É guerra! Ramón Díaz busca sobreviver. Abel, o tetra e o impulso para o Super Mundial de Clubes. Memphis e Estêvão duelam pelo primeiro título
Corinthians e Palmeiras, hoje, às 21h35, tem peso inédito na decisão do Paulista. Há muito em jogo na decisão. A começar por Ramón, abalado com a eliminação da Pré-Libertadores. Abel quer confiança para o Mundial. Título vale R$ 5 milhões para os jogadores campeões

Chegou!
Depois de muita expectativa, aumentada pelos 11 dias de Data-Fifa, os grandes rivais se encaram.
O título paulista poucas vezes valeu tanto.
Na Neo Química Arena, o melhor gramado do Brasil, Corinthians e Palmeiras irão para a guerra.
Não é figura de linguagem.
Os dois clubes estão absolutamente envolvidos, preparados, prontos para ‘dar a vida’, como repete Ramón Díaz.
O técnico argentino sabe muito bem do que fala.
Sua continuidade no Parque São Jorge está amarrada à conquista do título.
O peso da eliminação da Pré-Libertadores ainda é forte demais.
O Corinthians perdeu para o Barcelona, de Guayaquil, o maior objetivo de 2025.
A decisão do Paulista surge como uma compensação, alívio imediato para quem deseja o técnico demitido.
O prazer de evitar o tetracampeonato paulista do rival traria confiança para o restante do ano.
A certeza de poder brigar por alvos grandes como a Copa do Brasil, a Sul-Americana e o Brasileiro.
Mostrar que a queda na Pré-Libertadores foi mero acidente de percurso.

A primeira resposta já foi dada no Allianz Parque, com a vitória por 1 a 0, no primeiro jogo da final.
Vitória de Ramón, tática, que travou Estêvão e Raphael Veiga, de maneira perfeita.
E fez o badalado elenco de Abel Ferreira apelar para 40 cruzamentos inúteis.
O Corinthians marcou, preencheu os espaços, estrelas como Memphis e Yuri Alberto se desdobraram, como volantes.
Ainda se apresentaram para organizar o contragolpe fatal.
Romero foi importantíssimo, substituindo o cerebral Garro, com fortes dores nos dois joelhos.
O argentino é dúvida para a partida de hoje.
Se não puder atuar, o paraguaio tem tudo para repetir o que fez no Allianz, travando seu amigo Richard Ríos.
O Corinthians já foi eliminado da Pré-Libertadores na sua casa, em Itaquera, ver o Palmeiras comemorar o tetra paulista, no seu gramado, diante de mais de 45 mil torcedores, seria pesado demais para Ramón.
Ele trabalhou a mesma formação tática.
Com a vantagem de 1 a 0, podendo ser campeão empatando, não há porque buscar o ataque, sair para o jogo.
Oferecer o contragolpe, que Abel tanto ama.
Haverá a pressão dos torcedores para que o Corinthians busque marcar gols, desfaça suas linhas de quatro e cinco atletas, enquanto Yuri Alberto flutua dos dois lados na frente.
Mas Díaz, com 65 anos e tendo conquistado 16 títulos, sabe que a obrigação de buscar o gol é do Palmeiras.
Fazer um jogo traiçoeiro, de contragolpes pelas laterais, principalmente, a direita é o plano corintiano
Nos 11 dias de separação entre o primeiro confronto e hoje, o desgaste físico é algo que não pode ser desprezado.

