Cosme Rímoli Duelo entre Messi e Neymar. Para salvar Copa América do ostracismo

Duelo entre Messi e Neymar. Para salvar Copa América do ostracismo

Eurocopa tem capitalizado a atenção do mundo. Conmebol fez a tabela da Copa América para que Neymar e Messi decidam o torneio no domingo. O duelo é a única situação interessante

  • Cosme Rímoli | Do R7

Para salvar a Copa América do ostracismo. Final encaminhada terá duelo entre Neymar e Messi

Para salvar a Copa América do ostracismo. Final encaminhada terá duelo entre Neymar e Messi

Fernando Bizerra/EFE

São Paulo, Brasil

A mais triste Copa América está na reta final.

Disputada em plena pandemia, ainda descontrolada no Brasil, com 523 mil mortos, até ontem, a competição, sem a euforia do público, fica constragedora comparada à Eurocopa.

O mundo acompanha de perto o torneio no Velho Continente.

Com seus estádios lotados, os países muito mais ricos e desenvolvidos se mostram no caminho de controlar o terrível vírus.

São 154 casos de covid-19 no torneio sul-americano, uma média de sete infectados por dia. Entre jogadores, comissões técnicas e funcionários.

Nada se compara. Os improvisados gramados brasileiros, que sediam o torneio recusado por Argentina e Colômbia, são constrangedores. As principais seleções europeias se mostram muito à frente taticamente, no conjunto e, detalhe fundamental, fisicamente. A intensidade dos jogos faz parecer as partidas da Copa América disputadas em câmera lenta.

Mas há uma disputa que os sul-americanos estão na frente.

No talento individual.

Messi e Neymar estão muito acima dos destaques da Eurocopa. 

Locatelli, Imobbile, Harry Kane, Sterling, Foden, Christian Eriksen e Llorente são jogadores de conjunto. Rendem por conta da estratégia, da intensidade, do deslocamento dos companheiros.

Vivem situações inversas do argentino e do brasileiro, cujas seleções são absolutamente dependentes dos dois camisas 10.

Tendo nas mãos muito menos talentos, a Conmebol foi prática. E encaminhou, como era previsível, Brasil e Argentina em caminhos diferentes. Para que possam disputar a final e chamar o mínimo de atenção do mundo para a fraquíssima competição disputada no Brasil.

Tudo ficou ainda mais fraco ontem.

Com a Colômbia despachando o Uruguai, de Cavani e Suárez, nos pênaltis.

As desinteressantes semifinais terão Brasil e Peru, amanhã, no Engenhão, estádio que a seleção de Tite detesta, por conta do indecente gramado. E Argentina e Colômbia no Mané Garrincha, na terça-feira.

Na Europa, Itália e Espanha na terça-feira. E na quarta, Inglaterra e Dinamarca.

Itália, time espetacular na Eurocopa. Mas o talento está no conjunto, não em um só jogador

Itália, time espetacular na Eurocopa. Mas o talento está no conjunto, não em um só jogador

Frank Augstein / POOL / AFP - 26/06/2021

Se não houver um cataclisma, a final sul-americana reunirá, no Maracanã, no próximo sábado, Messi e Neymar.

E no duelo entre os dois amigos, o vencedor tem toda a probabilidade de ficar com o título, pela dependência do seu time.

Messi está vivendo um momento especial na competição. Marcou quatro gols. Deu quatro assistências. Marcou ontem, contra o Equador, seu 58º gol de falta na carreira.

Tem 76 gols com a camisa da Argentina. A apenas um gol de Pelé, que fez 77 pelo Brasil. 

O recordista é Cristiano Ronaldo, com 109. Mas igualar ou passar Pelé no número de gols, em qualquer situação, é um feito.

Messi jamais venceu um torneio profissional com a camisa da seleção argentina.

Seria sensacional ganhar e ainda no territória do maior rival, o Brasil.

Aos 34 anos, Messi sabe que está na parte final de sua carreira e quer fazê-la especial. Principalmente com a camisa de seu país. A alegria, a vibração com que está jogando pela Argentina, são diferenciadas.

Já Neymar segue sua sina.

É o maior driblador do torneio, com 15 investidas contra adversários, com a bola dominada, que deram certo. É o jogador que mais recebeu faltas, 22. Deu duas assistências. E marcou dois gols.

Aos 29 anos, ele estava visivelmente mais desgastado do que Messi. Cansado pelas sequências de duas temporadas grudadas pela pandemia. O sucesso do PSG, em relação à decadência do Barcelona, tem um peso enorme no cansaço de Neymar. Assim como sua vida pessoal. Mesmo com a pandemia, se divertiu muito com seus parças e amigos em noitadas particulares.

O duelo entre os dois maiores talentos com a bola nos pés não tem direito a mais emoção, drama. Por conta da profunda amizade entre os dois. Se tratam como irmãos, por conta das quatro temporadas que passaram juntos no Barcelona.

Se adoram, são amigos. E sempre desejaram voltar a atuar juntos. Neymar forçou por dois anos seguidos a volta a Barcelona. Messi tem uma proposta do PSG. Responderá após a Copa América, apesar de seguir na Catalunha parecer ser o mais óbvio.

E Neymar voltar ao PSG, em mais uma tentativa de conquistar a sonhada Champions League. Com, provavelmente, Sérgio Ramos. Sem saber se com Mbappé ou não. E cruzando os dedos por Messi.

Antes, o duelo particular e que estimula os dois.

Cavani e Suárez. Uruguai eliminado pela Colômbia. Copa América ainda mais sem graça

Cavani e Suárez. Uruguai eliminado pela Colômbia. Copa América ainda mais sem graça

Conmebol

Ambos disputando a chance de ganhar a primeira Copa América.

E ser o melhor do torneio.

Essa disputa entre os dois virou o melhor do Sul-Americano de Seleções.

Que não deveria ter sido disputado, em respeito aos mortos pela covid. Não só no Brasil, mas em todo continente.

Mas a ganância da Conmebol exigiu.

E o Brasil aceitou.

Depois de tantas partidas de baixo nível técnico, resta esperar uma final importante.

Entre a Argentina e o Brasil formação.

E na dependência eterna de Neymar e Messi...

Em má fase no Real e na Bélgica, Hazard compra mansão de R$ 70 mi

Últimas