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Abel, resignado, assume. “Faltaram ao Palmeiras coragem e ousadia.” Flamengo é o primeiro tetra brasileiro da Libertadores. Com justiça, apesar de Pulgar

O Flamengo se impôs ao Palmeiras. Danilo marcou de cabeça, depois de escanteio cobrado por Arrascaeta. Venceu, mas Pulgar precisava ter sido expulso, aos 30 do primeiro tempo, quando deu uma entrada violentíssima em Bruno Fuchs. O árbitro argentino Dario Herrera não teve coragem de expulsar. O VAR não o chamou

Cosme Rímoli|Do R7

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Danilo subiu sozinho. Ganhou impulso. E subiu muito mais alto que a defesa do Palmeiras. Gol do título Reprodução/Instagram Flamengo

Qualquer final tem lances fundamentais.

Em Lima, no Peru, a final da Libertadores de 2025 foi protagonista de três situações que serão relembradas para sempre.


A primeira, quando o Flamengo já dominava o Palmeiras, aconteceu aos 30 minutos do primeiro tempo.

Bruno Fuchs havia provocado Arrascaeta, encostando a bola no seu corpo caído.


Pulgar tomou as dores do companheiro e deu uma entrada violentíssima no zagueiro/volante palmeirense.

O chileno deixou as travas de sua chuteira riscarem a canela de Fuchs, de cima para baixo.


A perna direita de Fuchs estava esticada, com ele em pé. Com a entrada de Pulgar, ela quase se dobrou para trás. A marca das travas da chuteira estava evidente na canela do palmeirense.

O árbitro argentino Dario Herrera só deu amarelo. E o VAR foi omisso, não o chamou para ver o lance claríssimo e que exigia a expulsão.


O segundo, aos 21 minutos do segundo tempo. Arrascaeta cobrou escanteio. O contestado Danilo se movimentou com toda liberdade, enquanto os atacantes flamenguistas tiraram a atenção da zaga palmeirense. Acertou uma cabeçada violentíssima. A bola beijou a trave e entrou.

Flamengo 1 a 0.

O terceiro, aos 43 minutos, Vitor Roque ficou cara a cara com Rossi. Chutou forte. Mas Danilo conseguiu desviar a bola, que foi por cima.

E o Flamengo se tornou o primeiro brasileiro tetracampeão da Libertadores.

Abel Ferreira estava conformado após o jogo.

“Vou ser muito sincero, apesar de termos uma equipe jovem, faltou-nos um bocadinho mais de coragem e ousadia, acho que foi isso que faltou. Acho que foi isso que faltou.”

O treinador fez escolhas que fracassaram de forma assustadora.

Khellven e Raphael Veiga tiveram atuações constrangedoras.

O lateral muito inseguro e sem força ofensiva.

Veiga não poderia ter sido mais burocrático, tocando a bola de lado, omisso, improdutivo.

Abel sentiu o clima de decepção dos repórteres paulistas, que foram ao Peru, cobrir o Palmeiras. Principalmente como o seu time jogou. Não conseguiu chutar uma bola no gol de Rossi. Só deu dois arremates em 90 minutos. E para fora.

O técnico português tentou ironizar, mas ficou constrangedor.

“Felizmente, não sou só avaliado por resultados. Porque se fosse pelo avaliado pelo resultado de hoje, teria que ir embora.

”Quem está no clube avalia resultados, a construção do elenco, a valorização e venda de jogadores, conquista de títulos. É um somatório porque se não, a cada derrota, teríamos que trocar de treinador ou eu, nas oportunidades que tive, teria saído", desabafou.

Ninguém defendia a sua saída, só foram questionadas suas escolhas e a postura do Palmeiras, sem a menor criatividade, se preocupando apenas em lutar para travar o Flamengo. Pouquíssima ambição para um elenco bilionário.

Abel Ferreira estava resignado. Apenas assistiu à festa do Flamengo, de Filipe Luís, campeão da Libertadores de 2025 Cesar Greco/Palmeiras

“O Abel, desde que é maior de idade, erra muito. E foram esses erros todos que me trouxeram onde estou. Sucessão de erros e algumas vitórias. Mas sabe? No futebol, ninguém perde sozinho”, disse, se defendendo.

O técnico seguiu, grande parte da coletiva, se justificando. Usou também a reformulação no elenco, que ele fez exatamente como quis.

“Depois de tantas mudanças que fizemos no elenco, não é fácil. Não é só comprar jogadores caros, é preciso criar mentalidade vencedora, criar casca. Não digo que estou triste depois de tantas mudanças, estar até o final pelo título.”

Abel estava diferente na coletiva. Sem ânimo nem para discutir os questionamentos ao decepcionante futebol do Palmeiras.

“Entendo todas as críticas, não fomos capazes de fazer o jogo que queríamos. Na minha opinião, pelo fator mais mental da ousadia e coragem que poderíamos ter tido. O jogo foi resolvido no detalhe da bola parada.”

O treinador se pegou na diferença de vivência dos times.

“Uma equipe é cascuda, madura, e outra que tem presente e muito futuro. Nosso adversário foi melhor, a vida não é feita apenas de vitórias e é nesse momento que temos que ser resilientes.

“Desde que estou aqui (no Palmeiras), viemos três vezes aqui e ganhamos duas. Ganhamos uma desse adversário, chegamos em uma semi e em uma quartas de final, tentaremos chegar de novo no ano que vem. É o que posso dizer.”

Ao contrário do que sempre fez, não questionou de forma veemente o lance crucial da partida. A não expulsão de Pulgar, aos 30 minutos do primeiro tempo.

“Apesar de o jogo ter sido decidido em um detalhe, tivemos no final uma clara e grande oportunidade do Roque.

“Um lance muito duvidoso, no início do jogo (a entrada violenta de Pulgar). Mas, enfim, seguimos. O Flamengo foi melhor e ponto final.”

A derrota tirou a chance de o Palmeiras lutar pelo inédito Mundial de Clubes. O Flamengo será o representante da América do Sul.

Com toda justiça.

Time que em final não tem coragem e nem ousadia não merece ser chamado de campeão...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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