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Cosme Rimoli Copa 2018

Os sete passos de Tite que fazem o Brasil acreditar na Seleção

A vergonha de 2014 se transformou na confiança em 2018. Tite exigiu e teve carta branca de Marco Polo. Revolucionou o futebol de um país

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Tite reverteu o pessimismo da Copa de 2014. Virou confiança em 2018
Tite reverteu o pessimismo da Copa de 2014. Virou confiança em 2018

Rostov, Rússia

Os motivos dos três fracassos seguidos do Brasil nas Copas de 2006, 2010 e, principalmente, 2014, foram dissecados por Tite.

E, com a certeza de que o favoritismo, a insegurança e falta de estratégia não sabotarão a Copa da Rússia, que o Brasil entrará em campo, hoje, às 15 horas, de Brasil, 21 horas, aqui de Rostov.

O primeiro adversário, a competitiva, defensiva e dona de enorme força física, a Suíça.


Foram sete as principais dificuldades.

Cada obstáculo foi ficando para trás. A começar pelo que mais preocupava o treinador. Neymar. Tite agiu com toda sua vivência para tratar com o maior do futebol brasleiro. Mas o jogador mais problemático. 


O atleta mais caro da história, comprado por R$ 822 milhões pelo PSG, estava cansado, frustrado com a Seleção. Participara dos fracasso na Copa do Mundo de 2014, da Copa América do Chile e dos primeiros jogos da Eliminatória. A sua irritação com o selecionado principal era tanto que, uma das suas primeiras declarações, após a conquista da inédita medalha de ouro foi avisar que não aceitava mais ser capitão da Seleção Brasileira principal.

Tite o acolheu e fez todas as suas vontades. Mas, ao contrário de Felipão e Dunga, foi esperto. Tratou de trabalhar com afinco para montar duas equipes. Uma e outra sem Neymar. Queria e acabou com a dependência umbilical do atacante brasileiro. 


As vitórias contra Rússia e Alemanha foram as provas de que o técnico não vai ficar desesperado se Neymar não puder jogar. For machucado, expulso. O camisa 10 do Brasil é inteligente e percebeu o que acontecia. 

Tite e o orgulho de ter recuperado o 'melhor zagueiro do mundo'
Tite e o orgulho de ter recuperado o 'melhor zagueiro do mundo'

Vivido, o técnico insistiu que precisava do jogador, mas leve, livre para ser uma peça fundamental da Seleção. E tratou de ser seu escudo pessoal. A princípio pela sua polêmica saída do Barcelona. Depois, os problemas com o fisco, até na crise com Cavani e Unai Emery, no PSG, se colocou como aliado. Quando enfrentou juízes que não davam cartões a quem o agredia, ganhou o respeito, o carinho e a dedicação de vez.

Neymar passou a jogar coletivamente. Parou de tentar dar seu show individual, acabaram os dribles desnecessários que matavam contragolpes. Tite o convenceu a ser objetivo. Mas manteve o privilégio dos pênaltis, faltas, o fim da posição fixa na esquerda. Foi liberado para fazer o que desejar com a bola nos pés, da intermediária adversária para a frente.

"Ele é o melhor técnico que tive na minha vida", resume Neymar.

Sabendo lidar com o egocêntrico jogador, restava ter a coragem e recuperar outro jogador que considera fundamental para a disputa da Copa: Thiago Silva. A imprensa e a torcida brasileira já haviam decretado o fim da carreira do zagueiro na Seleção. Seu descontrole emocional na Copa de 2014, as crises de choro e mais a amnésia do tapa na bola que deu diante do Paraguai, na Copa América do Chile, o definiram com um atleta sem condições emocionais para enfrentar a responsabilidade de atuar pelo Brasil.

De forma discreta, Tite o chamou e o colocou na reserva de Marquinhos e Miranda, que jogaram de forma excelente. Só na reta final para a Copa que o técnico fez o que pretendia. Colocou Thiago Silva como titular. 

"Ele joga muito. É um dos melhores zagueiros que vi jogar. Tem inúmeros recuros técnicos. Me doeu o coração tirar o Marquinhos. Mas eu tinha de colocar o Thiago. É uma questão de convição", detalhou Tite, sem que ninguém ousasse questioná-lo.

O terceiro degrau da revolução que transformou a vergonha de 2014 em confiança de 2018 também tem relação com um jogador. Paulinho. Ele não só estava queimado pela fraquíssimo Mundial do Brasil. Mas também parecia ter aberto mão da Seleção, aceitando os milhões chineses, para trocar o Tottenhham, que insistia em colocá-lo como ponta direita. 

Tite trouxe para a Seleção o homem responsável pelo salto no patamar de treinador, com a conquista da Libertadores e do Mundial. O onipresente volante, que atua como quatro. Cobrindo os laterais, marcando os meias, saindo jogando com qualidade. E marcando gols no ataque, como elemento surpresa.

Com Tite, Paulinho teve mais do que liberdade, redescobriu a confiança, jogador emotivo que é. A volta à Seleção fez tão bem que acabou fazendo um trajeto tão imprevisível quanto inédito. Do Guanghzhou Evergrande para o Barcelona, algo impensável.

