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Cosme Rímoli - Blogs
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Alex Poatan. De alcoólatra a fenômeno do UFC. Depois de mais um nocaute brutal, pode ser o primeiro a ser campeão em três categorias

Em dois anos, ex-borracheiro e alcoólatra, descendente da tribo Pataxó, revoluciona o UFC. Foi campeão dos médios. Manteve ontem, com um chute alto extraordinário o cinturão dos meio-pesados. E, agora, Dana White o quer lutando pelos pesados. Poatan é um fenômeno

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Nocaute cinematográfico de Poatan. Chute alto perfeito

Apenas dois anos no UFC.

E o ex-alcoólatra, ex-borracheiro, descendente dos índios Pataxós, sem perspectiva de vida, em São Bernardo do Campo, revolucionou a principal divisão de MMA no mundo.

O que ele fez ontem com o excelente lutador theco Jiri Prochazka foi avassalador.

Não está nas manchetes, de todos os portais respeitáveis esportivos do mundo, por acaso.

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O chute alto de perna esquerda, que explodiu na testa do ex-campeão dos meio-pesados, aos 13 segundos do segundo assalto, foi cinematográfico.

Prochazka caiu completamente desnorteado e recebeu uma saraivada de socos.

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Estava acabada a revanche e o UFC 303.

Poatan não só manteve o cinturão, ganhou 275 mil dólares, cerca de R$ 1,5 milhão, como bônus pela melhor performance.

O brasileiro, pela terceira vez, ‘salvou’ um evento de Dana White.

O evento em Las Vegas deveria ter como luta principal Conor McGregor e Michael Chandler.

A atração seria apenas ver em ação o problemático e carismático irlandês McGregor.

Mas que está em plena decadência como lutador diante de um quase aposentado Chandler, de carreira pouco relevante.

Em vez de teatro, quem comprou os caríssimos ingressos assistiu à uma luta inesquecível, histórica.

A atuação de Poatan foi assustadora, a ponto de não haver mais adversários à sua altura nos meio-pesados.

Ele não quer voltar a lutar nos médios, por ser insana a sua perda de peso.

Tem que perder mais de dez quilos do seu peso natural.

E ter de lutar muito fraco fisicamente.

Esse é o segredo de sua derrota para o eterno rival Israel Adesanya, que ficou com o cinturão, na revanche.

O sacrifício é grande demais e desnecessário para um lutador que fará 37 anos, no dia 7 de julho.

Poatan teve uma infância muito difícil, na periferia de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

De família muito pobre, largou dos estudos aos 12 anos.

Começou a trabalhar como auxiliar de pedreiro, depois, varria o chão de uma borracharia.

Aprendeu a consertar pneus e gastava grande parte do dinheiro que ganhava, já com bebidas.

O irmão Ângelo, viciado em drogas, morreu assassinado, aos 17 anos.

Poatan seguiu bebendo muito.

Confessou que adorava andar de motos bebendo.

No trabalho, chegou a passar detergente nos olhos, para dizer que estava com conjuntivite para voltar para casa e dormir.

Era assumidamente alcoólatra, tomando cerveja, pinga, ‘o que aparecesse’ todos os dias.

Muito forte, naturalmente, e com facilidade em vencer as brigas que arranjava, acabou por se interessar pelo kickboxing, aos 21 anos.

E sua vida mudou.

Mas nem tanto

Poatan, significa 'mão forte'. Alex é neto de índios Pataxós

Embora as vitórias se acumulassem, de forma impressionante, ainda levou quatro anos bebendo compulsivamente.

Só parou aos 25 anos, quando sentiu que não conseguiria lutar em um nível mais alto, se não abandonasse a bebida.

Com muito sacrifício, largou o vício.

Se tornou campeão mundial de kickboxing, pelo WGP e fez história no Glory.

Decidiu ir para o MMA ‘para ganhar mais dinheiro’.

A adaptação não costuma ser nada fácil.

Suas passagens pelo Jungle Fight e no Legacy Fighting Alliance foram fulminantes.

Chegou ao UFC ‘velho’, com 34 anos.

Mas dois anos bastaram para se tornar um dos maiores lutadores de todos os tempos.

Ganhou os cinturões dos médios e dos meio-pesados.

Salvou o UFC de ontem, com a contusão de McGregor.

Como havia salvado o UFC 295, quando Jon Jones se contundiu.

E venceu ninguém menos do que Prochazka.

Não lutaria no UFC 300, mas, chamado à ‘última hora’, nocauteou Jamahal Hill, ainda no primeiro assalto.

A pressão é gigantesca para que passe para os pesados.

O que é um grande risco, já que seu peso natural é 93 quilos.

E nos pesados enfrentará homens até 120 quilos.

Sim, com menos agilidade do que ele, na sua maioria.

Mas com socos devastadores.

A luta sonhada pelos fãs do UFC e por Dana White é Poatan contra Jon Jones.

O problemático norte-americano está na categoria dos pesados.

E está voltando de grave contusão, rompimento do tendão do peitoral.

“Alex Pereira veio de uma longa carreira no kickboxing, é mais velho, e eu achava justamente o oposto, que ele não ia se sair muito bem, que ia ser derrubado, esmagado, mas eu estava errado”, disse, empolgado, Dana White.

Dana White deve a Poatan. Pela terceira vez, o brasileiro salva um evento do UFC Zuffa LLC via Getty Images

Dana é esperto demais.

E sabe como aproveitar financeiramente o UFC.

Para aumentar a expectativa, ele quer Jones contra Stipe Miocic.

Sabe que Jon Jones está sem ritmo de luta.

E seria bom enfrentar Miocic, que está em decadência.

Se Jones vencer, a venda de per-per-view de um combate entre ele e Poatan seria dobrada, no mínimo.

Valendo o cinturão dos pesados, que pode ser o terceiro do brasileiro.

Algo que ninguém jamais conseguiu.

O UFC movimenta fatura cerca de um bilhão de dólares por ano, cerca de R$ 5 bilhões.

Tem os melhores lutadores de MMA do mundo.

Dana sabe que Poatan é uma fonte raríssima de dinheiro no momento atual.

E vai usá-la com cuidado, para faturar o máximo que puder.

O ex-alcoólatra que varria borracharia em São Bernardo mudou o mundo do UFC...



Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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