Memphis atravessou o Oceano Atlântico, jogou as duas partidas pela Holanda contra a Espanha. Foram 185 minutos em campo, pela Copa das Nações. Pelas Eliminatórias Sul-Americanas, Carrillo, 170 minutos, Felix Torres, 99 minutos, Martínez, 78, e Romero, 8 minutos.
Já os palmeirenses têm enorme vantagem. Só Richard Ríos jogou os 180 minutos, das partidas da Colômbia. Estêvão, Weverton, Martínez, Facundo Torres e Piquerez sequer entraram em campo. Só excursionaram e treinaram, com suas seleções.
E é exatamente esse o trunfo de Abel Ferreira.
A força física do seu elenco, mais descansado, mais bem preparado.
Além de algo impressionante.
Nas três vezes que o Palmeiras venceu os últimos Paulistas foram com viradas.
Ou seja, perdeu o primeiro jogo final.
E ganhou o decisivo, com a diferença de gols necessária.
2022. Derrota por 3 a 1 para o São Paulo, em 2022, no Morumbi.
Vitória por 4 a 0 no Allianz Parque.
2023. Derrota por 2 a 1 para o Água Santa, em Diadema.
Goleada por 4 a 0, no Allianz Parque.
2024. Derrota por 2 a 1 para o Santos, na Vila Belmiro.
Vitória por 2 a 0, no Allianz Parque.
Desta vez, no entanto, a reviravolta precisa acontecer na casa do adversário.
Será muito mais difícil.
Tanto que Abel teve reunião com os médicos, fisioterapeutas, fisiologistas e preparadores físicos.
Ele tentou nestes 11 dias a recuperação de um jogador com capacidade de ser fundamental nesta final.
Maurício.

O meia teve luxação no ombro direito.
A sua recuperação era quase impossível para o jogo de hoje.
O Palmeiras estranhamente divulgou fotos do atleta treinando.
O que leva a dois pensamentos.
O primeiro, básico, que está liberado e vai jogar, livrando Raphael Veiga de ser o único articulador palmeirense.
O segundo, muito possível, não passar de um blefe de Abel, mostrando um atleta sem condição de entrar em campo, para atrapalhar o trabalho tático de Ramón Díaz.
Se Maurício atuar, o Palmeiras assumirá como o time que vai propor o jogo, buscar vencer no campo corintiano.
Mas com infiltrações, tabelas, triangulações, repartindo os lançamentos, inversões e chutes de fora da área com Veiga.
Caso seja blefe, o time de Abel vai sofrer.
No seu elenco falta alguém com esse poder de articulação, como era Scarpa, e Veiga será sobrecarregado, de novo.
Em compensação, a explosão e movimentação de Vitor Roque estão compreendidas pelo time.
O jogador de 20 anos teve tempo o suficiente para entender o que fazer, quando Estêvão e Facundo Torres pegarem a bola pelas laterais.
Aliás, Estêvão jogará hoje a primeira e última possibilidade de ser campeão como titular do Palmeiras, no Brasil, antes de ir para o Chelsea.
Ele disputará o Super Mundial.
Mas o jovem atacante de 17 anos precisa se impor nos clássicos.
Jamais marcou contra Corinthians, Santos e São Paulo.
É uma marca negativa que o atrapalha.
O plano tático do Palmeiras, para tentar uma virada histórica, é marcar o Corinthians na saída de bola.
E muito mais movimentação do meio-campo para o ataque.
Ao contrário do que aconteceu na derrota para o Allianz.
O holandês Memphis, maior salário do futebol brasileiro, R$ 5 milhões a cada 30 dias, disputará sua primeira final pelo Corinthians.
Chance de dar o retorno a tanta expectativa.

As duas diretorias não confirmam oficialmente, mas agentes de jogadores, confirmam.
Os atletas campeões dividirão o prêmio da Federação Paulista pelo título.
R$ 5 milhões.
Mais do que o dinheiro, a decisão de hoje vale o futuro de 2025.
Para o Corinthians, que não vence o Paulista há seis anos.
E ao Palmeiras, lutando pelo inédito tetracampeonato estadual.
A guerra tem horário de início marcado: 21h35...
Finalíssima do Paulista põe um lado o argentino Ramón Díaz e, do outro o português Abel Ferreira
A finalíssima do Paulistão reservará um embate estratégico de dois técnicos que vivem histórias diferentes pelos rivais da capital paulista. De um lado, o argentino Ramón Díaz, que ainda não perdeu para o Palmeiras desde que chegou ao Corinthians, e do outro o português Abel Ferreira, que teve sua invencibilidade de três anos contra o Corinthians quebrada por Díaz. Quem deles levará o Paulistão?
Montagem R7/ Rodrigo Coca/Agência Corinthians/16.03.2025/Cesar Greco/Palmeiras/20.02.2025