Cosme Rímoli Atletas americanos ensinam o mundo. Param. Rejeitam racismo

Atletas americanos ensinam o mundo. Param. Rejeitam racismo

Jogadores da NBA começaram paralisação anti-racista que se espalhou pelo país. Protesto pela violência da polícia contra os negros. Movimento histórico

  • Cosme Rímoli | Do R7

A foto de uma paralisação histórica. Os atletas perceberam a força que têm

A foto de uma paralisação histórica. Os atletas perceberam a força que têm

USA TODAY Sports

São Paulo, Brasil

Um ato histórico.

E que serve como exemplo mundial.

O esporte descobriu sua revelância.

Os jogadores norte-americanos descobriram que estão conectados com o mundo.

A aproveitar os holofotes, a atenção que despertam com seu talento.

Deixaram de lado a alienação, a zona de conforto, os privilégios.

E decidiram se posicionar de vez contra a injustiça racial, os abusos históricos de policiais brancos contra negros.

No dia 25 maio, George Floyd, negro, morreu asfixiado, aos 46 anos, enquanto um guarda branco, se manteve ajoelhado sobre seu pescoço, até tirar sua vida, em Mineápolis. Ele clamava, dizendo que não podia respirar. Outros policiais brancos ao lado da covarde cena só assistiam sua agonia, até que morresse.

A acusação contra Floyd: ter dado uma nota falsa de 20 dólares, cerca de R$ 110,00 em uma loja de conveniência.

A absurda atitude, filmada por celulares, provocou protestos, 11 mortes nos Estados Unidos, onde o conflito racial entre brancos e negros é histórico.

Foi pano de fundo até para a guerra civil, entre o Norte e o Sul do país, entre 1861 a 1865. Estados sulistas não aceitavam o fim da escravidão. A Guerra da Secessão.

Ela foi vencida pelos abolicionistas.

O ressentimento seguiu, a ponto de os negros só ficarem completamente livres para votar, em 1965, depois de inúmeras dificuldades impostas pela sociedade dominante, a branca.

Após a morte de Floyd, o movimento "Black Lives Matter", 'Vidas Negras Importam', chegou ao esporte. Com jogadores e inúmeras modalidades e pilotos, tendo à frente, o hexacampeão mundial, Lewis Hamilton, se manifestando.

As jogadoras de basquete com camisetas representando sete buracos de bala

As jogadoras de basquete com camisetas representando sete buracos de bala

Reprodução/WNBA

O principal gesto era ficar de joelhos e pulso cerrado, como protesto. Inclusive na execução do hino nacional dos Estados Unidos.

A repercussão foi mundial.

A situação seguia tensa.

Até que há três dias, Jacob Blake, 27 anos, negro, foi separar uma briga entre duas mulheres, Kenosha, Wisconsin. Ele estava com os três filhos no seu carro.

Depois de discutir com policiais pela briga, Blake caminhava em direção ao automóvel. Quando soldados brancos dispararam sete tiros. Ele estava de costas. O fuzilamento foi diante de seus filhos.

Blake segue internado em estado gravíssimo. Mas já há a certeza que está paralítico da cintura para baixo.

A tentativa covarde de assassinato foi filmada por celular. E outra vez houve protestos violentos nos Estados Unidos. Duas pessoas já morreram.

A violência dos protestos pelo atentado contra Jacob Blake

A violência dos protestos pelo atentado contra Jacob Blake

Tannen Maury/EFE/EPA - 25.08.2020

Os jogadores do Milwaukee Bucks, que disputa as partidas decisivas da NBA, decidiram não entrar na quadra para enfrentar o Orlando Magic, pelos playoffs. Diante da atitude, os atletas do Orlando Magic também optaram por não jogar, ontem.

Foi um rastilho de pólvora.

As partidas entre Rockets e Thunder e Lakers e Blazers também foram adiadas. 

Há o movimento entre os jogadores da NBA para que a temporada seja cancelada. 

Os atletas querem marcar sua posição contra o abuso histórico dos policiais brancos contra os negros.

As mulheres que disputam a WNBA também decidiram não jogar.

Washington Mystics x Atlanta Dream, Los Angeles Sparks x Minnesota Lynx e Connecticut Sun x Phoenix Mercury foram adiadas.

A decisão começou quando as atletas do Washington e Atlanta entraram na quadra, na Flórida. Depois de uma hora de conversa, a decisão.

MSL. O futebol aderiu à greve do basquete. Esportistas conscientes. Unidos

MSL. O futebol aderiu à greve do basquete. Esportistas conscientes. Unidos

Reprodução/USA Today

As jogadoras, em protesto, colocaram camisetas com o desenho de sete balas nas costas.

O movimento de paralisação já chegou no futebol.

Equipes da MSL decidiram não jogar ondem.

As partidas foram adiadas, sem data para acontecer.

Inter Miami x Atlanta United, FC Dallas x Colorado Rapids, Real Salt Lake x Los Angeles FC e San Jose Earthquakes x Portland Timbers.

Os jogadores adversários entraram nos gramados juntos, com camisetas do movimento "Black Lives Matter" em cima das dos seus times.

A intenção dos atletas é que o esporte seja paralisado nos Estados Unidos.

Para pressionar o governo que crie uma legislação mais forte contra crimes raciais praticados por policiais.

Esse movimento é histórico.

E que, por enquanto, não motiva ídolos do esporte brasileiro.

Como Neymar, que prefere, de novo, ignorar o que acontece nos Estados Unidos.

E postar vídeos na paradisíaca Ibiza, na Espanha.

Como ele já respondeu, questionado se foi vítima de racismo.

"Nunca. Nem dentro nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?"

O principal ídolo do esporte nacional é filho de negro.

Só se 'posicionou' no caso de George Floyd, oito dias depois de sua morte. Quando o mundo já havia protestado. 

E o brasileiro foi cobrado insistentemente nas redes sociais.

Replicou a frase 'black lives matter'.

É esse o nível de consciência dos atletas no Brasil.

Onde, infelizmente, mortes como a de Floyd e atentados como contra Blake, são diários.

Só resta admirar os esportistas norte-americanos.

Eles descobriram sua força...

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