João Fonseca bate Novak Djokovic: venceu quem tinha um pouco mais de combustível
Virada na quadra central faz o Brasil sonhar com novo título em Roland Garros
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Foi uma vitória épica e histórica. João Fonseca conseguiu uma nova virada e derrotou o sérvio Novak Djokovic, 4º do mundo, por 3 sets a 2, com parciais de 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5. Pela primeira vez, o brasileiro alcançou as oitavas de final de um Grand Slam.
Foi uma batalha de 4 horas e 53 minutos, com os dois tenistas chegando ao fim extenuados. Venceu quem tinha um pouco mais de combustível no tanque.
João Fonseca se tornou apenas o segundo tenista a arrancar uma virada em Roland Garros diante de Novak Djokovic, depois de sair perdendo por 2 sets a 0. Só o austríaco Jurgen Melzer tinha feito isso, há 16 anos. E, para completar, a vitória foi um presente para a mãe de João Fonseca, Roberta, a aniversariante do dia.
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Dono de 24 títulos de Grand Slam, Djokovic deixou escapar uma grande chance de se isolar como o maior recordista de troféus da categoria, uma vez que era o único campeão de Grand Slam ainda com chances em Paris. Com a sua derrota, Roland Garros 2026 vai ter um campeão inédito.
A vitória fez muitos brasileiros imediatamente recordarem a façanha de Gustavo Kuerten, em 1997.
Naquele ano, Guga chegou a Paris com apenas 20 anos, ocupando a 66ª posição do ranking da ATP e totalmente desconhecido. Sem o status de cabeça de chave, ele assombrou o mundo do tênis ao enfileirar vitórias sobre os campeões dos quatro anos anteriores do torneio.
Nas oitavas de final, venceu o austríaco Thomas Muster, campeão de 1995 e então nº 5 do mundo. Nas quartas de final, a vítima foi o russo Yevgeny Kafelnikov, campeão de 1996. Na semi, o belga Filip Dewulf deu menos trabalho, vitória por 3 sets a 1. Na grande final, o espanhol Sergi Bruguera, bicampeão em 1993 e 1994, não viu a cor da bola e foi massacrado em quadra. Guga venceu por 3 sets a 0.
Ali, o circuito começava a conhecer aquele garoto de cabelos encaracolados, roupa de cores berrantes e sorriso sempre aberto no rosto, que tinha acabado de conquistar o título mais surpreendente da Era Aberta do tênis.
Depois, Guga seria bicampeão em 2000 e tri em 2001. Cinco anos antes de João Fonseca nascer. A diferença é que, naquela época, a gente assistia às partidas pela televisão, e quando havia um canal que transmitisse.
Hoje, com a velocidade da internet, a façanha do tenista brasileiro repercute imediatamente em todo o mundo. Como nesta foto postada pela organização do torneio, perguntando: “o que acabamos de assistir?”.
O fenômeno João Fonseca
Na entrevista em quadra, João foi perguntado se acreditava que poderia vencer Djokovic.
“Na verdade, eu não [acreditava que poderia vencer]. Eu apenas joguei, apenas aproveitei [para] estar na quadra. Que prazer foi e que ídolo nós temos. É um prazer apenas pisar na quadra contra ele. É a primeira vez [contra Djokovic], então só agradeço a ele e estou muito feliz.”
Uma resposta que mostra o tamanho da vitória, conquistada com humildade e muita luta.
Na luta por vaga nas quartas, Fonseca vai enfrentar o vencedor do duelo entre o norueguês Casper Ruud, número 16 do mundo, e o norte-americano Tommy Paul, número 21.
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