Cosme Rímoli Clubes pressionam governo federal. Querem sair do atraso. E virar S/A

Clubes pressionam governo federal. Querem sair do atraso. E virar S/A

Para sobreviver, equipes decidem abrir seus capitais para empresas ou bilionários. Aceitam ter donos. Como na Europa. Optam pela modernidade

Clubes falidos, times ruins, torcedores desinteressados. Amadorismo puro

Clubes falidos, times ruins, torcedores desinteressados. Amadorismo puro

Arquivo Pessoal

São Paulo, Brasil

Pressionar o governo federal para revolucionar o futebol brasileiro. Abrir de vez os clubes para o investimento estrangeiro, permitir que grandes empresas multinacionais ou até pessoas se tornem donas das equipes.

E encarar a modernização do S/A, as sociedades anônimas. 

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Ato que transformou o futebol europeu e permitiu que as grandes estrelas do futebol mundial ficassem por lá, para inveja dos demais continentes. Principalmente a América do Sul, que se sujeita apenas a formar garotos e vendê-los ao Velho Continente. Deixando no país, os jogadores fracos, sem potencial para atuar na elite, ou que já voltaram de lá, desgastados.

Fora o fenômeno cada vez mais comuns, a saída de garotos com potencial, levados para a Europa por empresários, entre 14 e 16 anos. Até meninos de 12 anos são cobiçados por agentes. Ou até pior, muitos pais com sérios problemas financeiros, batem nas portas de escritórios de empresários implorando para que assumam as carreiras dos filhos.

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Porém, muito mais do que a preocupação com elevar o péssimo nível do futebol neste país, a preocupação dos dirigentes é outra. Buscar empresas ou bilionários dispostos a arcarem com décadas de administrações incompetentes, irresponsáveis e até corruptas. 

Como o blog havia antecipado, em 2014, o gesto demagógico da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, de dividir R$ 4 bilhões de dívidas públicas dos clubes com o governo, para que fossem pagas em 20 anos, o famoso Profut, não passou de balela. 

Vale a pena destacar o fracasso anunciado, com pompa, circunstância e bênção do falecido movimento Bom Senso.

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Dilma, que tinha a seu lado Temer, então seu fiel vice, declarou. O benefício de dividir as dívidas públicas que os clubes tinham com o governo em 20 anos seriam suspensos. 

Os itens: perda de pontos dos clubes que atrasassem salários, até mesmo rebaixamento; as contratações milionárias seriam controladas, com as equipes proibidas de gastarem mais de 70% de suas receitas; o governo teria acesso mensal aos balanços dos times, nos mínimos detalhes; clubes que atrasassem salários perderiam os benefícios fiscais; proibição de dirigentes usarem receitas dos próximos mandatos, principalmente da televisão; obrigação de investimento na base e, com maior destaque, no futebol feminino.

Tristes os ingênuos que acreditaram.

O fracasso do Profut. R$ 4 bilhões de dinheiro público. Não resolveram nada

O fracasso do Profut. R$ 4 bilhões de dinheiro público. Não resolveram nada

Divulgação

Após a aprovação festiva do parcelamento absurdo da dívida em 20 anos, a bancada da bola, políticos que representam os principais clubes em Brasília, fizeram mudanças significativas no Profut. 

O benefício do parcelamento ficou e as obrigações foram esquecidas. A única alteração significativa foi o impedimento de reeleições eternas, como acontecia por décadas. As demais exigências governamentais viraram piada. Nenhum clube foi rebaixado por atrasar salários. Por exemplo, o Corinthians, campeão brasileiro de 2015 e 2017 conquistou os títulos pagando seus jogadores e treinadores atrasados.

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As cotas de televisão seguem antecipadas. 

E a maioria dos clubes despreza o futebol feminino, como sempre.

Só o dinheiro público que foi comprometido na medida demagoga.

Empresas e mais empresas acabaram fechadas na recessão. Se tivessem o direito de parcelar suas dívidas, como os clubes, estariam em pleno funcionamento. O desemprego não seria realidade para parte dos 13,6 milhões de brasileiros.

