A noite em que a Vila sorriu de novo
Com dois gols e atuação de gala, Neymar tira o Santos da lama e mostra que a magia ainda existe

A Vila Belmiro tem uma memória afetiva que beira o sagrado e, na noite desta quinta-feira (26), o templo do futebol brasileiro testemunhou mais um capítulo da simbiose entre o Santos e seu eterno Menino da Vila.
Em um duelo que carregava o peso da desesperança — um confronto direto contra o rebaixamento logo na quarta rodada do Brasileirão 2026 — Neymar Jr. não apenas jogou, mas lembrou ao Brasil por que ainda é a bússola técnica do nosso futebol.
O Santos entrou em campo sob a neblina da incerteza, vindo de uma sequência amarga que o mantinha na lanterna. O Vasco, por sua vez, tentava capitalizar sobre o nervosismo santista. Mas, aos 25 minutos do primeiro tempo, o roteiro mudou.
Em um contra-ataque cirúrgico puxado por Moisés, a bola encontrou o camisa 10 na esquerda. Com a calma de quem domina o tempo, Neymar bateu colocado, com aquela curva característica que faz o goleiro parecer um espectador privilegiado. 1 a 0.
A tensão e o brilho da genialidade
O empate vascaíno com Barros, pouco antes do intervalo, trouxe de volta os fantasmas que rondam a Baixada Santista. O clima esquentou, houve troca de farpas com Thiago Mendes e o cartão amarelo para o astro santista parecia prenunciar uma noite de frustração.
Entretanto, gênios não se abatem pelo caos. Eles o utilizam como combustível. Aos 15 minutos da etapa final, após um lançamento de Arão e uma bobeira da zaga cruz-maltina, Neymar se viu novamente frente a frente com Léo Jardim. O que se viu a seguir foi uma pintura: um toque de cobertura sutil, escandaloso de tão preciso, que selou o 2 a 1 e explodiu o coração de 8 mil santistas presentes.
Mais que três pontos, um recado
A vitória escalou o Peixe para a 13ª colocação, mas o saldo vai além da tabela. Para o técnico Vojvoda, é a confirmação de que o projeto “Neymar 2026” é viável. Para o torcedor, é o alívio de ver o ídolo entrar no Top 10 de maiores artilheiros da história do clube, alcançando a marca de 152 gols.
Neymar saiu de campo sob aplausos, após uma homenagem ao companheiro Vini Jr. em sua comemoração. A atuação contra o Vasco não foi apenas uma exibição técnica, foi um manifesto de liderança.
Em ano de Copa do Mundo, o camisa 10 provou que, quando a bola queima nos pés de todos os outros, ela descansa e se transforma nos dele.
O Santos respira. O Vasco amarga a lanterna. E o futebol brasileiro, por uma noite, voltou a ser propriedade privada de Neymar Silva Santos Júnior.
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