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SP City Marathon: a prova que eu quase não corri

Confesso que pensei que mais uma vez a SP City aconteceria para os mais de 30 mil corredores, mas não pra mim

Corrê|Renata LouresOpens in new window

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A SP City é uma das corridas mais emblemáticas do país, e eu não poderia perder Arquivo pessoal/Renata Loures

Esse ano, a vida resolveu colocar outros desafios na frente. Só nos últimos dois meses, foram cirurgia e lesão. Treinar do jeito que eu gosto foi simplesmente impossível. E, quando a gente não consegue treinar direito, começa a duvidar da própria força.

Mas justamente quando parecia mais improvável correr, ter uma prova marcada foi o que me manteve otimista. Eu olhava para cada dia sem a disciplina necessária e pensava em retomar a dedicação o quanto antes.

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Afinal, era a SP City, uma das corridas mais emblemáticas do país, e eu não poderia perder.

No ano passado, fiz uma prova de 30k pouco antes da data da SP City e, por isso, acabei não fazendo a prova. Me arrependi amargamente quando acompanhei os registros incríveis de quem foi. Jurei que esse ano não perderia. E assim foi. A trancos e barrancos, estava lá.

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A SP City virou uma motivação silenciosa no meio do caos. E aí chega o bendito domingo.

Ainda está escuro, faz aquele friozinho bom para ficar na cama. O dia anterior foi cheio. Não deu nem tempo de caprichar no carboidrato (podemos falar disso em outra postagem). Não dormi na hora ideal. Não me hidratei como costumo fazer. Droga!

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Mas foi só aproximar do Estádio do Pacaembu, todo iluminado, LOTADO de gente cheia da melhor energia para tudo mudar.

São mais de 30 mil pessoas, de todo o Brasil e de várias partes do mundo, vivendo a mesma expectativa, encorajando desconhecidos, rindo, alongando, conversando como se ainda não fosse cinco e pouca da manhã.

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E que percurso gostoso!

Em vez daquele roteiro mais conhecido pela Marginal, a prova leva a gente para dentro da cidade. É uma cruzada por 18 bairros e uma oportunidade de enxergar São Paulo por outro ângulo.

Foram 21,1k passando pelo Pacaembu, Barra Funda, Centro Histórico, 23 de Maio, Ibirapuera até seguir em direção ao Jockey Club.

Com a cabeça acelerada e os passos já não tanto, cruzei a linha e completei a SP City feliz da vida Arquivo pessoal/Renata Loures

Quem mora aqui redescobre a cidade. Quem vem de fora conhece uma São Paulo diferente. E quem é uma nova paulistãããna relembra que é legal desbravar essa cidade maluca.

Quando a energia pensa em cair, aparece um grupo de samba no caminho, uma banda de rock, torcida… E até aquele túnel longo, escuro, que poderia ser só mais um desafio cansativo, acaba entrando na brincadeira. A música ecoa, a galera faz barulho, um incentiva o outro. Quando a gente percebe, já passou.

E, quando a linha de chegada aparece, o dia também já mudou. Depois de tanta madrugada, frio e esforço, o sol resolve dar as caras. Ele já consegue dar uma esquentadinha no corpo suado e gelado.

Cruzei a linha de chegada com a cabeça voando. Naquele momento, pensava no quanto a gente vê que é forte mesmo quando é colocado à prova.

Nem sempre a motivação vai vir quando estamos mais preparados. Ela faz diferença mesmo quando não estamos tanto. Pra gente não esquecer que dias melhores estão chegando.

Com a cabeça acelerada e os passos já não tanto, cruzei a linha e completei a SP City feliz da vida! Aí foi só pegar a minha medalha maravilhosa e, claro, a minha bananinha porque, sim, a gente paga para correr na rua e é gostoso demais!

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