Logo R7.com
Logo do PlayPlus
Cosme Rímoli - Blogs
Publicidade

Ou euforia ou agonia. Não haverá meio-termo para Fernando Diniz na final da Libertadores. Ele não sairá o mesmo do Maracanã

A decisão de hoje, às 17 horas, no Maracanã, terá força suficiente para mudar todo o status da carreira de Diniz. Até hoje, ganhou apenas um Carioca, em 14 anos como técnico. Currículo paupérrimo para comandar a seleção

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli


Diniz sabe. Vencer ou perder hoje terá consequências fundamentais para seu futuro. Até na seleção
Diniz sabe. Vencer ou perder hoje terá consequências fundamentais para seu futuro. Até na seleção

São Paulo, Brasil

É unanimidade na imprensa nacional.

Mesmo a do Rio de Janeiro, que adotou Fernando Diniz como o grande revolucionário, capaz de mudar o status perdedor da seleção brasileira.

Hoje, dia 4 de novembro de 2024, é a grande chance que ele tem para mudar de patamar como treinador. 

Publicidade

Porque, até para a mídia carioca, não há como defender um técnico que, em 14 anos, só conquistou um único título na elite do futebol: o Campeonato Carioca deste ano.

Comandar a seleção brasileira, mesmo interinamente, com um currículo com tantos fracassos, é um disparate, ataque ao bom senso.

Publicidade

Por isso, a disputa da final da Libertadores terá enorme peso.

A torcida do Boca Juniors confia mais em Romero do que no consagrado Cavani
A torcida do Boca Juniors confia mais em Romero do que no consagrado Cavani

Formado em psicologia, ele tenta disfarçar, mas sabe que será a “partida da sua vida” contra o Boca Juniors, hoje, às 17h, no Maracanã.

Esperto, vivido, ele tenta disfarçar, para se prevenir contra o fracasso, que, se vier, será dramático para sua caminhada como técnico.

"Obviamente, o que vai acontecer modifica o status quo de como as pessoas te enxergam. Para mim, o mais importante é como eu me enxergo. Não estou à mercê da bola que vai entrar. Se fosse isso, estaria mais ansioso do que já estou.

"Demorei muito tempo para aprender que a vida não pode ser determinada pela bola que entra ou não. É a capacidade do trabalho que tivemos para chegar à final. Quem imaginava que estaríamos aqui agora? Isso tudo não será descartado. O que me dá a segurança é que sou focado no trabalho e não só no que vai acontecer.

"Tem um componente imprevisível no futebol. Vamos preparados com a alma e o espírito. Esse dia 4 está em nós desde primeiro de maio do ano passado. Espero que os jogadores estejam unidos e com inspiração."

O artilheiro argentino Cano é o grande beneficiado do esquema ofensivo de Fernando Diniz
O artilheiro argentino Cano é o grande beneficiado do esquema ofensivo de Fernando Diniz

O discurso ensaiado com a assessoria de imprensa foi cuidadosamente estudado. O medo da derrota para os argentinos é evidente. E com sua postura cautelosa assegura a certeza de que não poderá ser cobrado duramente, caso o Boca conquiste sua sétima Libertadores da história.

Diniz tem a responsabilidade de dar ao Fluminense o primeiro título da mais desejada competição na América do Sul.

Diniz formou uma equipe experiente, vivida, com sete atletas com mais de 31 anos.

Inclusive Fábio e Felipe Melo, com mais de 40 anos. Samuel Xavier, Marcelo, Ganso, Keno e Cano. A média de idade do seu time é de 32,1 anos, a mais velha de toda a Libertadores de 2023.

A equipe que entrará em campo será extremamente ofensiva, postura que encanta a mídia carioca.

Fábio; Samuel Xavier, Nino, Felipe Melo e Marcelo; André, Martinelli (John Kennedy) e Ganso; Arias, Keno e Cano.

O lado esquerdo defensivo, formado por Marcelo e Felipe Melo, é técnico. Mas lento. O ponto fraco do time, para tentar travar os contragolpes previsíveis, em velocidade, do Boca Juniors.

Sergio Romero; Advíncula, Figal, Valentini e Fabra; Medina, Pol Fernández, Equi Fernández e Barco; Merentiel e Cavani.

