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Cosme Rímoli - Blogs
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Endrick deu um tapa na cara dos racistas ao imitar o ‘rei dos gorilas’

Jogador de 17 anos disse que comemorou seu gol contra o Liverpool, no Uruguai, como o personagem King Kong. Porque gostou do filme. Mas imitar o ‘rei dos gorilas’, como é tratado Kong no cinema, é um tapa na cara dos racistas. O gesto não foi por acaso

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Endrick imitou King Kong. E quase causou briga generalizada. Não repetirá o gesto, já pensando na Espanha

“Eu não tenho pele branca, tenho pele negra mesmo, foi Deus que me deu esse tom.

“Não vou deixar esse tipo de coisa me abalar, mas me fortalecer.”

Essa é a resposta padrão que Endrick dá para os repórteres que perguntam a ele sobre racismo.

Não ataca abertamente os racistas.

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É orientado para não criar um clima ruim para ele.

Principalmente às vésperas de ir jogar na Espanha.

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Endrick sabe muito bem o que Vinícius Júnior sofre por enfrentar de peito aberto os racistas infiltrados em torcidas adversárias.

E com a cumplicidade discreta, de alguns veículos de comunicação espanhóis.

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A xenofobia é algo, infelizmente, presente na sociedade espanhola.

Endrick tem a personalidade muito forte.

Desde garoto não se dobra diante de ameaças de marcadores, vários muito mais forte fisicamente do que ele.

Embora muito jovem, não se intimida quando enfrenta veteranos, ameaçando fazer faltas violentas.

Cada vez mais ele está próximo de Vinícius Junior e de Rodrygo.

Não só pelo Real Madrid, onde jogarão juntos.

Mas por conta da Seleção Brasileira.

Os três são negros e esta questão do racismo é algo muito presente.

As questões não são colocadas de forma pública.

Mas brasileiros, jovens e de muito talento, em um clube europeu, os aproxima.

E também a cor da pele.

Endrick tem uma maneira de pensar, e agir, mais próxima do explosivo Vinícius Júnior do que de Rodrygo, mais contido.

O adolescente do Palmeiras impressiona também pela inteligência.

Além disso, tem um estafe de 12 pessoas para orientá-lo.

Quando ele decidiu, já contra o Independiente del Valle comemorar celebrando King Kong, sabia que o que estava fazendo.

É ingenuidade imaginar que só estava homenageando um personagem do cinema.

Quando racistas decidem atacar um jogador negro escolhem a covarde, a absurda comparação com macacos.

Os gestos de Endrick batendo no peito diante da torcida do Liverpool, ao marcar seu gol, na goleada por 5 a 0, é muito mais profundo do que parece.

Não é uma simples provocação, como foi analisado pela torcida e jogadores do time uruguaio.

Imitar o ‘rei dos gorilas’ é um tapa na cara destes racistas.

Sendo goleados, humilhados, pelo Palmeiras, diante de sua torcida, os jogadores do Liverpool viram na imitação de Endrick um ato de arrogância, prepotência.

Não tiveram a calma para analisar profundamente o ato.

E nem seria obrigação deles, entender a questão sociológica, passando vergonha contra os brasileiros.

Endrick deu seu recado.

Escapou da briga generalizada pulando placas de publicidade.

E pela defesa dos seus companheiros.

Tomou cartão amarelo e quase prejudica o Palmeiras, que vivia uma noite marcante.

Conselheiros garantem que ele já recebeu a orientação de evitar repetir a comemoração.

Mas é impossível garantir que cumprirá a determinação.

Endrick já deixou claro.

Não será um jogador como a grande maioria.

Já mostra caráter para enfrentar brigas que a maioria dos jogadores fogem.

E a do racismo é uma das mais importantes...


Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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