir os lances. A bola parada dele era mortal. Assim como seus lançamentos. Além disso, o Neto era um dos líderes do time.”

Mas, por melhor que tenha sido o Brasileiro de Neto, a história reservava a Tupãzinho o privilégio de fazer o gol decisivo que mudou a história do Corinthians.

“Antes, o clube só pensava em ser campeão paulista. Quando eu peguei o rebote do chute do Fabinho, que bateu no Cafu, deu o carrinho. E quando a bola passou pelo Zetti e, foi para as redes, vi meu mundo mudar.”

E o do Corinthians. O clube passou a ter objetivos muito maiores do que o provinciano prazer de lutar para se impor ‘no quintal’, em São Paulo.

A conquista do Brasileiro fez tudo mudar de ponta-cabeça. E logo, em 1991, veio o precipitado e fracasso plano ‘Rumo a Tóquio’.

E na Libertadores de 1991, o time entrou como se fosse a competição mais fácil. E acabou passando vexame, eliminado nos primeiros jogos eliminatórios, para o Boca Júniors.

Muitas emoções ainda estavam reservadas a Tupãzinho. A pior delas.

“Perder a final do Paulista de 1993, quando vencemos o primeiro jogo contra o Palmeiras. E o Viola imitou um porco. No jogo decisivo, eles ganharam por 4 a 0.”

Depois veio a derrota do Brasileiro, na final de 1994, de novo, contra o Palmeiras, e seus jogadores, comprados com o dinheiro da Parmalat.

Em 1995, veio o troco. Vitória do Paulista contra o rival, na decisão em Ribeirão Preto, e a conquista da Copa do Brasil, diante do copeiro Grêmio.

Muito tímido, Tupã foi injustiçado. Mesmo jogando bem, melhor que titulares, acabou reserva no Corinthians.

E aceitou ser o ‘talismã’, jogador que ‘tem sorte’ e salva o time com gols decisivos. Nunca foi sorte. Ele tinha talento.

Acabou emprestado para o Fluminense. E, depois, fez história no América.

Foi artilheiro da Série B e foi o personagem principal da volta da equipe à Série A. Feliz pelo desempenho, voltou ‘para ficar’ no Corinthians. Mas foi dispensado de forma cruel.

Tupãzinho em ação, aos 57 anos. Ele atua, de vez em quando, no Masters do Corinthians José Manoel Idalgo/Agência Corinthians

“O Luxemburgo não teve consideração. Eu estava em ótima fase. Não quis me dar uma chance. Em menos de um minuto, me dispensou. Me desrespeitou.“

A saída do Corinthians foi um trauma para Tupãzinho. Ele seguiu carreira no América. Depois vieram as contusões e ele seguiu carreira em equipes pequenas.

Foi técnico, vereador.

E hoje se tornou presidente do Tupã, onde começou com jogador. Luta para fazer renascer o clube que o lançou no futebol.

Quando aparece no Corinthians é tratado com festa, respeito. Segue um ídolo…

A entrevista completa com Tupãzinho está no canal Cosme Rímoli, no YouTube.

O endereço é youtube.com/@realcosmerimoli.

São 149 personagens do esporte brasileiro.

Principalmente do futebol.

Tupãzinho é um deles.

São mais de 13,9 milhões de acessos.

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