Esportes 'Não sinto pressão. Meus resultados são desafios por mais', diz Petrúcio Ferreira

'Não sinto pressão. Meus resultados são desafios por mais', diz Petrúcio Ferreira

Quando tinha dois anos, Petrúcio Ferreira perdeu parte do braço esquerdo, abaixo do cotovelo, em um acidente com uma máquina de moer capim. Atualmente, aos 24 anos, o paraibano de São José do Brejo do Cruz é o atleta paralímpico mais rápido do mundo, acostumado a bater seus próprios recordes.

Ele é o dono do recorde mundial dos 100m da classe T47 (para amputados de braço) com a marca 10s42 no Mundial de Atletismo em Dubai 2019. O tempo foi oito centésimos mais rápido do que o seu próprio recorde mundial anterior. Em junho de 2018, ele completou os 100m em 10s50 no circuito do Comitê Paralímpico Internacional. E não para aí. Esta marca superou o recorde no Mundial de Atletismo de Londres 2017, quando fez os 100m em 10s53 e os 200m em 21s21.

"Eu não ponho esses resultados como pressão, mas coloco como um desafio pessoal de buscar o meu melhor, de estar no meu melhor e buscar o meu limite", afirmou o atleta em entrevista exclusiva ao Estadão.

A preparação para a Paralimpíada foi difícil. Por conta da pandemia, ele treinou na praia do Bessa, em João Pessoa, numa pista de barro da Polícia Militar, na fase de transição para o piso sintético, academias improvisadas até a retomada das atividades na Universidade Federal da Paraíba, em janeiro. Na madrugada desta sexta-feira, ele estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio-2020 e vai atrás de mais recordes.

Como foi a preparação para a Paralimpíada no meio da pandemia do novo coronavírus?

Infelizmente enfrentamos uma preparação de cinco anos. O ano de 2020 foi o período mais difícil da preparação. A gente teve que se adaptar, voltar para casa, treinar em casa em um espaço mais curto e improvisando com materiais e até alguns exercícios para serem feitos durante a preparação. Fiquei sete meses no interior. De uma certa forma eu consegui aproveitar de pontos positivos.

Quais foram eles?

Estar próximo à minha família, próximo aos meus pais e estar em casa. Mesmo na situação difícil, eu consegui me reinventar, treinar no meio do mato para poder entrar no ano 2021.

Como você está emocionalmente nesta pandemia?

A questão psicológica ajuda muito na preparação do atleta, mas, ao mesmo tempo, também pode dificultar. Às vezes, você pode estar com o corpo bom, mas a cabeça, não. A pandemia da covid-19 mexeu psicologicamente e um pouco na preparação. Ficávamos com dúvidas que nos deixavam ansiosos e nervosos se iria ter mesmo a competição ou não. Além de ver os adversários treinando e eu, não. Isso mexeu um pouco com o psicológico, mas eu tive que manter o controle mental.

Como você superou essas dúvidas?

Consegui manter minha saúde mental e focar no meu objetivo. Não era apenas eu que estava enfrentando essa dificuldade, mas outros atletas também. Quanto mais a gente se desespera no momento difícil, mais ele se torna difícil. Procurei olhar os pontos positivos. Estar próximo da família ajuda psicologicamente. Você se sente mais seguro, confiante e focado no seu objetivo.

Como administrar a pressão por resultados e o fato de ser o atleta mais rápido do mundo?

Eu não imponho isso como uma pressão. Óbvio que estarei no meu máximo dando o meu melhor, mas sem impor pressão. Não posso me pressionar. Por mais que eu saiba que essas cobranças por ótimos resultados existam. Mas nem sempre estamos em nosso melhor dia. Eu tenho que estar bem comigo mesmo para entrar na pista e dar o meu melhor e o resultado vai fluir naturalmente. Então não ponho esses resultados como pressão, mas coloco como um desafio pessoal de buscar o meu melhor, de estar no meu melhor e buscar o meu limite.

O que você espera das Paralimpíadas?

Fiz uma boa preparação com treinamento físico e mental para chegar a essa competição. Estou indo para minha segunda Paralimpíada mais maduro, mais experiente, bem mais encorajado que a primeira. Isso me dá uma certa confiança. Tenho que entrar na pista, que é o nosso palco, o palco dos atletas, onde e damos o nosso show. Vou dar o meu melhor, e que consiga subir no pódio independentemente da colocação.

Como você chega para a competição?

Estou chegando muito bem para a competição, confiante comigo mesmo e na preparação do trabalho que eu fiz junto ao meu treinador, junto com toda minha equipe multidisciplinar. Estou chegando bem fisicamente, mentalmente e bem firme para os Jogos Paralímpicos.

Quem é Petrúcio Ferreira?

Sou suspeito de falar de mim mesmo, fica bem melhor ouvir das pessoas quem é o Petrúcio Ferreira e quem o conhece. Mas sou um cara que gosta de se divertir, de espalhar alegria, sorriso, brincalhão em todas as horas e uma pessoa que gosta de ver o sorriso no rosto das outras pessoas.

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