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Aviso a Daniel Alves. Presidente da Federação renunciará depois de beijo em jogadora. Espanha não aceita mais abuso contra mulheres

Presidente da Federação Espanhola de Futebol, Luis Rubiales, que forçou um beijo em Hermosa, na conquista da Copa do Mundo, renunciará amanhã. Por pressão da Espanha. Que não tolera mais abuso contra mulheres

Cosme Rímoli|Cosme Rímoli e Cosme Rímoli


O beijo forçado de Rubiales. Uma mancha para o esporte espanhol. Custará sua demissão
O beijo forçado de Rubiales. Uma mancha para o esporte espanhol. Custará sua demissão

São Paulo, Brasil

O rigor com que Daniel Alves, preso preventivamente, desde 20 de janeiro, acusado de estupro, é explicado com o escândalo 'Luis Rubiales'.

O presidente da Federação Espanhola de Futebol conseguiu estragar toda a comemoração da conquistas da Copa do Mundo Feminina com um ato grotesco.

Beijar a boca da jogadora Jennifer Hermosa à força, no palco de entrega de medalhas e troféu em Sidney, na Austrália.

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Antes, durante a decisão contra a Inglaterra, o dirigente já se comportava de maneira absurda. Esfregando com as mãos sua genitália.

Depois da repercussão do beijo forçado, ele tentou pressionar Hermosa para que gravasse um vídeo inocentando o gesto. A jogadora se negou.

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Tudo ficou ainda pior para o presidente.

Talvez há cinco anos, Daniel Alves estivesse 'aguardando' julgamento leve, livre e solto no Brasil. E a desculpa de Rubiales, que se 'deixou empolgar pela emoção' fosse aceita.

Mas a Espanha vive um momento libertador para as mulheres.

A aprovação da lei 'só o sim é sim', aprovada no dia 25 de agosto de 2022, juntando todos os partidos políticos, tornou muito mais grave qualquer tipo de abuso, intimidade sem consentimento. Não só explicitamente sexual. 

O beijo forçado de Rubiales vai custar o seu cargo de presidente da Federação.

A pressão é gigantesca e o país espera pela renúncia amanhã, justo depois do seu maior feito, nos cinco anos como presidente: a conquista da Copa do Mundo pela Espanha.

É preciso entender o contexto histórico do que acontece no país.

A legislação de proteção às mulheres sempre foi muito frouxa, uma das mais atrasadas da Europa.

Com a vitória do fascismo na sanguinária Guerra Civil, entre 1936 e 1939, onde morreram mais de 500 mil espanhóis, consolidando no poder Francisco Franco Bahamonde, o generalíssimo Franco, as mulheres espanholas ficaram oprimidas entre 1939 até 1976, enquanto o feminismo já começava a se articular.

Mesmo com a morte de Franco, o regime monárquico parlamentar espanhol seguiu com mudanças demoradas em relação à proteção da mulher.

A legislação deixava muito a desejar atualmente. Era dúbia em relação ao estupro e agressão sexual.

A perspectiva para Daniel Alves é muito ruim, de acordo com o andamento da prisão, acusado de estupro
A perspectiva para Daniel Alves é muito ruim, de acordo com o andamento da prisão, acusado de estupro

Tudo mudou de vez em sete de julho de 2016, no caso La Manada.

Uma garota de 18 anos foi estuprada em Pamplona. Por cinco homens. Entre eles um membro da Guarda Civil e outro do Exército.

Além da violência sexual, eles fizeram questão de filmar a toda a ação.

Foi um escândalo nacional.

Ganhou até um triste apelido: 'La Manada', ou seja, em livre tradução, 'O Bando'.

A Espanha parou para acompanhar o julgamento.

Como não houve violência nas imagens, eles foram condenados por abuso sexual e não agressão sexual.

A sentença: nove anos de prisão. Seis anos a menos do que se fosse agressão sexual.

Mas todos tiveram o direito a pagar fiança.

E bastaram seis mil euros, cerca de R$ 31 mil.

Todos deixaram a cadeia.

Os militares ganharam 75% dos salários durante os três anos que o processo durou.

Desde então, o movimento contra abusos sexuais a mulheres na Espanha se tornou exemplar.

A lei 'Só o Sim é Sim', quando é necessário ter o consentimento claro da mulher para qualquer ato íntimo.

Daniel Alves foi preso preventivamente no dia 20 de janeiro por uma acusação de estupro na noite de 30 de dezembro de 2022. Sem fiança.

Se a lei contra a violência sexual não fosse aprovada, ele não teria a prisão preventiva decretada.

E o presidente da Federação Espanhola, Luis Rubiales, não seria forçado à renúncia, inclusive por conta do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que avisou: "as desculpas de Rubiales não serão suficientes". 

Sánchez e toda sociedade espanhola exigiu a demissão vergonhosa.

E ela será pedida amanhã em uma reunião convocada às pressas pela Federação Espanhola de Futebol.

A imagem do país está em jogo.

O mesmo acontecerá no julgamento de Daniel Alves, que talvez aconteça nos últimos meses do ano.

A Espanha se cansou dos abusos às mulheres...

Quem é a 'sombra' que persegue Messi, desde que o craque chegou a Miami?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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