Cosme Rímoli Flamengo transformou Itaquera no Maracanã. Partida desastrosa do Corinthians. Só um milagre para sobreviver na Libertadores

Flamengo transformou Itaquera no Maracanã. Partida desastrosa do Corinthians. Só um milagre para sobreviver na Libertadores

Com todo espaço que sonhava, o time de Dorival Júnior venceu por 2 a 0, em plena Itaquera. Conseguiu vantagem fabulosa no duelo pela semifinal da Libertadores. Arrascaeta e Gabigol marcaram

  • Cosme Rímoli | Do R7

Gabigol marcou o segundo gol. O Flamengo fez o que quis diante do assustado Corinthians

Gabigol marcou o segundo gol. O Flamengo fez o que quis diante do assustado Corinthians

Marcelo Cortes/Flamengo

São Paulo, Brasil

O Corinthians cometeu pecado mortal.

Foi frouxo na marcação contra o Flamengo.

Pagou caríssimo.

Era como se a arena de Itaquera tivesse se transformado no Maracanã.

O time de Dorival Junior teve o que mais gosta: espaço para tocar a bola e envolver o adversário. 

E conseguiu chocar, calar a torcida corintiana, desnorteada pela superioridade rubro-negra.

Para sobreviver na Libertadores, o Corinthians será obrigado a uma virada histórica, na partida decisiva das quartas de final, no Rio de Janeiro.

Porque, hoje, o Flamengo venceu com autoridade, personalidade, talento. E uma vantagem enorme diante do rival. Vitória mais do que merecida por 2 a 0. Gols de Arrascaeta e Gabigol. 

Foi incrível como Arrascaeta e Everton Ribeiro tiveram toda a liberdade para articular, driblar, acionar o ataque do Flamengo. Du Queiroz, Fausto Vera e, principalmente, Cantillo foram péssimos, marcando à distância, com muito respeito. Eles se mostravam assustados, intimidados. Graças à ineficiência do trio, o Corinthians acabou dominado, encolhido, no seu próprio estádio.

Vítor Pereira tem a inteira responsabilidade pelo desastre de hoje. O treinador não agiu, mesmo diante do enorme domínio flamenguista, desde o início da partida. Em compensação, o plano tático de Dorival Júnior deu mais do que certo. Com sua equipe tendo uma atuação de gala, digna de 2019, com Jorge Jesus no comando. 

O Flamengo foi eficiente e cruel. Dominou completamente o adversário.

A desculpa do primeiro gol do Flamengo chega a ser constrangedora.

Cantillo, que fazia seu centésimo jogo com a camisa branca e preta, teve uma falha bizarra, na saída de bola. Foi travado por Arrascaeta, a bola tocou no braço de João Gomes, que estava recolhido, lance normal. Em seguida, o uruguaio acertou o ângulo de Cássio. Gol legal, aos 36 minutos do primeiro tempo.

De acordo com a regra, se a bola tocar no braço de maneira involuntária e ele estiver junto ao corpo de um atleta e virar "assistência involuntária", o gol tem de ser validado. Só se a bola tocar no braço de quem marca, mesmo se for também de maneira involuntária, aí o lance tem de ser anulado.

Mesmo que não fosse legal, o Corinthians não tinha o direito de não reagir. Não marcar forte o Flamengo, não atacar em bloco, para tentar empatar, virar o jogo. 

O Corinthians não conseguiu reagir, por conta da maneira espaçada com que foi montado. E da intimidação dos seus volantes, que contagiou o time todo. Fora, lógico, da noite inspirada do Flamengo, montado de maneira letal, vibrante, intensa.

A apaixonada torcida corintiana viu tudo ruir depois do segundo gol do Flamengo. Gabigol foi cruel

A apaixonada torcida corintiana viu tudo ruir depois do segundo gol do Flamengo. Gabigol foi cruel

Marcelo Cortes/Flamengo

O "segredo" de Dorival Junior foi montar o Flamengo para atuar com coragem, sem se encolher, sem lutar por um suposto 0 a 0. Nada disso. Os cariocas entraram para lutar pela vitória. Mesmo que com isso desse chances em lances esporádicos ao Corinthians. Para defesas firmes de Santos.

Parecia que era o Corinthians que atuava fora de casa. Vitor Pereira montou seu time no 4-5-1, com Gustavo Mosquito e Adson mais preocupados em marcar do que atacar. Com Yuri Alberto isolado na frente, sozinho, contra a zaga flamenguista.

Aos poucos, Dorival e seus jogadores perceberam o receio corintiano. E foram impondo o tradicional 4-4-2. João Gomes e Thiago Maia conseguiram dar sustentação para que Everton Ribeiro e Arrascaeta dominassem as intermediárias, desprezando a frágil, respeitosa marcação corintiana.

Pedro e Gabigol se mexiam muito, abrindo espaço, confundindo o sistema defensivo corintiano, que já estava exposto, pelo péssimo trabalho dos seus volantes.

O que já estava péssimo ficou insuportável depois do primeiro gol, aos 36 minutos. Ao ver o chute de Arrascaeta entrar no ângulo, os jogadores corintianos perderam a mínima confiança que tinham.

Vítor Pereira fez sua troca obrigatória. Tirou Cantillo e colocou Giuliano. Mas nada mudou. Ou melhor, ficou bem pior, quando Rodinei invadiu pela direita e descobriu Gabigol com espaço. O atacante bateu sem chance para Cássio. 2 a 0.

Era o pesadelo tornando-se realidade em Itaquera. Os 4.000 torcedores do Flamengo faziam a festa, enquanto os torcedores corintianos ficavam atônitos, travados pela impotência do time. Nem parecia que estava em jogo a chance de chegar à semifinal da Libertadores.

Vencendo por 2 a 0, o Flamengo não fez o que 99% das equipes brasileiras fazem, quando estão em vantagem diante de um grande adversário, fora de casa. Dorival Junior exigiu que o time não recuasse. E buscasse marcar mais gols.

O lance da discórdia. O gol do Flamengo foi legal. Não serve como desculpa para a derrota do Corinthians

O lance da discórdia. O gol do Flamengo foi legal. Não serve como desculpa para a derrota do Corinthians

Reprodução/Twitter

Cássio teve de fazer grandes defesas, diante da blitz rubro-negra. Graças a ele, o Corinthians manteve o mínimo de esperança para a próxima terça-feira, no jogo decisivo, no Maracanã.

"Era um jogo de detalhe. Tomamos um gol que bateu na mão, mas não sei da regra para falar com propriedade. O gol no começo do segundo tempo dificultou ainda mais, pois precisamos correr atrás. Foi o resultado que não queríamos, mas não faltou entrega e motivação. Era jogo grande, difícil explicar o resultado", disfarçava Cássio, diante do péssimo futebol do Corinthians.

O time não perdia havia seis meses em Itaquera.

Mas hoje, na mais importante partida, perdeu.

E o sonho de conquista da Libertadores está por um fio.

O Flamengo merece todo favoritismo para ficar com a vaga.

A partida corintiana foi lastimável...

Romário detona Zagallo, Felipão e Luxemburgo: 'Me tiraram 2 Olimpíadas e 1 Copa'

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas