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Os frustrantes 17 anos de Endrick, vendido por R$ 400 milhões. No competitivo Palmeiras de Abel, não há espaço para seu talento

O primeiro ano de Endrick foi frustrante, para quem mostrou tanto talento na base. Ele não pôde jogar onde rende mais. Ocuparia o espaço de Veiga e, principalmente, de Dudu. O  jogador do Real Madrid foi mero reserva

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Endrick completa 17 anos. Um toque de frustração. Time montado de Abel não dá espaço a seu talento
Endrick completa 17 anos. Um toque de frustração. Time montado de Abel não dá espaço a seu talento Endrick completa 17 anos. Um toque de frustração. Time montado de Abel não dá espaço a seu talento

São Paulo, Brasil

Em 2022, primeiro, a manchete.

No dia 21 de julho de 2022, o primeiro contrato profissional assinado.

A presidente Leila Pereira, dirigentes, conselheiros apostavam.

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Estava "nascendo" para o futebol da elite o melhor jogador da história do Palmeiras.

Um jogador que abalou a fortíssima base do clube.

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Desde 2016, quando chegou, marcou 161 vezes em 188 jogos.

Atacante com muito talento, velocidade, personalidade e faro de gol.

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Real Madrid, PSG e o time com que sonhava quando garoto, o Barcelona, queriam sua contratação. 

Foi um leilão de altíssimo nível.

E o Real Madrid venceu, comprando seus direitos no dia 22 de dezembro de 2022, por 35 milhões de euros, cerca de R$ 187 milhões. Em duas parcelas de 17,5 milhões de euros, R$ 93,7 milhões.

Os famosos R$ 400 milhões serão pagos se tudo der certo e Endrick atingir as metas de gols, convocações, atuações no Real Madrid e na seleção.

Endrick era o principal jogador das seleções brasileiras de base nos últimos anos
Endrick era o principal jogador das seleções brasileiras de base nos últimos anos Endrick era o principal jogador das seleções brasileiras de base nos últimos anos

No ano passado, depois de muita pressão da mídia e da torcida, Abel Ferreira o pôs para jogar sete partidas com o Palmeiras profissional. Marcou três vezes.

Foi o jogador mais jovem da história do clube a fazer um gol, acabando com um recorde que durava 106 anos e que pertencia a Heitor.

A perspectiva era que ele fosse fazer de 2023 um ano sensacional.

Só que ele chega hoje, dia em que completa 17 anos, com uma perspectiva menor.

O talento, a velocidade, os dribles secos, objetivos, o faro de gol continuam.

Mas, em 32 partidas, só 16 como titular.

Sete gols e uma assistência.

Ou seja, dez gols desde que estreou, no dia 10 de outubro, no jogo contra o Coritiba.

Endrick marcou 'apenas' dez gols desde que foi profissionalizado, há um ano. Poucos, pela expectativa
Endrick marcou 'apenas' dez gols desde que foi profissionalizado, há um ano. Poucos, pela expectativa Endrick marcou 'apenas' dez gols desde que foi profissionalizado, há um ano. Poucos, pela expectativa

Números tímidos para tanta expectativa.

Ganhou, sim, três títulos no profissional, mas como reserva.

Na base, foi estrela nos oito que conquistou.

Até a festiva imprensa espanhola já pergunta se a aposta do Real Madrid não foi muito alta.

A febre por Endrick passou.

Nos jogos do Palmeiras, mesmo no Allianz, não há frisson, apelos, coro para que o atacante esteja em campo.

Muito pelo contrário.

O clima é de certo desconforto.

Embora ele esteja dedicado, treinando muito forte, ganhando massa magra, sem prejudicar a velocidade, aprimorando finalizações, cabeçadas, chutes de direita, de canhota, não consegue corresponder à expectativa de todos.

Com um estafe de 12 pessoas, desde coach, passando a nutricionista e preparador físico, Endrick não reclamará publicamente de nada.

