Cosme Rímoli Fracassos. Palavrões, protecionismo travam carreira de Fernando Diniz

Fracassos. Palavrões, protecionismo travam carreira de Fernando Diniz

São dois meses sem trabalho. O técnico segue pagando caro pelos erros primários que cometeu no São Paulo. A saída pode ser a Arábia ou Japão

  • Cosme Rímoli | Do R7

Ironizando Luciano. Essa não é a postura do técnico de um clube tricampeão mundial

Ironizando Luciano. Essa não é a postura do técnico de um clube tricampeão mundial

Reprodução/Premiere

São Paulo, Brasil

Quarta-feira, dia 1 de abril, serão dois meses completos.

Desde que Fernando Diniz foi demitido do São Paulo.

E sem perspectiva de trabalho em um grande clube brasileiro.

A saída pode estar no mercado árabe ou japonês.

O que deveria ser um salto na carreira se mostrou um retrocesso.

Sua desventura no clube começou no dia 26 de setembro de 2019.

Foram um ano e quatro meses de expectativa, animação prematura e depois, profunda desilusão.

Que ajudaram o São Paulo a chegar a oito anos de jejum.

Não conquistou um título sequer.

Apesar do lobby de vários jornalistas que o viam como o representante da 'nova geração' de treinadores brasileiros.

Não pela idade, mas pela coragem de implantar esquema europeu, tendo como princípio básico a estrutura tática do Barcelona de Pepe Guardiola, com 11 anos de atraso.

Diniz não se importava com a brutal, indecente diferença tática dos jogadores que possuía no Morumbi. Ele os queria se movimentando como o auge do time catalão. Com a bola saindo da defesa, inclusive do goleiro, com passes curtos. Com sua equipe sempre consciente, de frente para o gol adversário. Com jogadores trocando de posição, fazendo duas, três funções táticas no mesmo jogo.

Lógico que vieram derrotas e mais derrotas contra times cujos técnicos tinham o mínimo de conhecimento tático.

Mesmo cercado de câmeras, palavrões. Era a maneira com que tratava alguns jogadores do São Paulo

Mesmo cercado de câmeras, palavrões. Era a maneira com que tratava alguns jogadores do São Paulo

Reprodução/Premiere

Contra os seus princípios, fixou o volante Luan, atleta apenas marcador, sem capacidade ofensiva. Deu certa estabilidade defensiva ao meio-campo.

Mas seu time passou a ser mais e mais previsível. 

Em vez do envolvente tiki-taka de Guardiola, do meio para o ataque, troca de passes excessivos e indecisos.

Seu time se especializou na lentidão.

E na desarrumação diante dos contragolpes adversários.

Os aplausos dos jornalistas amigos logo cessaram. Com eliminações vergonhosas do São Paulo. Como no Paulista de 2020, diante do Mirassol, que havia dispensado 18 jogadores por final de contrato.

Na Libertadores, o clube saiu na fase de grupos.

 Na Copa Sul-Americana, torneio de consolação para os times que não tiveram competência para sobreviver aos grupos da Libertadores, veio a eliminação logo de cara, contra o Lanús.

Fracasso na semifinal da Copa do Brasil diante do Grêmio.

E, depois de liderar o Brasileiro, com sete pontos de vantagem, em 2021, seu time disputou 18 pontos. Conquistou apenas dois. E Diniz foi despachado.

Seus amigos na imprensa tiveram de admitir seu fraco trabalho.

A proteção absurda a Daniel Alves, que tanto desagradava ao grupo de atletas, segue sendo pesada a dirigentes que o colocam na lista, quando começam a analisar treinadores.

Diniz mantinha Daniel Alves intocável como meio-campista. Apesar do futebol comum

Diniz mantinha Daniel Alves intocável como meio-campista. Apesar do futebol comum

Rubens Chiri/São Paulo

A incoerência de ver o técnico mantendo um dos melhores laterais do mundo e que poderia ser, apesar de veterano, o melhor do país, e aceitar que fosse um meio-campista comum, só porque o jogador não queria se desgastar, pensando em estar bem para a Copa de 2022, não foi esquecida.

Muito menos a maneira ríspida, os palavrões contra seus jogadores mais humildes, sem o currículo de Daniel Alves, que jamais foi xingado pelo técnico por sinal.

O caso que resume a situação foi com Tchê Tchê.

"Tem que jogar, cara...

"Seu ingrato do cara...,

"Seu perninha do cara...,

"Seu mascaradinho do cara...,

"Vai se fo...."

Detalhe que Fernando Diniz é psicólogo formado.

Mas não demonstrou controle emocional algum.

Essa maneira ríspida de tratar seus comandados desanimou de vez seus defensores na imprensa.

Eles se calam até hoje.

Raí fez o que pôde para que ele não fosse demitido.

O ex-jogador e executivo acabou pagando com o cargo essa insistência absurda.

Veio a demissão.

E um treinador que atingiu o patamar de dirigir um tricampeão mundial deveria ter as portas abertas para vários clubes.

Só que os dirigentes sabem muito bem como foi o trabalho de Diniz.

E os erros gravíssimos que cometeu.

Desde tático até comportamental.

Ele tinha um patamar salarial ótimo para um técnico com 11 anos de profissão, que tem como maior título o da Terceira Divisão de São Paulo, com o Votorati, em 2009: R$ 300 mil. 

Até mesmo o presidente do São Paulo, Julio Casares, tinha a certeza que Diniz se recolocaria rápido.

Só que os erros de Diniz não estão sendo esquecidos.

Pelo contrário.

Ressaltados por empresários que representam técnicos.

"É um sonho realizado.

"Estou muito feliz e pronto para este novo desafio na minha carreira.

"Tenho certeza de que faremos um grande trabalho juntos", disse ao assumir o cargo em setembro de 2019.

O sonho virou pesadelo.

Diniz se mostrou amargurado na demissão e que não estava pronto para comandar o São Paulo.

E o trabalho foi péssimo.

Apesar de psicólogo formado, Diniz não controlava suas emoções. De forma amadora

Apesar de psicólogo formado, Diniz não controlava suas emoções. De forma amadora

Reprodução/Premiere

Por isso, segue marcado.

Um nome rejeitado nos grandes clubes.

Sua carreira retrocedeu de forma assustadora.

A sorte é que é 'jovem' para a carreira.

Tem apenas 47 anos.

Precisa se reinventar.

E, pelo jeito, como dizem os empresários, seguir, por exemplo, o caminho de Fábio Carille, que fez péssimo trabalho na sua volta ao Corinthians.

Ir para a um mercado distante.

Voltar no futuro, reciclado.

Agora, seu nome está vetado.

Trabalhar no São Paulo, ficar exposto como jamais havia ficado na carreira, foi péssimo para Fernando Diniz.

Daí a falta de trabalho.

E seus defensores, envergonhados, se calam...

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