Cosme Rímoli "Filho da p..." "Mascarado." Jordan faz o mundo aplaudi-lo. De novo

"Filho da p..." "Mascarado." Jordan faz o mundo aplaudi-lo. De novo

Documentário The Last Dance mostra o fabuloso talento do melhor jogador e do maior time da  história do basquete. Na visão de Michael Jordan

  • Cosme Rímoli | Do R7

O maior jogador de basquete de todos os tempos. E sua visão do Chicago Bulls

O maior jogador de basquete de todos os tempos. E sua visão do Chicago Bulls

Reprodução Twitter

São Paulo, Brasil

"Um filho da p..."

"Dedo duro."

"Arrogante."

"Egocêntrico."

"Mascarado."

"Desleal."

"Manipulador da realidade."

Essas são as singelas reações de ex-jogadores, adversários, principalmente, companheiros de Michael Jordan nos fabulosos anos do Chicago Bulls.

Eles comentam " The Last Dance" (lançado no Brasil como "O Último Arremesso), série produzida pela ESPN e NBA. 

É o melhor documentário sobre basquete de todos os tempos.

Condensa 500 horas de entrevistas e cenas de jogos, celebrações, frustrações. 

A intimidade do esporte.

Mostra as entranhas de um fabuloso time.

A bem da verdade, os 10 instigantes capítulos vão muito além do basquete, do esporte.

Mostra de forma crua e, incrivelmente íntima, a relação de um grupo competitivo, contra adversários fortíssimos, comandado por um gênio obcecado pela vitória, egoísta, centralizador, ditador.

E que não abre mão dos privilégios que, sua capacidade absurda para jogar basquete, proporciona.

Talento desenvolvido para tentar conseguir a aprovação do pai, que só tinha olhos para o seu irmão mais velho, na adolescência.

Um enredo teatral.

The Last Dance narra a trajetória de como Michael Jordan mudou para sempre a história do Chicago Bulls, equipe que não era levada em consideração, pequena, na NBA.

Como o fez fantástico hexacampeão.

Com Michael, Chicago teve o gosto de vencer pela primeira vez, na temporada 90/91.

E a última, em 97/98. 

Nunca, antes de Michael Jordan, o Chigaco Bulls havia sido campeão.

E,  jamais, depois de Michael Jordan, conquistou um título.

A emoção do primeiro título de Michael Jordan com o Chicago Bulls

A emoção do primeiro título de Michael Jordan com o Chicago Bulls

Reprodução Twitter

São 22 anos de jejum e nostalgia.

As cenas inéditas ficaram trancadas, em cofres, pela cúpula da NBA, por 20 anos.

A dona da franquia negociou por anos com Michael Jordan a produção do documentário.

Ele só aceitou se tivesse o direito da última palavra. 

Essa intervenção serviu para diminuir o papel dos seus fantáticos companheiros como Scottie Pipen, Dennis Rodman, Steve Kerr, Toni Kukoc. 

Lançado em plena pandemia, o documentário já foi visto por 23 milhões de pessoas

Lançado em plena pandemia, o documentário já foi visto por 23 milhões de pessoas

Divulgação

E, com razão, para destacar o fabuloso, e único, trabalho de Philip Jackson. Capaz de usar o triângulo ofensivo desenvolvido por Tex Winter, com filosofia oriental e até de tribos indígenas norte-americanas.

Phil Jackson conseguiu fazer com que Michael Jordan colocasse seu estupendo talento em favor do time.  Levou compreensão ao genial jogador de que, nada adiantava ele marcar 40, 50 pontos, se o Chicago perdesse.

E que se não fosse a única opção de passe ofensivo, a marcação adversária seria mais débil.

Jackson permitia os abusos de Michael. Pela vitória, ele gritava, cobrava, xingava, empurrava e até esmurrava companheiros de time. 

Jordan controlava cada parceiro. Até o ponto de perceber que Dennis Rodman, influenciado pelas namoradas Madonna e Carmen Electra, passou de jogador tranquilo para 'devorador de noitadas'. E impor a Jackson alguns dias de folga para Rodman, durante a temporada, para que seguisse jogando.