Jorge Almirón conseguiu mesclar juventude e experiência. A média de idade do time argentino é de 31,1.

A diferença também está na força física. É a equipe mais forte, mais atlética da competição. Durante toda a Libertadores trocou a técnica pela estratégia, pela força de marcação, de recomposição, na velocidade.

E que justifica a velha tradição de times argentinos com muita personalidade e capacidade de travar os jogos, minar psicologicamente os adversários e até a equipe de arbitragem.

Diniz alucinado, depois de o Fluminense vencer o Inter e chegar à final da Libertadores. Nunca foi tão longe
Diniz alucinado, depois de o Fluminense vencer o Inter e chegar à final da Libertadores. Nunca foi tão longe

O Fluminense, de Diniz, ao contrário, conseguiu vencer os jogos quando exposto, assumindo o domínio, a posse de bola, a troca de passes, muitas vezes exagerado e arriscado, da defesa até o ataque. Tabelas, infiltrações. E o acúmulo de três, quatro jogadores, muitas vezes até cinco atletas, onde a bola está. Principalmente pelos lados do campo, para desnortear a defesa adversária.

Sem dúvida, o Fluminense encanta os olhos, quando tudo dá certo.

É uma postura muito mais arriscada do que a do Boca Juniors, que não tem vergonha de muitas vezes jogar por “uma bola”. Parada ou de contragolpe. E não abrir sua intermediária. Principalmente quando não atua na Bombonera, onde é pressionado para atacar, por sua fanática torcida.

O Fluminense estar na final da Libertadores é uma surpresa.

As melhores estruturas, os grandes investimentos, de Flamengo, Palmeiras, Internacional, Atlético Mineiro, ficaram para trás.

Diniz é o grande responsável pela segunda chegada na história do clube à decisão.

Como em 2008, quando a equipe chegou à final contra a LDU, o treinador é maior do que o time. Renato Gaúcho era a grande estrela, que sucumbiu na decisão por pênaltis, depois de os equatorianos vencerem por 4 a 2, em Quito, e perderem por 3 a 1, no Maracanã.

Nos pênaltis, o goleiro Cevallos defendeu três cobranças e a LDU foi campeã.

O grande medo silencioso do Fluminense é que a decisão de hoje chegue às penalidades.

Romero é o nome que assusta.

O goleiro argentino, desde que foi contratado, em 2022, teve 18 pênaltis contra ele.

Defendeu dez. E tomou oito gols.

Já Fábio, que também chegou em 2022, teve de enfrentar 11 penalidades. Defendeu apenas duas.

Romero foi o responsável pela classificação, nos pênaltis, do Boca Juniors, nas fases eliminatórias da Libertadores.

Nas quartas, eliminando o Nacional. Nas quartas, despachando o Racing. E na semifinal, dando adeus ao favorito Palmeiras.

Diniz sabe o risco que corre.

E mais uma vez foi defensivo, ao analisar se o resultado da final será fundamental na sequência de sua relação com a torcida do Fluminense.

"Acho que o torcedor tricolor tem uma relação íntima com aquilo que é minha ideia de trabalhar. Não tem tanto a ver com o que aconteceu do ano passado para cá, mas em 2019. Um time com dificuldade de pontuar, era uma torcida dividida, tinha mais apoio do que falta disso, mas torcia para dar certo. Jogamos clássicos, perdemos e saímos aplaudidos mesmo na parte de baixo da tabela.

"No meu retorno os resultados apareceram de maneira mais positiva. A torcida tem um desejo imenso, esperamos que seja premiada, mas acho que consegue entender mais do que o resultado. Tem uma relação que ultrapassa essa camada entre campo e arquibancada, às vezes medida pela imprensa e redes sociais. 

"Todo tricolor pode ter certeza de que trabalho. Dedicação e entrega estão sobrando."

Pressionado, Diniz sabe.

A partida de hoje terá reflexos profundos na sua carreira.

Na seleção brasileira.

É o homem que tem mais a perder e a ganhar no Maracanã.

Há momentos no futebol em que a bola entrar ou não no gol adversário muda um destino.

Será o que estará em jogo para o mineiro Fernando Diniz Silva...

Amado e odiado: veja o retrospecto de Fernando Diniz, novo técnico interino do Brasil

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.