2h19 de confissões de Edilson Pereira de Carvalho, um juiz corrompido. A entrevista completa sobre o maior escândalo do futebol deste país
Edílson explica, com todos os detalhes, como aceitou dinheiro para manipular jogos. Fala sobre seu vício em bingo, que pode ser a origem de ter cedido à corrupção. Era o melhor árbitro do país

“Aceitei dinheiro, sim.
“Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira.
“Com a minha vida!
“Com a minha família.
“Com meu casamento.
“Minha filha não fala comigo.
“Ninguém me dá emprego.
“Virei sinônimo de juiz ladrão.
“Passo vergonha aonde eu vou.
“Fiquei preso ao lado da cela do Paulo Maluf, na Polícia Federal. Quando ele me viu, bateu palmas. Sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.
“Tentei me matar três vezes.”
Edilson Pereira de Carvalho quase foi o representante da arbitragem do país na Copa de 2002. Merecia a indicação.
Era um excelente juiz.
Mas tudo veio abaixo em 2005, quando foi revelado que Edilson recebia dinheiro para manipular jogos. No Campeonato Paulista, na Libertadores e no Brasileiro de 2005. Foi comprovado por gravações incontestáveis.
“Acabei tirando a credibilidade do futebol brasileiro. Jamais pensei que iria fazer isso. Cedi à tentação do dinheiro fácil.
“Eu recebia em dinheiro vivo. Já peguei um pacote em pleno aeroporto de São Paulo. Ninguém desconfiava de mim. Eu era um ótimo árbitro.”
Justo na semana que a CBF anuncia a profissionalização de juízes no país, a história de Edilson deixa explícito: os árbitros são o elo mais fraco, mais suscetível, mais amador no futebol pentacampeão do mundo.
Na assustadora entrevista, Edilson revela o esquema simplório até que abalou o esporte mais amado deste país.
Ele recebia dinheiro de Nagib Fayad, um apostador milionário. A Polícia Federal descobriu: ele ganhava cerca de R$ 400 mil por jogo que Edilson manipulava.
Nagib e Edilson eram absolutamente amadores. Ficavam combinando os jogos que o árbitro iria garantir o resultado por telefone.
“Eu até comprei um celular de São Paulo. Mas não adiantou nada, a Polícia Federal grampeou e pegou nossas conversas.”
Além de Edílson, o árbitro Paulo José Danelon também aceitou dinheiro para manipular jogos, pago por Fayad. O esquema foi desarticulado pela Polícia Federal. A notícia passada para a revista Veja. E o escândalo veio à tona. Edilson foi preso.
“Fiquei na cela ao lado da do ex-governador Paulo Maluf. Ele me viu e bateu palmas. Falou: ‘obrigado, Edilson’. O Maluf sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.” Ele e Fayad ficaram presos apenas cinco dias. Por um motivo muito simples.
Árbitro aceitar corrupção não era crime. A partir de 2023, um juiz que aceitar dinheiro de apostador poderá ficar até seis anos na cadeia. A legislação mudou por causa de Edilson. E também o Campeonato Brasileiro de 2005. Todos os jogos que ele apitou tiveram de ser refeitos. O Corinthians acabou beneficiado, ultrapassando o Internacional em pontos.
“Eu apitei também Libertadores e Paulista de 2005. Por que essas partidas não foram disputadas de novo?”, pergunta irônico. Edilson foi banido do futebol. Perdeu o seu escudo Fifa. Nunca mais pôde apitar. Desde então sua vida virou um tormento. Seu nome passou a ser sinônimo de ‘juiz ladrão’ nos estádios do país. Nunca mais se firmou em emprego algum. Quando descobria quem era, acabava despedido.“Perdi o respeito, o orgulho que minha família tinha de mim. Passei a beber ‘bebida forte’, como gim, uísque. E só chorava em casa.
“Peguei cerca de 100 fitas dos meus jogos, enrolei e um lençol e coloquei fogo.
“Tentei tirar a minha vida três vezes com o revólver que eu tinha. Uma vez, a bala passou e furou o telhado.“Minha mulher acabou se separando de mim. Minha filha não fala mais comigo.“Acabei com a minha vida!
“Minha punição é perpétua...”
A entrevista exclusiva com Edilson Pereira Carvalho está no Canal Cosme Rímoli no YouTube.
Lá há mais de 130 personagens ligados ao esporte deste país.
São mais de 14 milhões de acessos.
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