Os times rivais do Chicago são retratados como vilões. É muito interessante e manipulada a visão dos confrontos. Mas as cenas incríveis. Os confrontos com Indiana Pacers, Cleveland Cavaliers, o Detroit Pistons, o Miami Heat e o New York Knicks são de tirar o fôlego. Sempre mostrados pela ótica de Jordan.

O drama pessoal, com assassinato do pai, por dois adolescentes, é retratado com crueza.

Michael havia vencido três campeonatos e conquistado a medalha de ouro olímpica, com a melhor equipe de basquete de todos os tempos, o Dream Team, na Espanha, em 1992.

Estava nas nuvens até que seu pai, que finalmente havia se rendido ao seu talento, desapareceu em julho. Foram semanas angustiantes de procura. Até que, em agosto, ele foi encontrado morto, com um tiro no peito. 

Os adolescentes Larry Martin Demery e Daniel Andre Green foram presos e condenados à prisão perpétua pelo assassinato.

Jordan ficou tão desnorteado, que abandonou o basquete. E foi jogar beisebol, homenagear o pai, que sonhava vê-lo neste esporte, quando era criança.

Michael Jordan. A obsessão por agradar o pai o tornou o melhor jogador de todos

Michael Jordan. A obsessão por agradar o pai o tornou o melhor jogador de todos

Reprodução Twitter

Mas ele havia nascido para jogar basquete e acabou voltando para mais um espetacular tricampeonato.

E ver o desmanche do time por conta da inveja do gerente-geral Jerry Krause. O homem quem havia montado a equipe fabulosa. Pelo olhar de Jordan, ele sentiu  profunda inveja por não ser celebrado nas conquistas do time.

Tanto que decidiu trocar as peças. A começar pelo técnico Phill Jackson. E os jogadores mais velhos. Montaria novo time ao redor de Michael  Jordan.

Só que a megaestrela havia avisado, só jogaria no Chicago sob o comando de Jackson. E depois da incrível conquista do hexa, com o time muito bem, o sonho acabou.

O documentário dirigido por Jason Hehir merece todo o sucesso. A repercussão.

Os elogios.

E as críticas por manipulação do documentário por Jordan.

As rivalidades.

Até a revelação, nas palavras de Jordan, de orgias de companheiros, com direito a drogas, assim que começou no Chicago Bulls.

E deixar, de maneira sádica, seu escudeiro Scottie Pipen receber apenas o 122º salário da NBA. E ainda acusá-lo de egoísmo.

 É imperdível.

Vale destacar a visão comercial por trás de The Last Dance.

Sem Phil Jackson, sem Michael Jordan. Simples e cruel assim

Sem Phil Jackson, sem Michael Jordan. Simples e cruel assim

Reprodução Twitter

Percebendo a carência esportiva no mundo pela pandemia do coronavírus, o lançamento foi antecipado e o resultado extrapolou qualquer expectativa.

Mais de 28,3 milhões de pessoas já assistiram ao documentário.

A linha de tênis de Michael Jordan, produzida pela Nike, explodiu em vendas. Principalmente os que usava quando jogava no Chicago.

A revista Forbes avalia sua fortuna em 2,1 bilhões, cerca de R$ 11,6 bilhões.

Foram 94 milhões de dólares só em salários, nas 15 temporadas como jogador. R$ 525 milhões. 

Nike, Coca-Cola, McDonald’s, Wheaties, Chevrolet o acompanharam na carreira. E depois de se aposentar como jogador, segue com Nike, Hanes, Gatorade e Upper Deck.

Ele é dono de 70% da franquia do time de basquete Charlotte Hornets.

Aos 57 anos, ele não se esconde.

Depois de décadas de treinamentos alucinantes, Michael segue fumando charutos cubanos, tomando uísque escocês, jogando golfe, engordando. E aproveitando a fortuna imensa que conseguiu.

Michael. Bilionário, jogando golfe com seu amigo Tiger Woods

Michael. Bilionário, jogando golfe com seu amigo Tiger Woods

Reprodução Twitter

E adorando a repercussão mundial para a sua explicação do maior time de basquete de todos os tempos.

Para admiração dos fãs.

Raiva e inveja dos adversários.

E até companheiros do Chicago Bulls...

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