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O Brasil toma o gol mais previsível da Copa. Perde para a França. 'Erros acontecem', tenta se desculpar Pia, a responsável pela derrota

Alguém precisava ter apresentado Renard, uma das melhores cabeceadoras da história do futebol feminino, a Pia. O Brasil perdeu por 2 a 1 para a França e se complica na Copa. E tem tudo para ter a Alemanha nas oitavas

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Bolas aéreas previsíveis. Defesa brasileira mal colocada. Tomou o gol mais previsível da Copa. Vitória da França
Bolas aéreas previsíveis. Defesa brasileira mal colocada. Tomou o gol mais previsível da Copa. Vitória da França Bolas aéreas previsíveis. Defesa brasileira mal colocada. Tomou o gol mais previsível da Copa. Vitória da França

São Paulo, Brasil

Era a jogada mais óbvia, mais cantada, mais esperada.

Escanteio para a França.

Wendie Renard, 1,87 m, sete vezes campeã francesa, pentacampeã da Champions League. Estrela absoluta do Lyon, uma das melhores zagueiras do mundo.

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E com uma efetividade impressionante de cabeça no ataque.

Já tem nada menos do que 92 gols pelo Lyon e 34 pela seleção francesa.

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Será que ninguém na comissão técnica da seleção brasileira sabia do grande potencial de Renard?

Foi inacreditável quando, aos 37 minutos do segundo tempo, a lateral-esquerda Bacha foi cobrar escanteio do lado direito. A marcação brasileira, por zona, parada, como pebolim. Com as jogadoras olhando para a bola. Enquanto isso, Renard se movimenta à vontade, por trás da zaga, e chega para cabecear livre. A atacante Andressa Alves quando percebe tenta, desesperada, travar do óbvio.

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Não consegue.

E a França marca o gol decisivo, em uma partida fundamental para o Brasil.

Derrota por 2 a 1, que não só complica sua situação no grupo F. Mas também a seleção brasileira; se o time de Pia Sundhage conseguir vencer a Jamaica, terá a fortíssima Alemanha pelas oitavas, em jogo eliminatório.

O erro foi inadmissível.

Não deve ser colocado como mera falta de atenção. Mas em um escanteio, bola parada, tempo para a defesa se organizar contra uma das melhores cabeceadoras do mundo, ela jamais pode aparecer desmarcada. O erro é de treinamento; a sueca Pia tem de ser responsabilizada.

Suas explicações para a importante, perigosa e merecida derrota foram pífias, rasas.

A França jogou melhor durante dois terços da partida, poderia ter feito até mais gols, se não fosse a ótima atuação da goleira Lelê.

"Não havia inicialmente preparado tão bem as nossas jogadoras para a conexão. Tudo parecia funcionar bem, mas os primeiros 30 minutos eram o grande momento, e faltou esse entrosamento na nossa equipe. Claro que erros acontecem, mas precisamos recuperar.

"No segundo tempo, corremos atrás, tivemos oportunidades. Agora temos a Jamaica pela frente, é foco total. Queremos um time mais feliz, com mais alegria, com o jogo bonito brasileiro, algo que precisamos recuperar para o próximo jogo."

Renard, 1,87 m. Das melhores cabeceadoras do mundo. Vale comparar seu tamanho com o das companheiras
Renard, 1,87 m. Das melhores cabeceadoras do mundo. Vale comparar seu tamanho com o das companheiras Renard, 1,87 m. Das melhores cabeceadoras do mundo. Vale comparar seu tamanho com o das companheiras

Pia não só errou no gol decisivo da França. Ela perdeu o meio-campo para Hervé Renard. O time francês teve mais consciência, consistência. Trocou 456 passes, enquanto o Brasil, afobado, tenso, 90 a menos. Com seis finalizações que chegaram ao gol da seleção, contra apenas duas à meta de Peyraud-Magnin.

O 4-3-3 móvel francês, que mudava para 4-1-3-2 com o time atacando e defendendo em bloco, se impunha ao fixo 4-4-2 brasileiro.

No primeiro tempo, o time francês marcou forte a saída de bola e poderia ter feito muito mais do que apenas 1 a 0, gol de Le Sommer, aos 17 minutos, em outra falha em bola aérea. Em um levantamento simples, de frente para as zagueiras brasileiras, Diani conseguiu ajeitar para a artilheira Le Sommer cabecear à vontade. Lelê teve ótima atuação e evitou o pior.

No segundo tempo, a atitude brasileira melhorou. Pia adiantou a marcação, e a técnica e a coragem das jogadoras surgiram. Parecia que tudo mudaria. E veio o justo empate. Ary Borges tocou para Karolin. O chute foi travado, e a bola sobrou para Debinha, que, com muita técnica, dominou a bola e tocou, com talento, para o fundo do gol francês: 1 a 1, aos 13 minutos.

O resultado era excelente, já que as francesas apenas empataram com as jamaicanas na primeira rodada. E as brasileiras golearam as ingênuas panamenhas.

Hervé Renard colocou seu time mais à frente, como era previsível. Pia não reagiu. Assistiu a tudo de braços cruzados. Não percebeu que o nervosismo e a afobação voltaram. O time precisava de experiência, de alguém para segurar a bola no meio-campo, para orientar a equipe. Era necessária a entrada de Marta, por tudo que ela representa e por sua qualidade. E também de Bia Zaneratto, para fazer o pivô, travar as zagueiras, evitar a saída de bola tranquila francesa.

A zaga brasileira estava sempre mal colocada nas bolas aéreas. Mereceu a dura derrota
A zaga brasileira estava sempre mal colocada nas bolas aéreas. Mereceu a dura derrota A zaga brasileira estava sempre mal colocada nas bolas aéreas. Mereceu a dura derrota

Mas os braços cruzados da sueca continuaram.

Até o gol mais previsível da Copa do Mundo da Austrália.

Renard marcou 2 a 1, aos 37 minutos.

As brasileiras tentaram lutar; Marta e Bia entraram aos 40 minutos!

O desespero no futebol costuma não dar certo.

Não deu. 

E veio a derrota perigosa, que põe em risco o futuro da seleção.

Logo na segunda rodada da Copa do Mundo.

Pia ficará embaraçada quando rever o segundo gol francês.

E rever a trajetória de Renard, uma das melhores cabeceadoras do mundo.

Era obrigação da treinadora da seleção evitar a liberdade da zagueira.

Principalmente em um escanteio, com a bola parada.

Gol absolutamente previsível.

E que atrapalhará a caminhada brasileira...

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