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Mesmo com todo esse protecionismo, as dívidas se acumularam.

E dirigentes de grandes clubes seguiram planejando como sair desse atraso, com vários equipes em regime pré-falimentar.

A 'nova solução' é radical.

Abandonar a hipócrita expressão associações sem fins lucrativos. E se assumirem como sociedades anônimas. Virando empresas, abrindo seu futebol para investidores. Calculando seu valor e dividindo o preço em ações que podem ser compradas no mercado aberto. Por empresas ou pessoas.

Como acontece, por exemplo, no futebol inglês, francês, italiano. Por trás do Manchester City, existe o domínio de um grupo dos Emirados Árabes associado ao uma empresa chinesa; a família real catariana é dona do Paris Saint-Germain. A tradicional Inter de Milão pertence ao grupo chinês Sunning, do bilionário Zhang Jindong.

Há exageros, lógico. Como o bilionário Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull. Ele decidiu que quatro equipes no mundo iriam propagar a marca do seu energético. Na Áustria, na Alemanha, nos Estados Unidos e, no Brasil. Caminha para 11 anos, o clube pequeno, em Campinas, que já adota a postura de sociedade anônima.

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CBF

O Figueirense foi no mesmo caminho. Com uma adaptação. O futebol do clube, que estava mergulhado em dívidas, foi arrendado por 20 anos, com direito a renovação por mais 15. Empresários o controlam. E os conselheiros, sem direito a interferir, podem fiscalizar como o dinheiro está sendo usado.

O que representantes do Corinthians, Coritiba, Atlético Paranaense, Cruzeiro e Flamengo querem hoje, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e com Michel Temer, se ele aparecer no almoço, é a adequação na legislação brasileira. Os clubes virarem sociedades anônimas de vez, com tudo que envolva o futebol aberto para o investimento. 

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Jogadores, Centros de Treinamento, estádios, patrocínios, direito de televisão, tudo ficaria sob o controle de empresas ou pessoas que comprassem esse direito.

Os sócios e conselheiros teriam direito apenas ao resto. Tudo que envolvesse a equipe, piscinas, outros esportes. Menos o futebol. Até mesmo o presidente veria seu poder extinto diante do dono do clube.

A resistência na Europa foi vencida com grandes investimentos.

Não só na contratação de jogadores, como na construção de arenas, Centro de Treinamento, sem afetar a vida social de clubes centenários.

Além dos cinco clubes que pediram o almoço com Rodrigo Maia, vários clubes já estudam essa mudança de Sociedade Anônima no seu futebol. 

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No São Paulo já há discussões poderosas entre conselheiros. No Fluminense e no Vasco também se analisa este caminho. Assim como no Atlético Mineiro existem seus defensores. Como no Internacional. 

O lobby dos clubes já é grande.

Rodrigo Maia não aceitou esse almoço à toa.

O governo federal já sabe do desejo dos clubes.

Cada clube grande tem milhões de torcedores.

E torcedores, no dia 15 de novembro, viram eleitores.

A eleição para presidente é oportuna aos clubes.

As administrações amadoras fracassaram.

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Reprodução/Facebook

As equipes brasileiras perderam competitividade financeira diante dos europeus, chineses, árabes.

A CBF acaba de divulgar que só nesta janela de negociações, que foi aberta no dia 2 de julho, nada menos do que 187 jogadores foram embora do país.

A janela só fechará no dia 31 deste mês de agosto. Novas saídas acontecerão. Isso não merece ser comemorado. Mas lamentado.

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O nível técnico do futebol daqui seguirá piorando.

Fora as administrações irresponsáveis, atrasadas, incompetentes e até corruptas de muitos clubes deste país.

Desde que exista transparência, os clubes precisam se assumir como empresas.

Só assim para ter times realmente competitivos diante do mundo.

Chega de Seleções Brasileiras com 23 jogadores em Copa.

E só com três reservas atuando por aqui.

As sociedades esportivas sem fins lucrativos não se justificam.

O amadorismo está por trás desse fracasso...

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