Cosme Rímoli Argentina dá aula de competência à amadora CBF. E terá seu time completo contra o Brasil

Argentina dá aula de competência à amadora CBF. E terá seu time completo contra o Brasil

O Brasil se submeteu não soube negociar e perdeu nove jogadores importantes para Tite. A AFA negociou diretamente com a Premier League. Não esperou pela Conmebol e Fifa. E terá seus atletas. A Seleção? Não

  • Cosme Rímoli | Do R7

Em Itaquera, a Argentina terá seu time completo que venceu a Copa América no Maracanã

Em Itaquera, a Argentina terá seu time completo que venceu a Copa América no Maracanã

AFP

São Paulo, Brasil

Uma aula de diplomacia e articulação.

Pelo jeito, a cúpula da CBF tem muito a aprender com a AFA.

Ou Tite teria à sua disposição jogadores que considera fundamentais no seu time: Thiago Silva, do Chelsea, Richarlison, do Everton, Alisson, Fabinho e Roberto Firmino, do Liverpool, Ederson e Gabriel Jesus, do Manchester City, e Fred, do Manchester United. Além de Raphinha do Leeds United.

Não os terá nas partidas contra o Chile, na quinta-feira, em Santiago, diante da Argentina, domingo, no estádio do Corinthians; e na próxima quinta, dia 9 de setembro, em Pernambuco, contra o Peru.

A Argentina, pelo contrário, já está treinando com goleiro Emiliano Martínez e o meia-atacante Emiliano Buendía, do Aston Villa. Além do zagueiro Cristian Romero e o meio-campista Giovani Lo Celso, do Tottenham.

O que esses 13 jogadores têm em comum? 

Atuam na Premier League. A 'Federação Inglesa' de Futebol, que fez um grande estardalhaço quando foram anunciadas as convocações para os jogos de setembro das Eliminatórias da Copa do Mundo do Catar. Tanto na América do Sul como na África.

Atendeu à uma velha reivindicação dos dirigentes dos clubes, cansados de investirem alto e terem de ceder seus atletas para longas e desgastantes viagens. Usando a pandemia, e a consequente quarentena, como desculpa, a Premier League comprou briga com a Fifa. E não quis liberar os atletas convocados.

Os dirigentes ingleses esperavam a adesão das Ligas da Espanha, da Itália e da França. Só que todas recuaram, diante da pressão da Fifa, que defende as Eliminatórias com os melhores jogadores. Por conta do compromisso financeiro das Confederações com as televisões. A Fifa não quer um esvaziamento, que a falta de interesse se alastre. 

Diante da notícia que os ingleses não cederiam os atletas, o que fez a CBF? Consultou a Conmebol, a Fifa. Enquanto membros da AFA, Associação de Futebol da Argentina, foram no epicentro do problema. Procuraram os dirigentes da Premier League e amarraram um acordo.

A AFA se comprometeu em usar os jogadores da Liga Inglesa em apenas duas das três partidas das Eliminatórias. Atuarão contra a Venezuela, quinta-feira, em Caracas. E contra o Brasil, domingo. E já estarão dispensados. Não atuarão diante da Bolívia, na quinta-feira, dia 9 de setembro.

Thiago Silva posta foto de mãos amarradas. E legenda significativa. Humilhante

Thiago Silva posta foto de mãos amarradas. E legenda significativa. Humilhante

Reprodução/Instagram

A Colômbia fez exatamente a mesma coisa, com Davison Sanchez, jogador do Tottenham. Ele entrará em campo contra a Bolívia, na quinta-feira, em La Paz, e diante do Paraguai, em Santiago, no domingo. Mas não jogará diante do Chile, em Barranquilla.

A CBF não buscou a diplomacia.

Mandou avisar os dirigentes da Premier League que queria os nove convocados para as três partidas.

'Tercerizou' o problema. Confiou na Conmebol e na Fifa. Resultado: não teve os jogadores.

O coordenador da Seleção, Juninho Paulista, é quem precisa responder pela falta de habilidade política.

É um erro absurdo.

Amador.

Mais um entre tantos que a CBF comete.

Como anunciar, com orgulho, que Brasil e Argentina teria venda de ingressos e 12 mil torcedores acompanhariam a partida no domingo. Mas diante da incompetência em organizar a venda dos ingressos, a CBF recuou. E terá apenas 1.500 convidados para o jogo.

Situações como essas explicam os fracassos desde 2002.

Como não conseguir marcar amistosos contra europeus, que conquistaram os últimos quatro Mundiais.

Ou perder a Copa América, para a Argentina, em pleno Maracanã, em julho.

Enquanto isso, o presidente eleito da CBF, Rogério Caboclo, segue afastado. Acusado de assédios sexual e moral. Investigado até pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

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