Só que ele sabe que duas situações o estão prejudicando diretamente.

A primeira é óbvia.

Ele não atua como fazia na categoria de base.

Abel, melhor do que ninguém, sabe: o lugar de Endrick é na diagonal, pela esquerda. Sufocaria Dudu e Veiga
Abel, melhor do que ninguém, sabe: o lugar de Endrick é na diagonal, pela esquerda. Sufocaria Dudu e Veiga Abel, melhor do que ninguém, sabe: o lugar de Endrick é na diagonal, pela esquerda. Sufocaria Dudu e Veiga

Abel Ferreira não pode oferecer toda a diagonal do meio da intermediária para a esquerda para Endrick.

Porque ele ocuparia o espaço de dois atletas fundamentais ao Palmeiras.

Raphael Veiga e Dudu.

Pelo esquema de Abel Ferreira, não há essa possibilidade.

Para Endrick, a briga é para atuar mais avançado, entre os zagueiros, quase sempre de costas para o gol, procurando tabelar, ajudar os companheiros.

Chega a ser heresia, em relação ao jovem jogador, mas o vencedor treinador português pensa no time como um todo.

O outro fator foi a chegada de Artur, que se encaixou perfeitamente com Rony e Dudu.

Como negar a dinâmica, a agilidade, o entrosamento, a combinação de velocidade com objetividade do trio?

Como escalar o ainda prematuro Endrick?

Algo que Abel continua admirando é a postura do jovem jogador diante desse quadro decepcionante.

Nenhuma palavra contra o treinador, contra a falta de espaço para atuar onde realmente rende.

Tem aceitado críticas precipitadas, insistindo em afobação ou imaturidade.

Poucos pararam para comparar como ele atuava na base, onde era um "fenômeno".

Pelo combinado entre Palmeiras e Real Madrid, nesta mesma data, 21 de julho, no próximo ano, ele embarcará para a Espanha para se juntar ao elenco do time espanhol.

Fica difícil apostar em que status Endrick chegará.

No dia 21 de julho de 2022, era apontado como um "fenômeno".

Um ano depois, a febre baixou.

No Palmeiras e no Real Madrid, há a convicção de que o garoto de agora 17 anos continua sendo excepcional. E que está sofrendo para entender que não conseguirá atuar apenas como gosta. Desenvolvendo maneiras para sobreviver no competitivo futebol europeu.

O bilionário clube espanhol acompanha de perto as dificuldades de sua jovem estrela e a apoia incondicionalmente. O Palmeiras divide com o Real os índices físicos do atleta. Até as horas de sono. 

O comportamento de Endrick tem sido extremamente profissional.

Endrick foi o grande responsável pelo fim do tabu. Com ele, o Palmeiras finalmente venceu a Copa São Paulo
Endrick foi o grande responsável pelo fim do tabu. Com ele, o Palmeiras finalmente venceu a Copa São Paulo Endrick foi o grande responsável pelo fim do tabu. Com ele, o Palmeiras finalmente venceu a Copa São Paulo

Seu grande problema é o encaixe no time de Abel Ferreira.

Ele não é, e nunca foi, o jogador mais adiantado, o atacante de referência entre os zagueiros.

Mas é essa vaga que se apresenta a ele.

Quando, por instinto, cai para a esquerda, trava Dudu ou atrapalha o corredor aberto para Piquerez.

São sutilezas táticas importantes que atrapalham Endrick.

Ele se cala e treina.

E joga onde Abel precisar dele, mesmo onde não rende.

A situação é complicada, não é simples, já que o Palmeiras acumula vitórias e títulos com Veiga e Dudu.

Mas quem acompanha a fundo o clube verde sabe.

Se Endrick, agora com 17 anos, não rende o que se esperava dele, a "culpa" é do sucesso do objetivo e competitivo Palmeiras de Abel Ferreira.

Com suas peças encaixadas.

Entre o garoto e o time, Abel fica com o time...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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