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Cosme Rimoli Copa 2018
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Os motivos de o Brasil ser mais do que favorito contra a Bélgica

Tite é  responsável pela profunda reformulação tática na Seleção. E ela será a base do confronto contra os belgas, que vale a semifinal da Copa

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Neymar solidário. Tite o fez entender a necessidade de jogar para o time
Neymar solidário. Tite o fez entender a necessidade de jogar para o time Neymar solidário. Tite o fez entender a necessidade de jogar para o time

Kazan, Rússia

A admiração de Tite pela Bélgica é a maior arma do Brasil, aqui na Arena Kazan. O confronto é precioso. Vale uma vaga para a semifinal da Copa do Mundo. Depois de quatro anos de transformação, o Brasil entra como favorito diante dos emergentes belgas.

O motivo está exatamente nos dois anos de observação do trabalho de seu rival, o espanhol Roberto Martínez. Tite sabe que há motivos de sobra para manter o sonho de conquista do hexa.

"O poder criativo da Bélgica é muito forte, a qualidade, vai ser um grande jogo. São duas equipes que primam por um futebol bonito, cada um com suas características. A Bélgica tem valores individuais de qualidade, um grande técnico, uma grande campanha. Vai ser um grande jogo", disse Tite, respondendo à minha pergunta ontem na coletiva antes da partida

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O técnico da Seleção deu apenas metade da resposta. A Bélgica é uma equipe poderosa do meio para a frente. Só que seu sistema defensivo é vulnerável. Principalmente porque marca com três jogadores atrás, para tentar encurtar o campo para o adversário. Isso funcionava com o Barcelona de Guardiola, em 2008, há dez anos.

O antídoto está nas bolas em profundidade pelas laterais, em velocidade. Foi assim, por exemplo, que a fraca seleção japonesa marcou dois gols nas oitavas e obrigou os belgas a uma esforço imenso para virar por 3 a 2, no último instante, um jogo fácil.

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Tite sabe muito bem desse defeito belga.

E não pensou duas vezes em promover a volta de Marcelo pela lateral esquerda. Embora não esteja no melhor de sua forma física, desgastado demais pela temporada no Real Madrid, o poder criativo com o triângulo formado com Philippe Coutinho e Neymar pelo lado esquerdo do campo é muito poderoso. E maior arma brasileira.

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Neymar só precisa seguir solidário com a equipe. Jogar para o time e não para tentar mostrar ser o melhor do mundo. E precisa também ter cuidado com as simulações. Ele está na alça de mira da arbitragem. Na Europa, fingir ter sofrido falta é visto como desonestidade e não como esperteza, como no Brasil.

Se Courtois merece todo o respeito como um dos melhores goleiros do mundo, Toby Alderweireld, Vincent Kompany e Jan Vertonghen, os três defensores belgas, são limitados. Ótimos pelo alto, mas lentos. O meio de campo de Martínez é voltado para o ataque. Thomas Meunier, Kevin de Bruyne, Alex Witsel e Yannick Ferreira-Carrasco tem sérias dificuldades na recomposição. Quando retomam a bola são criativos, habilidosos. Mas falhos na marcação.

Tite conseguiu fazer o Brasil descobrir a importância tática no futebol
Tite conseguiu fazer o Brasil descobrir a importância tática no futebol Tite conseguiu fazer o Brasil descobrir a importância tática no futebol

A tendência é que a Bélgica, para tentar compensar suas falhas estruturais, recomponha suas linhas. Recue o talentoso Hazard para articular pelo meio. Deixando Lukaku e Fellaini (ou Mertens) para os contragolpes em velocidade.

Aí é que o Brasil leva vantagem neste duelo mais do que interessante. Da melhor defesa contra o melhor ataque, apesar de ser impossível esquecer que os belgas tiveram pela frente o Panamá e a Tunísia. 

Com Fernandinho designado para cumprir a mesma função de proteção da área de Casemiro, Thiago Silva e Miranda formam a melhor dupla de zagueiros da Copa. Fagner tem mostrado personalidade e firmeza na marcação. Marcelo guardado mais a posição. Alisson também se mostra firme, confiante.

Mas é a estrutura das linhas. Nos estádios russos é como observar um jogo de xadrez, cada vez que o Brasil entra em campo. Do meio para trás, as peças se movem com uma sincronia impressionante. A Seleção marca no 4-1-4-1, deixando apenas Gabriel Jesus, como o mais sacrificado, correndo como insano na saída de bola adversária. Ou no 4-4-2, tendo Neymar mais à frente. Só que a situação é diferente, para poupar fisicamente o maior talento nacional. A ordem é nunca o Brasil se defender com menos de oito atletas, espalhados em duas linhas de quatro, no mínimo.

O plano tático brasileiro é encaixotar Hazard. Não deixar que ele tenha tempo de levantar a cabeça e coordenar os ataques belgas. As trocas de passes, as inversões com qualidade.

Lógico que há o imprevisível do jogo. O improviso, o drible, um passe errado. Mas a firmeza da defesa do Brasil dá sustentação, faz com que os meias e os atacantes possam ousar, no último terço do campo, como gosta de repetir Tite.

Neymar e Philippe Coutinho são as grandes preocupações belgas. A aproximação sobre eles será mais forte nas intermediárias. O que pode fazer com que sobre espaço para Gabriel Jesus desencantar. Para a entrada de surpresa de Paulinho na área belga. O jogo também estará à feição de Willian, se mostrar a mesma personalidade do jogo contra os mexicanos. O lado esquerdo do time europeu marca mal.

Tite enfrenta as críticas e na estratégia defende Gabriel Jesus titular
Tite enfrenta as críticas e na estratégia defende Gabriel Jesus titular Tite enfrenta as críticas e na estratégia defende Gabriel Jesus titular

Há quatro anos, o futebol brasileiro era humilhado. Mostrava ao mundo seu atraso tático. Por isso foi goleado por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal e perdeu por 3 a 0 diante da Holanda, na disputa do terceiro lugar.

Nos dois anos seguintes, o atraso continuou com Dunga. Tite reestruturou a organização. Juntou a estratégia ao talento individual brasileiro. E por isso, a Seleção chega como favorita nas quartas-de-final contra a Bélgica. 

Será o duelo de um time completo diante de outro com um grande ataque e sistema defensivo vulnerável.

O futebol é apaixonante pelas surpresas.

Seria um choque para o mundo a derrota do Brasil, hoje.

Tite fez seu trabalho correto para evitá-la.

A resposta, a partir das 15 horas, de Brasília...

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