Cosme Rímoli Fla faz o que Jesus ensinou.Técnicos brasileiros estão ultrapassados

Fla faz o que Jesus ensinou.Técnicos brasileiros estão ultrapassados

Direção fez reunião com Torrent. Conversará com Hierro.Depois, com Carvalhal. Jesus mostrou: a modernidade está com treinadores europeus

  • Cosme Rímoli | Do R7

Marcos Braz e Spindel ouvem os conceitos de Domènec Torrent, em Madrid

Marcos Braz e Spindel ouvem os conceitos de Domènec Torrent, em Madrid

Reprodução

São Paulo, Brasil

Foram duas horas de reunião com Domènec Torrent.

Um jantar em restaurante luxuoso.

Em Madrid, o ex-auxiliar de Pep Guardiola explicou seus conceitos de futebol e o que pretende fazer, se for escolhido para treinar o Flamengo.

Falou ao vice de futebol, Marcos Braz, e ao diretor executivo de futebol, Bruno Spindel.

Braz e Spindel seguirão em Madrid. E terão um encontro com Fernando Hierro, ex-capitão e estrela do Real Madrid, que foi técnico da Espanha na Copa da Rússia.

Depois, voltarão para Lisboa para jantarem com Carlos Carvalhal, treinador português, que acabou de fazer história. Classificou o pequeno Rio Ave pela primeira vez para a Liga Europa.

Se, por acaso, não forem convencidos por nenhum dos três, a busca seguirá na Europa.

Com o método consagrado para contratar executivos em grandes empresas e não em clubes de futebol, o da entrevista.

Felipão foi o último treinador do Brasil a assumir um grande europeu. Há 11 anos

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Mas por que não tentar Luiz Felipe Scolari, Dunga, Renato Gaúcho, Cuca, Mano Menezes, Luxemburgo, por exemplo?

Por influência absoluta de Jorge Jesus.

Nas conversas mais diretas que teve com Marcos Braz, homem que controla o futebol do clube, ele foi claro. 

Não via no treinadores brasileiros conceitos táticos para seguirem seu trabalho no Flamengo. Não por incompetência.

Carvalhal na classificação do Rio Ave para Liga Europa

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Mas por falta de intercâmbio com a Europa, que é o continente mais avançado taticamente.

Não por acaso venceu as últimas quatro Copas do Mundo.

As ponderações de Jesus foram convincentes.

Ele quer que seu trabalho vencendor siga na Gávea.

Aos 66 anos e com contrato de três anos no Benfica, Jesus é bem prático.

Ele não voltará a trabalhar no Flamengo, a morar no Brasil, pela idade.

Goleada por 5 a 0, na Libertadores, mostrou a diferença em Jesus e Renato Gaúcho

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E quer ver a maneira moderna, intensa, vibrante, 'europeia' do time rubro nego, seguir se impondo no Brasil e na América Latina.

Fazendo do clube referência, obrigando os outros clubes a também se modernizar dentro dos gramados.

E, de acordo com Jesus, não seria com Luiz Felipe Scolari, Dunga, Renato Gaúcho, Cuca ou Mano Menezes que o Flamengo seguiria à frente taticamente.

Os grandes líderes do time, como Filipe Luís, Rafinha e Diego Alves são respeitados pela diretoria. Mas não tiveram influência nesta busca por treinadores estrangeiros.

Rafinha até se colocou contra essa obsessão por estrangeiros.

"Mas, poxa, no Brasil existem tantos treinadores bons, né?

"Sendo realista, os que tem muita qualidade estão tudo empregados. Não é porque o Jesus que é europeu deu certo que o próximo técnico precisa ser europeu.

"Não, eu acho que a diretoria tem que buscar um treinador que tenha as mesmas ideias que o clube tem, que siga a nossa linha de trabalho que daí eu acho que dá certo.

"Não é porque o Jesus deu certo que o treinador precisa ser gringo", disse à ESPN Brasil.

Carvalhal é festejado. Conseguiu levar o Rio Ave à Liga Europa, pela primeira vez

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Mas não é o que a direção pensa.

Quanto ao método de escolha do treinador, com inúmeras entrevistas de seleção, a ideia é do presidente Rodolfo Landim.

Executivo na área petrolífera, inclusive trabalhando na Petrobrás e até nas empresas de Eike Batista, ele acredita que esse seja o melhor método.

E os treinadores europeus não tiveram qualquer constrangimento.

Torrent, Carvalhal e Hierro aceitaram se submeter à 'seleção'.

A expectativa é que até o final da próxima semana, o novo comandante do Flamengo seja escolhido.

E não será um brasileiro.

Por conta do atraso tático que domina os clubes do país, em relação aos europeus.

Embora doa o orgulho, Jorge Jesus está certo.

O diferencial do futebol brasileiro há décadas está nos jogadores.

Hierro comandou a Espanha na Copa da Rússia. Eliminação de forma invicta

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Reprodução Instagram

Não nos treinadores, que têm as portas dos grandes clubes do mundo fechadas.

Luxemburgo, no Real Madrid, em 2005, e Felipão, no Chelsea, em 2009, foram os últimos a darem vexames.

Há 11 anos, equipe importante alguma do Velho Continente se interessa por técnicos do país pentacampeão do mundo.

Não é complexo de vira-lata.

O futebol brasileiro precisa se modernizar.

E a modernidade está na Europa...

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