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Cinco motivos concretos para dar esperança ao Brasil na Copa. Ninguém tem o potencial do time de Tite no Catar

A derrota diante de Camarões assusta. Mas foi com os reservas. O talento e a força física da equipe principal trazem esperança de recuperação. Não há equipe na Copa com tanta variação e jogadores decisivos como o Brasil

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Nenhuma outra seleção aqui no Catar tem o potencial do Brasil. A solução dos problemas está com o time
Nenhuma outra seleção aqui no Catar tem o potencial do Brasil. A solução dos problemas está com o time Nenhuma outra seleção aqui no Catar tem o potencial do Brasil. A solução dos problemas está com o time

Doha, Catar

Uma derrota da Seleção em Copa sempre traz questionamentos. Principalmente se ela for histórica, como foi ontem, diante de Camarões. Pela primeira vez o Brasil perdeu para um time africano em um Mundial.

As cobranças são muitas, as críticas. 

Mas desta vez há motivos concretos para ter esperança de uma reviravolta, aqui no Catar. As respostas estão no próprio futebol que o time de Tite já mostrou.

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Aliás, são cinco razões para acreditar em uma reviravolta.

A primeira: o potencial do time. Contra Sérvia, Suíça e mesmo Camarões, o Brasil dominou os três jogos. Pressionou os adversários na defesa. Deu nada menos do que 52 chutes a gol na fase de grupo G.

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Ninguém criou tanto.

Dá em média 16 arremates por jogo.

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Em chances reais, diante do goleiro adversário, foram oito.

Enquanto só sofreu duas oportunidades verdadeiras.

E dos jogos sem o seu principal jogador, o mais criativo, talentoso, Neymar.

A segunda: justamente Neymar. O jogador está no processo final de recuperação do seu tornozelo direito. Ele e o departamento médico e também Tite têm plena noção que não há mais espaço para erros no Mundial.

E que o Brasil precisa de sua presença em campo na segunda-feira contra a Coreia do Sul. Por conta de tudo o que ele significa como jogador e como líder técnico, talentoso desde time aqui em Doha.

Se fosse a Copa fosse um campeonato longo, o meia-atacante provalvemente seria poupado, teria mais tempo de recuperação. Mas não é. Por isso, a prioridade absoluta para que ele estivesse em campo já na fase eliminatória do Mundial.

Apesar de ser a Coreia do Sul, adversário mais fraco do que Uruguai e Portugal, que eram duas outras oportunidades de confronto, Tite sabe que o jogo vale a sobrevivência no Catar.

Muitas vezes em um esporte de alta competição e confrontos como é o futebol, a escalação depende do próprio jogador. O médico, as ressonâncias magnéticas, os exames de imagem ficam em segundo plano. Enfrentando as próprias dores e limitações humanas, o atleta aceita o desafio.

E Neymar quer jogar, de qualquer maneira, contra os sul-coreanos. Será testado hoje, amanhã e, se preciso for, na segunda-feira pela manhã. O médico Rodrigo Lasmar sabe da necessidade que a Seleção tem do seu principal jogador. E está fazendo tudo que atue nas oitavas.

Com o camisa dez, a Seleção é outra.

A terceira: Rodrigo, Vinicius Junior, Richarlison, Antony e Gabriel Martinelli

O alto rendimento desses jogadores diante de fortes sistemas defensivos foi marcante. Mesmo diante dos poucos gols que o Brasil conseguiu marcar.

Individualmente, o quarteto mostrou que, apesar de serem novatos, estreantes em uma Copa do Mundo, conseguiram ser os responsáveis por lances inesperados, de extrema técnica que acabaram por encontrar caminhos para arremates, chances reais de gols.

Tite está muito contente com o desempenho desses jogadores. E os têm incentivado a usar a explosão muscular, habilidade, improviso. 

Na participação de cada um deles no Mundial, o desempenho individual não só impressionou, mas conseguiu fazer com o sistema defensivo rival fosse várias vezes desmantelado.

O pecado ficou nos arremates finais, na definição, nos gols desperdiçados.

O Brasil fez o mais difícil, criou.

Se tiver mais concentração no toque final, a pressão que o time vive hoje, pela derrota diante de Camarões diminuirá.

A quarta. A força física. O Brasil tem se adaptado fisicamente ao calor que está enfrentando aqui no Catar. O calor, de média, 29 graus, é controlado apenas nos estádios. Mesmo com o uso de ar condicionado que usam turbinas de última geração, a temperatura nos jogos é de 26 graus.

O que é ainda uma temperatura alta para os europeus e mesmo para os sul-coreanos. A adaptação dos brasileiros, mesmo os que atuam no Velho Continente, tem sido excelente. Mesmo nos treinamentos, os atletas mostram alto grau de rendimento. Até porque esta Copa está sendo disputada no final do ano, ou seja, no meio da temporada europeia e não no fim, como costumam ser todas. Exatamente por conta do clima desértico do Catar.

A quinta e definitiva razão: o nível técnico dos adversários.

Coreia do Sul nas oitavas e Japão ou Croácia nas quartas. São motivos animadores, sim. Sem menosprezo. Mesmo que o discurso de Tite seja cauteloso e tente menosprezar o amistoso no dia 2 de junho, há seis meses, o Brasil jogou contra o time que está aqui no Catar.

O jogo foi em Seul.

O resultado, 5 a 1 para o time de Tite e desperdiçando a chance de uma goleada histórica. O desnível técnico entre os dois selecionados é enorme.

Tanto que a Comissão Técnica brasileira estudava com muito mais afinco as seleções uruguaias e portuguesas, acreditando que seriam as duas que ficariam com as vagas no grupo H.

Não há comparação. O Brasil é superior entre todos os setores na partida de segunda-feira.

Por mais que a pressão psicológica esteja contrária ao time de Tite, basta o elenco ter equilíbrio e colocar em prática o que vem treinando, que a vitória virá.

Como tudo que cerca a Seleção Brasileira é passional, vencendo as oitavas, virão as quartas.

E o encontro com japoneses ou croatas. Os dois times mostram problemas graves. Maiores que o time de Tite. O oriental, além de ser muito menos talentoso, se ressente na recomposição, ou seja, na volta do seu time para os contragolpes. A defesa é falha. 

Mas a entrega de seus jogadores é incrível. Foi assim que conseguiu vencer a Alemanha na estreia e os reservas da Espanha na última partida do grupo E. Caso o Brasil iguale a dedicação seja mais objetivo nos ataques, a lógica aponta também uma vitória.

A Croácia tem um problema diferente. A geração vice-campeã mundial de 2018 está envelhecida. Os jogadores agora não conseguem mais dominar o ritmo de jogo, trocando passes, atuando em bloco, como fizeram na Rússia.

O time é mais espaçado. O cerebral Modric, aos 37 anos, e com o clima seco, calor forte que faz aqui no Catar não dá o ritmo veloz nos contragolpes. O time tem falha claras nas laterais. 

Não empatou com o Marrocos e escapou de uma goleada para a Bélgica, com Lukaku tendo a coragem de perder quatro gols feitos à toa. Só venceu o limitado Canadá.

São adversários que o Brasil pode vencer e ganhar recuper a força mental, a confiança, a fé dos torcedores.

E voltar a ser um dos grandes favoritos para esta Copa.

Ganhar toda a força que precisa e esperar, muito provalvelmente, a Argentina na semifinal.

Aí, seria uma outra história.

O momento atual da Seleção não é de desespero.

Muito pelo contrário.

O Brasil tem todos os elementos para se recuperar.

Só depende do próprio Brasil...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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