Cosme Rímoli Agressão covarde a Cássio. Vila Belmiro será interditada. Santos venceu por 1 a 0, mas Corinthians se classificou na Copa do Brasil

Agressão covarde a Cássio. Vila Belmiro será interditada. Santos venceu por 1 a 0, mas Corinthians se classificou na Copa do Brasil

Vítor Pereira fez o Corinthians defensivo garantir a vaga, sem susto, para as quartas. Vantagem por 4 a 0 era grande demais. Agressão a Cássio e invasão de torcedores farão a Vila Belmiro ser interditada

  • Cosme Rímoli | Do R7

Torcedor santista acertou um chute com a perna esquerda em Cássio. Vila Belmiro será interditada

Torcedor santista acertou um chute com a perna esquerda em Cássio. Vila Belmiro será interditada

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Vexame.

Que tem tudo para interditar a Vila Belmiro por muito tempo.

Até antes de a partida terminar, com a eliminação do Santos, torcedores organizados começaram a atirar rojões e sinalizadores na direção da área corintiana.

Tudo ficaria muito pior ao final do jogo.

Cássio, que estava sendo xingado, decidiu bater palmas irônicas para os torcedores santistas atrás do gol. 

Foi a senha, nestes tempos de ódio, para que um torcedor invadisse o gramado.

E acertasse um chute por trás no goleiro corintiano, que cumprimentava seus companheiros pela classificação.

Agressão absurda, incabida, covarde.

Cássio se defendeu, por reflexo, empurrando a cabeça do santista. 

Soldados, seguranças e demais jogadores corintianos se postaram na frente do goleiro.

Enquanto isso, pelo menos mais três torcedores também invadiram o gramado. E um deles correu em direção a Cássio, que já estava no meio-campo. Mas ele não conseguiu tocar no arqueiro, sendo contido por seguranças.

Todos foram encaminhados para a delegacia do estádio.

O vexame poderia acabar em tragédia. Bastaria o agressor de Cássio entrar no gramado com uma faca.

O Santos deverá receber uma punição severa.

Com a ultrapassada Vila Belmiro interditada.

Ou, no mínimo, com o fraco time tendo de jogar sem sua maior arma para evitar o rebaixamento no Brasileiro, sua torcida.

A segurança do clássico era de inteira responsabilidade do Santos.

Agressor de Cássio corre em direção ao goleiro, que está de costas. Absurdo. Que o Santos vai pagar

Agressor de Cássio corre em direção ao goleiro, que está de costas. Absurdo. Que o Santos vai pagar

Reprodução/Twitter

Se não fosse uma titubeada de Cássio, que cometeu pênalti por desleixo, o Corinthians nem perderia a partida para o Santos por 1 a 0, na Vila Belmiro. Mesmo com inúmeros desfalques e jogadores poupados, o Corinthians de Vítor Pereira jamais correu o risco de perder a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil. 

A vantagem por 4 a 0 na primeira partida, em Itaquera, havia sido grande demais. Se torna maior por conta do baixo potencial do atual time santista.

A equipe do treinador Marcelo Fernandes pelo menos mostrou dignidade, respeito pela camisa bicampeã mundial e pelos torcedores que lotaram a Vila Belmiro. Mesmo sem técnica, lutou muito, correu e conseguiu vencer graças a um pênalti de Cássio em Marcos Leonardo, aos 20 minutos do segundo tempo. 

Se o goleiro não tivesse relaxado demais e se agachado para pegar a bola e não esperar, para tentar chutar a bola e acertar o esperto atacante santista, a partida não sairia do 0 a 0. Marcos Leonardo cobrou e marcou 1 a 0. 

O restante da partida foi igual, com o Corinthians montado para se defender, travar o jogo. Com cinco jogadores na defesa, quatro na intermediária e um apenas avançado. Não foi difícil conter o ânimo do tenso rival.

Ficou evidente na partida da noite de 22 de junho, em Itaquera, que a vaga estava decidida. A vitória corintiana por 4 a 0 encerrou a disputa. Infelizmente, o Santos, bicampeão mundial, está mergulhado em dívidas de mais de R$ 400 milhões. E não tem condições de montar uma equipe competitiva nesta temporada. 

Vítor Pereira sabe que seu elenco é muito bom. Mas pequeno. E não havia motivos para sequer pensar em levar Renato Augusto e Willian, que até poderiam entrar, se a partida fosse uma final, por exemplo. Como era apenas o segundo jogo, depois da goleada por 4 a 0, o melhor era que descansassem. Fagner e Maycon seguem realmente contundidos.

