Logo R7.com
Logo do PlayPlus
Cosme Rimoli Copa 2018
Publicidade

O primeiro tempo foi fatal. O Brasil pagou caro demais

Os primeiros 45 minutos irreconhecíveis custaram dois gols e a eliminação da Copa. Derrota por 2 a 1 para a Bélgica. São 16 anos de fracasso

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

06.jul.2018 - Brasil x Bélgica
06.jul.2018 - Brasil x Bélgica 06.jul.2018 - Brasil x Bélgica

Kazan, Rússia

O Brasil pagou por 45 minutos irreconhecíveis. Tenso, lento, sem confiança. E acabou pagando da pior maneira possível. Sendo eliminado da Copa da Rússia.

De nada adiantou massacrar a Bélgica no segundo tempo. Os dois gols pesaram demais.

Ficou evidente que a Seleção não teve nervos para sair atrás do placar. Outra veza ficou evidente a falta um trabalho psicológico sério, profissional.

Publicidade

A derrota por 2 a 1 cravou os 16 anos de jejum, sem conquista do Mundial.

A geração de Neymar fracassa pela segunda vez. Foi de uma maneira digna, lutando, criando inúmeras chances. Mas não conseguiu se livrar do pecado de sofrer dois gols belgas. 

Publicidade

O time de Tite caí de pé. 

Mas isso não compensa, não anima. 

Publicidade

O fracasso voltou a visitar a Seleção Brasileira.

O primeiro tempo do Brasil foi algo assustador. O time não conseguiu jogar. Por culpa dos belgas. Martínez fez duas substituições em relação ao time que sofreu para virar o jogo contra o Japão. Resolveu apostar na força física de Fellaini e Chadli. 

A Bélgica não foi a equipe rápida, vibrante, ofensiva que Tite esperava. Muito pelo contrário. Montada com inteligência para travar o espaço nas intermediárias. Atuava com uma frieza impressionante. A equipe com média de dez centímetros maior do que a brasileira, 1m88 contra 1m78, tratava de atrair o leve time nacional para seu campo. E explorava os contragolpes em bloco. Tudo muito organizado, coordenado.

A maior preocupação de Roberto Martínez era travar Neymar. Não com pontapés. Mas marcando por setor, com Fellaini não deixando o brasileiro respirar. Sua função era ocupar o setor direito da intermediária, onde o camisa 10 brasileiro gosta de ocupar.

Desde o início da partida ficou claro que Marcelo estava longe do seu melhor estado físico. Inseguro e visivelmente se poupando na hora de buscar tabelas, triangulações com Neymar. Philippe Coutinho também não conseguia se encontrar, diante do festival de pernas belgas que acompanhavam as jogadas, as trocas de bola. Com marcação forte, por setor.

Assim também como Willian, pequenino diante do gigante Vertonghen. Não conseguia encontrar espaço para fazer a diagonal ou triangular com Fagner. Paulinho outra vez se mostrava perdido. Sem apoiar o ataque e sem defender.

Como em qualquer esporte é preciso sorte. E ela faltou ao Brasil em dois escanteios. Com intervalo de cinco minutos. 

O placar era mais do que injusto.

Mas no futebol a bola precisa entrar.

No primeiro deles, Neymar cobrou, Miranda subiu de cabeça, desviou. A bola bateu em Thiago Silva e foi, caprichosa, beijar a trave de Courtois. 

O segundo trouxe consequências terriveis. 

Além de jogar mal, Fernandinho marcou o gol contra que abalou a Seleção
Além de jogar mal, Fernandinho marcou o gol contra que abalou a Seleção Além de jogar mal, Fernandinho marcou o gol contra que abalou a Seleção

A Bélgica levantou a bola aos 12 minutos. A marcação era forte em Company, na primeira trave. Gabriel Jesus saltou e errou o tempo da bola, mal a desviou. Ela tocou na cabeça de Fernandinho e foi para o fundo do gol de Alisson, que nada pôde fazer. 1 a 0, Bélgica.

O Brasil que encontrava muito mais dificuldade do que esperava, se perdeu psicologicamente. O time estava lento, péssimo na saída de bola. Coutinho aceitava a marcação. Neymar, irritado, também não conseguia render. Gabriel Jesus estava intimidado, no meio do que pareciam declatetas e não jogadores de futebol. 

