Como o Santos agiu para pagar dívidas e ‘arrumar a casa’ para manter Neymar
Com endividamento de curto prazo sob controle, o desafio da gestão em 2026 é blindar o caixa contra o alto custo operacional do elenco estelar
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O balanço de 2025 do Santos revela um clube em uma delicada cirurgia financeira. De um lado, a euforia do “Efeito Neymar” e o retorno à elite; do outro, a sombra de um passivo que ainda flerta com a casa do bilhão.
Para o torcedor, o momento é de alívio contido; para o gestor, é de austeridade máxima.
2025: O ano da faxina onerosa
O grande mérito da gestão Marcelo Teixeira em 2025 foi o ataque às dívidas onerosas. A redução de 37% nessas pendências (justamente as que carregam os juros bancários mais cruéis) mostra que o Peixe parou de “queimar dinheiro” para pagar juros de curto prazo.
A estratégia foi clara: trocar dívidas bancárias asfixiantes por parcelamentos fiscais e trabalhistas de longo prazo (Profut e Refis). Isso deu ao clube um fluxo de caixa mais previsível.
Além disso, o Santos conseguiu operar dentro do Fair Play Financeiro, mantendo seu endividamento de curto prazo em 41% da receita, um índice saudável para os padrões brasileiros.
No entanto, o brilho das receitas de R$ 678,5 milhões (impulsionadas pela volta de Neymar e novos patrocínios) foi ofuscado por um déficit de R$ 79 milhões. Ou seja: o Santos arrecadou muito, mas o custo do futebol e os juros do passado ainda consomem mais do que o clube gera.
Projeção 2026: entre o déficit e a consolidação
Se 2025 foi o ano de “arrumar a casa”, 2026 será o teste de resistência. O Conselho Deliberativo já aprovou um orçamento que prevê um déficit de R$ 94,9 milhões.
O que esperar para o próximo ano:
Aumento de receitas: espera-se que a receita cresça até 40% em relação a 2025, consolidando o clube no topo das arrecadações do país, especialmente se a “Neymarmaria” continuar gerando recordes de vendas de camisas e sócios.
A sombra do bilhão: mesmo com a melhora operacional, a dívida total acumulada beira R$ 1 bilhão. O desafio de 2026 será amortizar esse montante sem desmantelar o elenco competitivo.
Risco operacional: O Conselho Fiscal já deu o alerta: o clube precisa de “cortes inteligentes”. O custo recorrente subiu de R$ 251 milhões para R$ 467 milhões em um ano. Se a receita estagnar e as despesas continuarem subindo, o Santos pode voltar a sofrer com a falta de liquidez.
O Santos de 2026 não será um clube “rico”, mas um clube recuperável. A projeção indica que o Peixe continuará vivendo no limite, priorizando o pagamento de acordos judiciais e impostos para evitar novos bloqueios.
A saúde financeira dependerá de três pilares: manter a performance em campo (vagas em competições internacionais são vitais), manter o engajamento comercial do “fenômeno Neymar” e, acima de tudo, não sucumbir à tentação de novas antecipações de receitas que hipotequem o futuro da Vila Belmiro.
Economista vê lado positivo
O Santos encerrou o balanço financeiro de 2025 com sinais claros de recuperação e fôlego extra no caixa. O principal destaque foi a redução de 37% nas dívidas onerosas — aquelas que possuem os juros mais altos do mercado.
Esse movimento reflete uma estratégia de gestão que prioriza a autonomia, diminuindo drasticamente a necessidade de recorrer a empréstimos bancários para quitar compromissos rotineiros.
Estratégia de longo prazo e fluxo de caixa
A melhora nos indicadores é fruto do parcelamento de pendências fiscais e trabalhistas históricas por meio de programas como Profut, Refis e acordos na CNRD. Segundo especialistas, essa reestruturação permite que o clube organize melhor suas saídas mensais de dinheiro.
“O desafio é manter os pagamentos das obrigações correntes em dia e não atrasar os parcelamentos. Requer, essencialmente, disciplina financeira nos gastos”, avalia o economista Cesar Grafietti.
Adequação ao fair play financeiro
Outro ponto crucial do relatório é o controle do endividamento imediato. Atualmente, as dívidas de curto prazo do Peixe equivalem a 41% de sua receita total, patamar que coloca o clube em conformidade com as exigências do fair play financeiro no Brasil.
Principais avanços da gestão
Austeridade: equilíbrio entre contratações parceladas e arrecadação.
Redução de pressão: alongamento de prazos para impostos e acordos judiciais.
Operação sustentável: melhora na relação dívida/receita, permitindo operar dentro dos limites saudáveis do mercado esportivo.
Embora o cenário seja positivo, o alerta para a diretoria permanece o mesmo: a manutenção dessa estabilidade exige rigor absoluto no controle de gastos para que o clube não volte a sofrer com a asfixia financeira de anos anteriores.
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