Marcelo Fernandes sabia que seu time não tinha a menor condição de golear o rival. Mas o interino sabia da obrigação de fazer o Santos mostrar dignidade, luta, combate em campo. Lutar ao menos para ganhar do Corinthians, sair de cabeça erguida da Copa do Brasil.

Ninguém se engane que a principal missão do Santos, já eliminado da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil, é fugir do rebaixamento no Brasileiro. Nada mais do que isso, por conta de sua precária situação financeira.

A proposta de Fernandes foi tentar marcar o Corinthians, mas não com as linhas adiantadas, para evitar contragolpes que massacaram o time, graças à estratégia do demitido Fábian Bustos, que, utópico, colocou o Santos aberto em Itaquera. Fez o time ser goleado e ainda perdeu o emprego. 

A cena absurda, que poderia acabar em uma tragédia.  Cássio, de costas, recebe chute de torcedor santista

A cena absurda, que poderia acabar em uma tragédia. Cássio, de costas, recebe chute de torcedor santista

GUILHERME DIONíZIO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO - 13.7.2022

O Santos fez todo o primeiro tempo no 4-3-3. Só que o time desesperava os torcedores que enfrentaram a chuva para ver a fraca equipe jogar. Com a rescisão de Ricardo Goulart, o Santos não tinha um jogador de articulação, de criação. Eram apenas volantes tentando acionar atacantes.

O rompedor Léo Baptistão foi improvisado na meia. O resultado foi lastimável, porque ele não tem a qualidade para coordenar os ataques de uma equipe de elite. Foi facilmente dominado por Du Queiroz. Os jogadores do Santos lutavam, dividiam, corriam muito. Mas acabavam travados pelo bem organizado sistema defensivo corintiano. 

A única chance real de gol do Santos em todo primeiro tempo foi em um escanteio, aos 27 minutos, que Cássio defendeu, com excelente reflexo, numa cabeçada de Marcos Leonardo. O Corinthians respondeu com ótimo lançamento do versátil Adson, cada vez mais útil, para Róger Guedes. O atacante não teve velocidade para chegar no tempo da bola. Ele a adiantou, perdeu o ângulo e chutou para fora, depois de tirar o goleiro João Paulo da jogada.

O segundo tempo começou com os neurônios e a visão do uruguaio Sanchéz na vaga do esforçado e improvisado Baptistão. E com Bruno Oliveira no lugar de Camacho.

Vítor Pereira poupou Giuliano, colocando Gustavo Mosquito no seu lugar. 

O Santos voltou com mais consciência por conta do veterano uruguaio. Aos 37 anos, Carlos Sanchéz conduzia as jogadas ofensivas, com toques de qualidade, mais rápidos, em profundidade, entre as linhas organizadas corintianas.

Mas era ainda muito pouco.

O treinador corintiano decidiu, aos dez minutos, tirar Róger Guedes e Du Queiroz. Para descansar dois titulares. O combativo Xavier entrou no meio-campo. E o garoto Giovane na frente.

O momento exato do covarde chute em Cássio. A segurança do jogo era toda de responsabilidade do Santos

O momento exato do covarde chute em Cássio. A segurança do jogo era toda de responsabilidade do Santos

FERNANDA LUZ/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 13/07/2022

Marcelo Fernandes adiantou suas linhas, decidiu arriscar mais. Sabia que não viria a goleada, mas sentia que era possível a vitória, já que o Corinthians apenas se defendia e fazia o tempo passar.

Mas em um contragolpe, às costas da zaga, coube a Giovane invadir a intermediária santista sozinho, com a bola dominada. E, diante do goleiro João Paulo, chutar fora. 

O lance aconteceu aos 17 minutos. Três minutos depois, veio a titubeada de Cássio. Em vez de se jogar com os braços esticados para tentar cortar o passe de Sanchéz para Marcos Leonardo, ele decidiu dar um chute na bola com o pé direito. O atacante santista foi muito mais rápido do que o goleiro. E só esperou ser atingido. Pênalti, para acabar com a rotina do jogo.

Marcos Leonardo bateu com convicção no canto esquerdo e marcou 1 a 0.

A emoção da arquibancada não se refletiu em campo. O Corinthians seguiu marcando forte. E o Santos, com Sánchez já cansado, tentando levantar a bola na área. Não havia recursos técnicos de seus jogadores. Incapazes de arrancadas, dribles, passes ou lançamentos inesperados.

A partida acabou com o justo, e inútil, 1 a 0 pela correria, pela vontade santista.

A eliminação se confirmou, com a classificação corintiana.

Aí começaram as absurdas atitudes das organizadas santistas.

Atirando sinalizadores e rojões para a área corintiana.

E a covarde agressão a Cássio.

O Santos terá a Vila Belmiro interditada.

Pela decência do futebol deste país...

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