A lentidão brasileira contrastava com a velocidade e firmeza nos contragolpes belgas. Estava no ar, aqui de Kazan, que o pior estava para vir. 

E veio.

Em uma arrancada de Lukaku, que passou por Fernandinho como quis, rolou a bola na direita para De Bruyne livre. Sem marcação, ele teve tempo de ajeitar a bola e soltar o chute fortíssimo, sem chance de defesa para Alisson. 2 a 0, Bélgica, aos 30 minutos.

Deu uma pane na equipe de Tite. Fernandinho não conseguia marcar ninguém. Neymar, Coutinho e Willian abaixaram a cabeça, não reagiam. Paulinho se omitia do jogo. Faltava alguém com personalidade, com coragem de cobrar, acordar o time. A equipe se desmanchava. Não estava preparada para sair atrás no placar.

A lentidão era reflexo de puro descontrole emocional.

No intervalo, Tite poderia trocar a equipe toda, se a regra permitisse. Tirou Willian e colocou Firmino. Mas a principal mudança foi de atitude. O Brasil finalmente percebia que tinha 45 minutos para tentar sobreviver na Copa da Rússia.

A Bélgica recuou suas linhas. E a troca de bola já era possível na intermediária entre Neymar e Phillipe Coutinho. Martínez não permitia eram as infiltrações. Seu medo eram os dribles que poderiam encontrar alguém livre no meio dos zagueiros. 

O Brasil precisava de atacantes decididos, convictos que poderiam salvar o jogo. E não era o caso de Gabriel Jesus. Ele sentiu a pressão, demonstrou sua imaturidade, intimidado. Tite o tirou e colocou, com acerto, Douglas Costa. 

Tite apostou em uma seleção leve, veloz. Perdeu o confronto físico com os belgas
Tite apostou em uma seleção leve, veloz. Perdeu o confronto físico com os belgas Tite apostou em uma seleção leve, veloz. Perdeu o confronto físico com os belgas

A ordem era incediar de vez o jogo.

O Brasil tinha de descontar, fazer um gol o mais rápido possível. Mas a ansiedade, o nervosismo era uma barreira até maior do que o paredão belga diante de Courtois. O tempo passava rápido, inclemente, a bola rondava a área belga, mas insistia em não ser desviada para as redes.

A tensão já dominava o time de Tite. Foi quando ele colocou Renato Augusto no lugar do perdido Paulinho. Entrava um jogador com físico para enfrentar a zaga belga. E aos 30 minutos, Phillipe Coutinho descobriu o volante na área belga. O toque de cabeça foi indefensável para Courtois, 2 a 1. 

A partir daí, virou um massacre. Com o Brasil pressionando, tratando de travar a saída de bola belga. E atacando. Douglas Costa incendiava a direita e Marcelo e Neymar, a esquerda. Os belgas foram se encolhendo, tensos.

O cansaço já atingia os europeus. Renato Augusto teve uma chance estupenda de empatar o jogo. Recebeu outro passe excelente de Phillipe Coutinho e, livre, como se fosse na cobrança de um pênalti, chutou cruzado. Courtois só olhou. A bola foi para fora, lambendo a trave.

A pressão continuou insana. Os belgas corriam de um lado para o outro. Aos 38 minutos, Neymar deixou Phillipe Coutinho livre, mas na corrida, o jogador se precipitou e chutou pelo alto. Era um sofrimento só. 

O placar já era mais do que injusto. 

Só que no futebol, a bola tem que ir para as redes. Não adianta dominar o jogo. O Brasil correu, chutou, tentou empatar. Mas não conseguiu.

Os dois gols no primeiro tempo acabaram com os nervos da Seleção.

A frustração, velha companheira das últimas quatro Copas, voltou.
A frustração, velha companheira das últimas quatro Copas, voltou. A frustração, velha companheira das últimas quatro Copas, voltou.

O que era empolgação virou frustração.

A derrota inesperada, diante de um adversário inferior.

Triste fim para uma caminhada que parecia fácil.

Quem sabe agora o futebol brasileiro se lembre dos psicólogos?

O Brasil caiu em mais um Mundial por descontrole emocional.

Lágrimas não adiantam.

Nova chance só daqui a quatro anos...

Últimas

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.