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‘Chega de me desculpar! Sou campeão brasileiro pelo Corinthians. Ninguém sabia como o Boca jogava. E a culpa caiu toda em mim.’ Guinei. Exclusivo

O zagueiro talentoso passou do céu ao inferno em um ano. Titular absoluto do Corinthians, no primeiro título brasileiro, em 1990, o ‘culpado’ pelo fracasso do time na inesquecível Libertadores de 1991. Dois jogos que travaram a ascensão de sua carreira

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Guinei foi um dos destaques no Corinthians campeão brasileiro de 1990 Reprodução/Agência Estado

‘No Brasil não existe prisão perpétua. Mas no futebol existe. E eu fui condenado. A mina pena é perpétua.’

O desabafo foi feito a este canal por Denis, ex-lateral do Palmeiras, que falhou na final do Campeonato Paulista, de 1996. Ele tinha 20 anos na partida decisiva contra a Internacional de Limeira.


Mas existe outro atleta de enorme potencial, que era comparado a Amaral, zagueiro que disputou a Copa de 1978, que paga até hoje, por duas partidas, em 1991.

Ele jogou bem demais na conquista do primeiro Campeonato Brasileiro, conquistado pelo Corinthians.


Formou excelente dupla de zaga com Marcelo Djian.O time desbancou o São Paulo de Telê Santana, em 1990, com a estrutura tática e jogadores que seriam bicampeões mundiais.

Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano, Tupãzinho e Neto; Fabinho e Mauro.


‘Ninguém esperava que iríamos ganhar o Brasileiro. Fomos subindo na fase decisiva. O título era decidido no mata-mata. Ficamos em sétimo na geral. E pegamos o segundo colocado. Eliminamos o Atlético Mineiro, depois, veio o Bahia, os dois eram favoritos. Caíram. E aí veio o São Paulo.

"E também nos impomos. Nosso time estava muito bem. O Neto foi o nosso principal jogador. Ganhamos de forma merecida. Nossa arrancada foi inesquecível’, relembra Guinei.


Mas essa empolgação pelo título brasileiro contaminou imprensa, torcida e a própria direção corintiana, que vendeu a ilusão da conquista da Libertadores.

O Corinthians havia disputado o torneio em 1977, caindo na fase de grupos. A esperança em 1991 era imensa.

A direção repetia o ‘projeto Tóquio’. Ou seja, ganhar a Libertadores e decidir o Mundial no Japão. Mas deu tudo errado.O time não foi bem na primeira fase. ‘Suou sangue’ para se classificar em terceiro, no grupo que tinha Flamengo, Nacional e Bella Vista. Veio o tradicional Boca Juniors nas oitavas.

“Não sabíamos nada do Boca. Não vimos vídeo. Não tínhamos ideia quais eram os principais jogadores. Nem a condição do gramado da Bombonera”, revela Guinei.

Guinei assume. Já se desculpou várias vezes pela falha contra o Boca, na Libertadores de 1991. Mas há torcedores que não o perdoam Divulgação/Arquivo pessoal

E as duas partidas foram fatais para o quarto zagueiro.

“Eu falhei nas duas partidas. Na primeira, jogamos em um lamaçal e eu falhei, meu deu branco. Na segunda partida, errei também no Morumbi.”

No jogo em Buenos Aires, ele escorregou no primeiro gol do Boca. E no terceiro, estava com a bola dominada, mas a perdeu, justo quando o Corinthians pressionava para empatar. Em São Paulo, Guinei outra vez titubeou, Graziani roubou a bola e encobriu Ronaldo.

O Corinthians, que precisava vencer por três gols de diferença, para descontar o 3 a 1 do primeiro jogo, precisava de quatro. Revoltados, os torcedores passaram a xingar Guinei. O time empatou. E Nelsinho Baptista tirou o zagueiro aos 41 minutos do segundo tempo.

Ele foi ‘massacrado’ pelos corintianos e pela imprensa. Foi exposto. Não teve uma defesa efetiva da direção, do treinador, dos jogadores.

Só Neto tentou protegê-lo.

Mas acabou sendo em vão.

“Não posso culpar ninguém. Errei mesmo. Cheguei a me desculpar. Mas duas partidas ruins não deveriam marcar a minha carreira. Fiz 129 jogos pelo Corinthians. Joguei 129 partidas pelo Corinthians. Chega de me desculpar! Sou campeão brasileiro!“, desabafa.

Tímido, admite que deveria ter falado, enfrentado a imprensa. Se explicado à torcida. Mas preferiu se calar. Acabou, com a atitude, assumindo o fracasso do clube na Libertadores. Houve muitos outros culpados. Principalmente quem fez o planejamento para o ‘projeto Tóquio’, tão aclamado, em 1991.

Guinei ficou sem ambiente no clube. Acabou pedindo para sair. Foi para o União São João de Araras. Depois, teve carreira de nômade. Náutico, Fortaleza, Marcílio Dias, Nacional, São Bento, URT, Corinthians, do Rio Grande do Norte, Jaboticabal, Francisco Beltrão.

“Tive uma trajetória vitoriosa. Joguei na Seleção Brasileira sub-20, fui vice sul-americano. Cheguei no Corinthians ainda garoto, saído de Sorocaba. Fui campeão brasileiro com 20. E com 21 aconteceram os jogos contra o Boca.

“Não tenho o que reclamar. Minha vida seguiu. Tenho orgulho do que fiz. Corintiano lembrará para sempre do time de 1990. Está tudo certo.”

Guinei hoje dá aulas de futebol para garotos. Cerca de 60 meninos.

“Quero, primeiro, que eles se divirtam jogando. Depois, ajudo na formação do caráter. E, aí, sim, aprimoro os fundamentos. Estou muito feliz com meu trabalho, com minha vida.”

A exclusiva com Guinei está, na íntegra, no Canal Cosme Rímoli, no youtube, em parceria com o R7.

São mais de 170 personagens marcantes do Esporte neste país.

A cada terça-feira, uma entrevista diferente.

São mais de 13,8 milhões de acessos.

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O endereço é youtube.com/@realcosmerimoli..

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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