Olimpíadas Ele conheceu esporte em tragédia e agora sonha com medalha olímpica

Ele conheceu esporte em tragédia e agora sonha com medalha olímpica

Pepê Gonçalves teve seu primeiro contato com a canoagem em projeto social por causa de mortes em rio da região em que nasceu

Pepê Gonçalves sonha com a sua primeira medalha olímpica na carreira

Pepê Gonçalves sonha com a sua primeira medalha olímpica na carreira

Reprodução/Instagram @pepehgoncalves

Um dos grandes nomes da delegação brasileira em Tóquio 2020, Pepê Gonçalves finalmente está em sua fase final de preparação. O atleta, que no início do mês passou por um grande susto, com um teste de covid-19 erroneamente marcando positivo às vésperas da viagem ao Japão, está mais do que motivado para conquistar o grande sonho: uma medalha olímpica.

Dono de duas medalhas de ouro no Pan de Lima, em 2019, e um dos grandes nomes da canoagem slalom no mundo, Pepê tem ciência de que chega aos Jogos Olímpicos como um dos favoritos à medalha de ouro. Para ele, porém, isso não é uma pressão. E sim uma motivação extra.

"Minha expectativa é, sem dúvidas, a medalha. Sei que o caminho é longo, difícil, mas estou aqui para buscar uma medalha. Fiz uma preparação muito boa. Final olímpica eu já conquistei no Rio 2016, então o que eu quero é medalha", iniciou o atleta nascido em Piraju, no interior de São Paulo, em entrevista exclusiva ao R7, citando não "escolher adversários": "Tem muita gente treinando, sei que a Olimpíada só tem atletas de alto nível. Mas acredito que meu principal concorrente sou eu mesmo. Eu dependo de mim para fazer uma boa prova."

Além de sua técnica e talento, Pepê considera que o fato de já conhecer a pista em que será realizada a prova olímpica, entre os dias 25 e 30 de julho, pode ser uma vantagem. "Os treinamentos são feitos em corredeiras. E todas as provas internacionais são feitos em locais artificiais. Eu já estive lá em 2019, no pré-olímpico. Inclusive, é uma cópia do canal olímpico do Rio de Janeiro, onde eu treino na maior parte do tempo, e isso influencia muito", contou o atleta, que tem uma rotina regrada, com 13 treinos na água por semana, além de treino físico na academia.

Pepê é patrocinado pela Fila

Pepê é patrocinado pela Fila

Reprodução/Instagram @pepehgoncalves

Aos 28 anos e provavelmente no melhor momento de sua carreira, Pepê conheceu a canoagem por acaso. E graças a uma tragédia: "Eu comecei em 2004, através de um projeto social em Piraju. Esse projeto veio por conta dos atletas da seleção brasileira de canoagem velocidade que estavam se preparando para os Jogos Olímpicos de Arenas, e também por conta de estar morrendo muita criança afogada no rio da região. E assim como toda criança que via aqueles atletas da seleção passeando pela cidade, com televisão cobrindo, eu também queria fazer parte", explicou.

E foi amor à primeira vista. Tão logo conheceu o esporte, ele não largou mais. "A canoagem não é um esporte muito barato. Cada barco custa cerca de R$ 8 mil. O remo, R$ 2 mil. E tudo comprado fora do Brasil. Desde o começo sempre foi muito difícil, eu comecei com barco de plástico. O remo vivia quebrando. Mas mesmo com essas adversidades, eu nunca pensei em desistir, nunca passou pela minha cabeça. É um sonho desde criança. Foi forjado na dificuldade."

Ansioso para o início da Olimpíada, que começa oficialmente na próxima sexta, Pepê está confiante que não só ele, como outros atletas brasileiros, terão sucesso em Tóquio: "O Brasil é uma potência em tudo o que tenta. A gente é o melhor no surfe, no skate, canoagem, vôlei, futebol. O nosso potencial é gigantesco", encerrou.

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