Com talento solidário no ataque, defesa segura e pulmões no meio de campo, o técnico se voltou para o gol. Foi quando pesou a confiança na indicação de Taffarel. O ex-goleiro da Copa de 1990, 1994 e 1998 foi direto. Alisson reunia tudo o que a Seleção precisava no gol. Segurança, agilidade, personalidade e habilidade com os pés para sair jogando, como tanto quer o treinador.

Tite fez questão de trazer Paulinho, que também estava queimado por 2014
Tite fez questão de trazer Paulinho, que também estava queimado por 2014

Só que havia um grande problema. Alisson era reserva na Roma. Taffarel foi até a Itália e voltou ainda mais convencido. Para ele, Alisson não seguiria mais o banco. Ganharia a posição em 2017. E não sairia mais da equipe. Foi a sua aposta que convenceu Tite. O treinador enfrentou com firmeza as justas cobranças por Vanderlei, Diego Alves, Marcelo Grohe. Se manteve firme no que havia prometido ao seu preparador de goleiro.

Com a confiança da Seleção Brasileira, Alisson deu a vota por cima na Roma. E hoje é disputado por Liverpool e Real Madrid. Chega à Copa do Mundo no auge da sua forma. Com a confiança de todos.

A quinta atitude de Tite foi usar o aval dado por Marco Polo del Nero. E conseguiu reverter uma política estúpida e mercenária da CBF, a de marcar amistosos apenas para agradar a emprensa israelense Pitch, a quem o ex-presidente Ricardo Teixeira vendeu os amistosos da Seleção até 2022. A Pitch sabotou por anos, obrigando o país a enfrentar adversários inexpressivos. E com a obrigação de ter os principais atletas, como Neymar.

Isso acabou. Tite viu a inutilidade desses jogos. E tratou de exigir adversários fortes como Alemanha, Argentina, Inglaterra. Tudo mudou e de maneira radical. Foram confrontos que acrescentaram muito à Seleção. Confiança, definição do melhor sistema tático. 

A sexta situação é também técnica. A escolha de atletas versáteis. E ter a coragem de exigir que eles tenham duas, três funções táticas na mesma partida. Paulinho é capaz de ser volante, meia e 'centroavante'. Philippe Coutinho se desdobra como meia, atacante e volante, fechando os laterais. Gabriel Jesus não só é o jogador mais agudo pelo meio. Mas se transforma em ponta direita e em meia, dependendo da jogada. Ainda aproveita seu vigor físico para marcar volantes ou laterais.

Casemiro se torna um terceiro zagueiro, quando o Brasil é pressionado. E ainda um dos mais importantes cabeceadores no ataque. Além de ser obrigado a se infiltrar na área rival quando a marcação for forte demais, como deverá ser, por exemplo, a suíça.

Marcelo vira meia, volante, dependendo do momento. 

Em resumo, Tite conseguiu fazer todos entenderem que o Brasil, para tentar vencer a Copa, precisa ter uma compactação só. Com zagueiro sabendo atacar, atacante atuar como lateral, meia marcando como primeiro volante. Esse é um grande mérito.

Tanto que o time que entra em campo hoje é assumidamente moderno, polivalente. Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro, Paulinho e Phiilippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar, que começará o Mundial. 

A cumplicidade entre Neymar e Tite é total. Maior do que com Felipão e Dunga
A cumplicidade entre Neymar e Tite é total. Maior do que com Felipão e Dunga

O último passo decisivo de Tite foi a modernização nos métodos de treinamento, acompanhamento sistemático. Acabaram os simples pedidos de favor aos clubes europeus. As visitas da Comissão Técnica aos principais clubes viraram constantes. Fora a exigência de exames médicos e físicos dos jogadores brasileiro. De forma periódica. 

E não só as estrelas. Como os coadjuvantes e promessas. Isso vale para a Europa inteira, inclusive o Leste europeu e Ásia. Quando Tite assumiu, Dunga e Gilmar Rinaldi não deixaram dados. Tudo precisou ser feito 'do zero'.

Foram esses relatórios físicos e médicos que orientaram a preparação da Seleção até a estreia na Copa hoje. Os treinos passaram a ser filmados. Os jogadores monitorados por computador em cada exercício.

A modernidade chegou na coragem dos treinos secretos, mais do que necessários para o Brasil preparar seu time. Com direito a jogadas ensaiadas, movimentações dos zagueiros e atacantes em escanteios. Cobranças de faltas e pênaltis.

O reconhecimento ao ótimo trabalho de Tite chegou às arquibancadas
O reconhecimento ao ótimo trabalho de Tite chegou às arquibancadas

Os sete passos que revolucionaram o Brasil foram calculados.

"Eu sempre pensei muito o que faria com a Seleção, assim que assumisse. E tudo o que eu e a minha comissão técnica pensamos, fizemos. Tenho a convicção na minha alma. O Brasil chega pronto", garante Tite...

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