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As histórias secretas de Marcelinho Carioca. “Meu pai não foi ao enterro do meu avô. Mágoa por ele não deixá-lo ser jogador. Ouvi do pai da menina que eu amava. ‘Filha minha não namora preto e pobre...’

O maior dos ídolos do Corinthians, Marcelinho Carioca se expôs como nunca. A entrevista exclusiva revela as dificuldades que moldaram seu caráter. ‘Só eu sei o que enfrentei’

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'Moldei minha personalidade com todas as dificuldades que enfrentei na vida', Marcelinho Carioca Divulgação/Site oficial Corinthians

As lágrimas de Marcelinho Carioca rolaram pela sua face,

‘Nunca me abri tanto’, disse, após três horas de conversa. Para orgulho deste jornalista, que completa 40 anos de profissão.


A entrevista teve de ser dividida em duas partes, para quem acompanhar possa entender melhor esse ídolo complexo.

Vencedor, polêmico, rebelde, genial em campo. Desafiador de qualquer regra assim que as partidas acabavam.


Enfrentou jogador, treinador, dirigente, jornalista até sequestradores.

Como compreender que o menino mirrado, subnutrido, que saiu da favela da Sulacap, perto do Morro do Pica-Pau, no Rio de Janeiro, vendia salgados nas praias cariocas, buscava garrafas vazias para vender, almoçava cuscuz com leite condensado virou milionário, que dirige sua Mercedes pelas ruas paulistanas?


A explicação está na sua relação com uma esfera leve, hoje de material sintético, chamada bola.

Marcelinho detalha, em lágrimas, trechos de sua existência que pouquíssimas pessoas sabem.


‘Meu pai queria ser jogador e o meu avô, que era marinheiro, proibiu. Ele iria assinar com o Fluminense. Meu avô impediu. A mágoa, a frustração do meu pai foi tanta, e para sempre, que ele não quis nem no enterro do seu próprio pai. Ele sofreu muito. Eu pude dar a alegria de ser jogador para ele. Meu pai se realizou em mim."

O filho de um gari se transformou no maior ídolo da história do gigante Sport Clube Corinthians Paulista.

Sim, justo os paulistas, que mantêm rivalidade histórica e feérica com os privilegiados moradores do Rio de Janeiro, transformaram um adjetivo pátrio em seu sobrenome. Marcelinho Carioca.

“Eu sempre amei o Rio de Janeiro. E muito mais o Flamengo. Meu sonho de infância era jogar no Maracanã. Quando treinei com o Zico, meu ídolo maior, chorei, mostrei o meu talento para bater falta para ele, chorei, o abracei.

“Meu pai varria o Maracanã quando estreei pelo Flamengo. Foi um sonho. Ganhei títulos pelo clube que amava. Mas, de repente, fui vendido, de surpresa para o Corinthians. Fui vendido para o Flamengo pagar os salários do Renato Gaúcho e do saudoso Gaúcho. O clube jogou fora uma geração que seria campeã do mundo.

“Eu, o Djalminha, Júnior Baiano, Marquinhos, Paulo Nunes. Todos vendidos à força.’Fiquei revoltado. Não queria vir, de jeito nenhum para o Corinthians. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha história. ‘Estava chegando ao clube que virou meu amor. Tanto que tatuei as iniciais Corinthians Paulista no meu pulso. A camisa branca e preta foi mesmo a minha segunda pele.’Corinthians é a minha vida!’“Não joguei uma Copa do Mundo pela Seleção por pura injustiça dos treinadores. Principalmente na de 1998 e de 2002. O Felipão se vingou de mim por não ter ido jogar no Cruzeiro.“

Quem quiser descobrir quem é, de verdade, Marcelinho Carioca, esta é uma grande oportunidade.

Como esse homem atrevido de 1m65, que calça 35, explosivo, talentoso, desrespeitoso, colecionador de títulos, melhor cobrador de faltas da história do futebol, que pagou caro por desafiar o sistema, virou o maior dos ídolos do Parque São Jorge?Três horas com ele já é o início deste caminho.

Agora, uma hora e meia.A segunda parte, na semana que vem...

A primeira parte da entrevista está no canal do Cosme Rímoli, no YouTube. Uma parceria com o R7.

O canal tem 150 entrevistas exclusivas com personagens importantes do esporte.

São mais de 14,1 milhões de acessos.

As exclusivas também passam aos sábados, na Record News, no programa Cosme Rímoli entrevista.

Às dez horas.

A entrevista deste sábado será de Dario Pereyra...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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