SP City Marathon: a prova que eu quase não corri
Confesso que pensei que mais uma vez a SP City aconteceria para os mais de 30 mil corredores, mas não pra mim

Esse ano, a vida resolveu colocar outros desafios na frente. Só nos últimos dois meses, foram cirurgia e lesão. Treinar do jeito que eu gosto foi simplesmente impossível. E, quando a gente não consegue treinar direito, começa a duvidar da própria força.
Mas justamente quando parecia mais improvável correr, ter uma prova marcada foi o que me manteve otimista. Eu olhava para cada dia sem a disciplina necessária e pensava em retomar a dedicação o quanto antes.
Afinal, era a SP City, uma das corridas mais emblemáticas do país, e eu não poderia perder.
No ano passado, fiz uma prova de 30k pouco antes da data da SP City e, por isso, acabei não fazendo a prova. Me arrependi amargamente quando acompanhei os registros incríveis de quem foi. Jurei que esse ano não perderia. E assim foi. A trancos e barrancos, estava lá.
A SP City virou uma motivação silenciosa no meio do caos. E aí chega o bendito domingo.
Ainda está escuro, faz aquele friozinho bom para ficar na cama. O dia anterior foi cheio. Não deu nem tempo de caprichar no carboidrato (podemos falar disso em outra postagem). Não dormi na hora ideal. Não me hidratei como costumo fazer. Droga!
Mas foi só aproximar do Estádio do Pacaembu, todo iluminado, LOTADO de gente cheia da melhor energia para tudo mudar.
São mais de 30 mil pessoas, de todo o Brasil e de várias partes do mundo, vivendo a mesma expectativa, encorajando desconhecidos, rindo, alongando, conversando como se ainda não fosse cinco e pouca da manhã.
E que percurso gostoso!
Em vez daquele roteiro mais conhecido pela Marginal, a prova leva a gente para dentro da cidade. É uma cruzada por 18 bairros e uma oportunidade de enxergar São Paulo por outro ângulo.
Foram 21,1k passando pelo Pacaembu, Barra Funda, Centro Histórico, 23 de Maio, Ibirapuera até seguir em direção ao Jockey Club.

Quem mora aqui redescobre a cidade. Quem vem de fora conhece uma São Paulo diferente. E quem é uma nova paulistãããna relembra que é legal desbravar essa cidade maluca.
Quando a energia pensa em cair, aparece um grupo de samba no caminho, uma banda de rock, torcida… E até aquele túnel longo, escuro, que poderia ser só mais um desafio cansativo, acaba entrando na brincadeira. A música ecoa, a galera faz barulho, um incentiva o outro. Quando a gente percebe, já passou.
E, quando a linha de chegada aparece, o dia também já mudou. Depois de tanta madrugada, frio e esforço, o sol resolve dar as caras. Ele já consegue dar uma esquentadinha no corpo suado e gelado.
Cruzei a linha de chegada com a cabeça voando. Naquele momento, pensava no quanto a gente vê que é forte mesmo quando é colocado à prova.
Nem sempre a motivação vai vir quando estamos mais preparados. Ela faz diferença mesmo quando não estamos tanto. Pra gente não esquecer que dias melhores estão chegando.
Com a cabeça acelerada e os passos já não tanto, cruzei a linha e completei a SP City feliz da vida! Aí foi só pegar a minha medalha maravilhosa e, claro, a minha bananinha porque, sim, a gente paga para correr na rua e é gostoso demais!
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