Cosme Rímoli Flamengo dá aula de economia. Para Palmeiras, Cruzeiro e Atlético

Flamengo dá aula de economia. Para Palmeiras, Cruzeiro e Atlético

Clube amarra os minutos em campo para comprar porcentagem a mais de atletas importantes. Economizou R$ 15 milhões com Rodrigo Caio e Arrascaeta

  • Cosme Rímoli | Do R7

Arrascaeta. Cláusula importantíssima no contrato. Que gera economia ao Flamengo

Arrascaeta. Cláusula importantíssima no contrato. Que gera economia ao Flamengo

Alexandre Vidal/Flamengo

São Paulo, Brasil

Uma aula de administração do Flamengo.

Para Palmeiras, Cruzeiro e Atlético Mineiro, principalmente.

Com a visão capitalista de Rodolfo Landim, que foi, por anos, braço direito do ex-bilionário Eike Batista, os contratos caros com jogadores sofreram importante modificação.

Com Landim, o Flamengo passou a comprar parte dos direitos dos atletas. E, dependendo dos minutos em campo, por temporada, o clube carioca se vê obrigado a comprar outra parcela dos direitos do jogador. Ou não.

Palmeiras, Cruzeiro e Atlético Mineiro, nos últimos anos, investiram muito dinheiro em contratação de jogadores.

E, em raríssimas exceções, amarrou estas compras com o número de partidas.

Muito dinheiro foi desperdiçado.

Borja, Rodriguinho, Yimmi Chará são ótimos exemplos de transações caríssimas.

De jogadores que sequer conseguiram se firmar.

O Palmeiras acabou tendo de pagar 13,5 milhões de dólares, cerca de R$ 91,2 milhões, em valores atualizados.

Foi uma compra 'de impulso', pelo sucesso do jogador na Libertadores de 2016. O atacante já havia sido decepcionante em vários clubes: no Livorno, Olimpo, Santa Fé. A diretoria, comandada na época, pelo executivo Alexandre Mattos, resolveu apostar no atacante que foi muito bem na fase aguda da Libertadores. Semifinal e final.

Borja. Decepção caríssima. Paga integralmente pelo Palmeiras

Borja. Decepção caríssima. Paga integralmente pelo Palmeiras

Palmeiras

O Palmeiras comprou 70% em fevereiro de 2017 e ainda se obrigava a comprar mais 30% se ele não fosse vendido até agosto de 2019. Com futebol irregular, o atacante não despertou interesse de clube europeu algum, como se esperava. Até os chineses acabaram desistindo do colombiano.

Se o Palmeiras tivesse amarrado a exigência de número de jogos disputados ou minutos como titular, não teria gasto tanto dinheiro. E seguiria com contrato com o jogador até o final de 2021. Ele está emprestado ao Junior Barranquilla. 

O Cruzeiro também amargou 4 milhões de dólares, R$ 22,4 milhões por Rodriguinho. Comprou seus direitos junto ao Pyramids, do Egito. Aos 30 anos, ele chegou em janeiro de 2019.

Desgastado fisicamente, lento, com pouca vibração, foi enorme decepção.

Não se firmando no time.

Outra vez, um clube brasileiro não tinha garantia alguma sobre o atleta comprado.

Em fevereiro do ano passado, rescindiu com o jogador. 

O Atlético Mineiro também passou por grandes decepções.

Como Chará.

Chará custou nada menos do que R$ 33 milhões ao Atlético. Vendido pela metade

Chará custou nada menos do que R$ 33 milhões ao Atlético. Vendido pela metade

Atlético Mineiro

Pagou 6 milhões de dólares, cerca de  R$ 33 milhões, por 70% do meia colombiano, em 2018.

Também não teve resguardo.

E se viu obrigado, mesmo com o jogador sendo uma extrema decepção, a pagar o valor integral ao Junior Barranquilla.

Outro a não ter compromisso algum com número de partidas em campo.

O Atlético acabou repassando ao Portland Timbers.

A direção do clube mineiro se recusou a confirmar a quantia que recebeu.

A imprensa colombiana especulou que o time norte-americano pagou a metade que o time brasileiro pagou, cerca de 3 milhões de dólares, R$ 16,8 milhões.

Desde que Landim assumiu, o Flamengo tenta impor um número mínimo de minutos em campo por temporada, para pagar o valor cheio.

Foi assim que conseguiu economizar R$ 15 milhões com Rodrigo Caio e Arrascaeta.

Ele fixou quatro mil minutos por temporada em campo da dupla.

Para que comprasse uma porcentagem a mais do que já havia comprado, juntou ao São Paulo e Cruzeiro.

O clube carioca evitou a obrigação de comprar mais 25% de Arrascaeta junto ao empresário do jogador, que havia comprado essa parcela do Defensor, clube uruguaio.

Faltaram 167 minutos em 2020, de acordo com o jornal Extra.

A economia foi de 1,2 milhão de euros, cerca de R$ 8,11 milhões.

O Flamengo já havia pago R$ 63,7 milhões pelo uruguaio.

Quanto a Rodrigo Caio, 60% dos seus direitos custaram R$ 21 milhões.

O clube carioca seria obrigado a compras mais 15% do São Paulo, se ele atuasse quatro mil minutos em 2020. Ele ficou longe da meta, atuando cerca da metade dos jogos, 32 partidas apenas. Dá cerca de 2.880 minutos.

Rodriguinho. Investimento altíssimo pela diretoria que levaria o Cruzeiro à Série B

Rodriguinho. Investimento altíssimo pela diretoria que levaria o Cruzeiro à Série B

Cruzeiro

O que o Flamengo fez é básico.

Jogou, pagou.

Não jogou, pagou menos.

Foram R$ 15 milhões de economia.

Exemplo para o futebol brasileiro.

Clube não precisa ter 100% do atleta.

Principalmente para Palmeiras, Cruzeiro e Atlético...

Honda, Juanfran e mais: os gringos que decepcionaram nesse Brasileiro

Últimas