Cosme Rímoli Dívida de R$ 12 milhões é a prova. Contrato com Daniel Alves é irreal

Dívida de R$ 12 milhões é a prova. Contrato com Daniel Alves é irreal

O São Paulo tem de pagar R$ 61,5 milhões até 2022 ao veterano lateral, que exige jogar como volante. Negociação absurda, que jamais atraiu patrocinadores

  • Cosme Rímoli | Do R7

Daniel Alves. Contrato de R$ 61,5 milhões com o São Paulo. Ninguém ganhou tanto no Morumbi

Daniel Alves. Contrato de R$ 61,5 milhões com o São Paulo. Ninguém ganhou tanto no Morumbi

Rubens Chiri/São Paulo

São Paulo, Brasil

A ideia foi de Raí.

E abraçada pelo inseguro ex-presidente Leco.

O ex-executivo do São Paulo, sabia, já em junho de 2019, o quanto o elenco era inseguro, tenso, sem personalidade e fraquejava diante de qualquer pressão.

Foi quando Raí decidiu buscar o 'líder dos sonhos'.

Afinal, havia conquistado soma 42 títulos oficiais no futebol.

Recordista mundial.

E fechou com Daniel Alves, enquanto ele disputava a Copa América, disputada no Brasil. Pouco importava para a diretoria o péssimo nível do torneio, mas o desempenho do jogador, escolhido como o melhor de todos.

E capitão, levantou a taça, no Maracanã.

Ganhou abraços, beijos de Tite, de Neymar.

Daniel Alves ficou certo que encaminhou sua ida para o Catar, com a Seleção.

Tudo ficaria ainda mais fácil depois de fechar contrato até dezembro de 2022. Vestir a camisa do seu coração, em um clube com enorme infraestrutura. Com Raí na diretoria e a promessa de montar time para ser campeão da Libertadores, disputar o Mundial.

Raí tinha certeza, em agosto de 2019, que o São Paulo não gastaria um mísero real com Daniel Alves. Os patrocinadores fariam fila para pagá-lo e ter o privilégio de vê-lo em publicidade de suas marcas.

O acordo foi fechado da seguinte maneira.

O inseguro Leco e Raí são os responsáveis pela contratação caríssima do veterano

O inseguro Leco e Raí são os responsáveis pela contratação caríssima do veterano

Rubens Chiri/São Paulo

O São Paulo pagaria R$ 500 mil em carteira assinada, como salário. E mais R$ 1 milhão seriam pagos em luvas e direito de imagem.

Daniel Alves havia combinado antes de se apresentar no Morumbi. Falou para Raí que iria jogar como segundo volante e não mais na lateral. Mesmo sendo um dos melhores laterais direitos do mundo. Sua escolha era para se poupar fisicamente para a Copa do Mundo.

O fato de ser camisa 10, midiático, capitão da Seleção campeã da Copa América amenizou o absurdo desejo do jogador.

E logo depois que a empolgação passou, ficou escancarado o enorme erro.

Como segundo volante, e cobrador oficial de faltas e escanteios, Daniel Alves é um jogador comum. No dia 6 de maio ele completará 38 anos. Seu vigor físico não é o mesmo do Barcelona, da Juventus, do PSG. 

Tite não é tolo.

E tem deixado Daniel Alves fora do grupo que está montando para a Copa de 2022.

Faz um ano e nove meses que ele não atua como lateral. E como segundo volante não tem mostrado futebol nem para a reserva.

O 'plano perfeito' de Raí foi um fracasso.

Mal o São Paulo conseguiu manter o pagamento dos R$ 500 mil. O R$ 1 milhão restante foi adiando.

A ponto de acumular R$ 12 milhões em dívidas com o jogador.

O presidente Julio Casares já havia adiantado a amigos esta dívida enorme, antes mesmo de assumir o lugar do inseguro Leco.

Avisou conselheiros que ele não tinha nada a ver com a negociação. A não ser a consequência do enorme erro de avaliação.

Tite sabe que Daniel Alves é 'comum' como volante. E não tem mais vigor para jogar como lateral

Tite sabe que Daniel Alves é 'comum' como volante. E não tem mais vigor para jogar como lateral

Reprodução/Youtube

Está encurralado.

O sonho de buscar parceiros é irreal.

Não só pela profunda crise pela pandemia.

Mas pelos fracassos do São Paulo com Daniel Alves.

Mesmo com ele, o clube só aumentou seu jejum, o acúmulo de fracassos.

Com um ano e oito sete meses no clube, a falta de conquistas do São Paulo, tricampeão mundial, já atinge oito anos e três meses.

A situação só se complica.

"O São Paulo deve cerca de R$ 580 milhões", assumiu o próprio Casares.

Daniel Alves ganha um terço a mais que toda equipe de Crespo, que recebe R$ 1 milhão

Daniel Alves ganha um terço a mais que toda equipe de Crespo, que recebe R$ 1 milhão

Rubens Chiri/São Paulo

Não há sequer uma empresa interessada em patrocinar Daniel Alves.

Ele perdeu o status de 'intocável', que tinha com Fernando Diniz.

Por pior futebol que mostrasse, o treinador não o substituía.

Com Hernán Crespo, a situação é diferente.

Ele quer o São Paulo veloz, intenso, vibrante.

Quando ele sentir Daniel Alves cansado, improdutivo, vai tirá-lo de campo.

O enrosco é profundo porque o jogador sabe que não tem mercado nos grandes clubes da Europa. Talvez nem nos médios.

E, se for para um time pequeno europeu, ou para mercados menos importantes, como Estados Unidos, Arábia, Japão ou China, será esquecido de vez por Tite.

Dará adeus à chance de disputar o Mundial do Catar.

Daniel Alves tem a situação financeira definida na sua vida.

Com seu trabalho e sucesso no Sevilla, Barcelona, Juventus e PSG.

Pode seguir credor do São Paulo.

Recebendo um terço do combinado e vendo a dívida crescer.

Ele não tem dúvida que receberá, já que tem o contrato nas mãos.

E trabalha com um escritório de advogados de alto nível.

Está tranquilo.

Sabe que até seus 39 anos e sete meses tem direito a R$ 1,5 milhão por mês do São Paulo.

Conquistando ou não títulos.

Sendo titular, reserva.

Enquanto isso, Casares se desespera.

Não sabe o que fazer.

Só tem a consciência que há dois caminhos.

Seguir amarrado ao contrato draconiano feito por Raí e pelo inseguro Leco.

Ou, no futuro, tentar uma rescisão amigável.

No momento é algo que não interessa Daniel Alves.

Ele apenas contabiliza a dívida.

Que não para de crescer.

O acordo é de 41 meses.

Ou seja, R$ 61,5 milhões até dezembro de 22.

Ninguém,na história, ganhou tanto dinheiro no Morumbi...

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